Balança comercial de 2019 tem superávit de US$ 46 bi

Corrente de comércio tem redução de 5,7%

Negócios Internacionais / 18:53 - 6 de jan de 2020

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O Brasil registrou em 2019 superávit comercial (diferença entre exportações e importações) de US$ 46 bilhões. O resultado é 20,5% inferior ao apurado no ano passado, US$ 58 bilhões, e representa o menor desempenho desde 2015, quando o saldo foi de US$ 19,5 bilhões. Entre janeiro e novembro de 2019, as exportações somaram US$ 239,26 bilhões, uma queda de 7,5%, pela média diária, em relação ao ano anterior (2018). No acumulado do ano passado, as importações somaram US$ 177,34 bilhões, uma queda de 3,3% sobre as compras internacionais em 2018. A corrente de comércio (soma de importações e exportações) alcançou a cifra de US$ 401,34 bilhões, um valor 5,7% em relação ao ano anterior.

Os principais fatores para a queda das exportações, segundo o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, foi o aprofundamento da crise econômica na Argentina, importante comprador de produtos manufaturados brasileiros, e a crise suína na China, que reduziu a demanda pela soja brasileira, que é um dos principais produtos vendidos pelo país. Ao todo, esses dois problemas reduziram as exportações brasileiras em cerca de US$ 12 bilhões.

Eu citaria dois aspectos que são cíclicos, que são choques de curto prazo, mas que também afetaram a economia brasileira de forma muito forte. O primeiro choque é a crise argentina, o aprofundamento dessa crise. Isso gerou um impacto negativo da ordem de US$ 5,2 bilhões, e aí eu me refiro especificamente a questão [da venda] automotiva e de bens manufaturados em geral. E tivemos outro choque, que foi a crise da febre suína na China, que impactou sobremaneira as nossas exportações de soja, da ordem de -US$ 6,7 bilhões esse ano [2019], e que nem de longe foi compensado pelo aumento das nossas exportações de proteína, que foi a contrapartida dessa queda nas exportações da soja”, disse.

Com a perda de quase metade do rebanho suíno em 2019, por causa da febre suína, a China deve continuar reduzindo a importação de soja do Brasil, que serve para alimentar os animais produzidos no país asiático. “Metade do rebanho suíno da China foi comprometida e isso não se recupera da noite por dia, então esse fator vai continuar agindo em 2020, podemos esperar uma demanda menor por soja”, explicou Herlon Brandão, subsecretário de inteligência e estatísticas de Comércio exterior. Além dos fatores conjunturais que afetaram o saldo comercial do Brasil, o comércio mundial como um todo também perdeu força, crescendo 1,2% em 2019, contra 3,7% no ano anterior (2018), o pior desempenho desde 2009, ano marcado pela crise econômica e financeira internacional.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, essa é uma tendência global, já que o auge do crescimento do comércio se deu na década de 1990, quando a globalização atingiu seu auge e agora tende a se estabilizar, do ponto de vista mais estrutural. “Isso já estava acontecendo mesmo antes daquilo que se costuma chamar de guerra comercial [entre Estados Unidos e China], que começou basicamente o ano passado, e muitas pessoas atribuem o baixo dinamismo recente apenas à guerra comercial, que certamente contribuiu, mas é algo que já vem acontecendo desde a década de 1990”, disse.

 

Participação da indústria nas vendas mundiais

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) mostra que a participação da indústria de transformação brasileira nas exportações mundiais do setor caiu de 0,93% em 2017 para 0,90% em 2018. Entre os anos de 2015 e 2017 o indicador havia registrado recuperação de 0,89% para 0,93%. O Brasil também perdeu espaço na produção mundial e empatou com a Indonésia em 9º lugar no ranking global.

O indicador de desempenho produtivo ilustra a perda de competitividade da indústria de transformação brasileira. Em 2018, a participação brasileira no valor adicionado do segmento em nível mundial caiu pelo quinto ano consecutivo, de 1,9% em 2017, para 1,83% no último ano. A perda de participação da indústria brasileira é observada desde a década de 1990. Em 1994, valor máximo da série histórica iniciada em 1990, o país chegou a responder por 3,37% na produção global do segmento. Em 2018, o percentual chegou ao seu menor patamar: 1,83%.

A perda de importância da indústria brasileira na produção industrial mundial é uma tendência de longo prazo, mas se intensificou nos últimos anos em razão da crise interna, umas das mais severas já ocorridas. Problemas estruturais antigos, ainda não solucionados, prejudicam nossa competitividade, como a complexidade do sistema tributário brasileiro, que gera insegurança jurídica e aumenta os custos das empresas”, explica a economista da CNI Samantha Cunha.

Entre os fatores apontados pelo estudo da CNI para a queda da participação brasileira nas exportações da indústria de transformação mundial em 2018 estão a crise da Argentina, incertezas no cenário externo e a volatilidade cambial. Dos 11 principais parceiros comerciais do Brasil, a China apresentou o maior ganho de participação nas exportações da indústria de transformação mundial. O indicador chinês aumentou de 15,23%, em 2017, para 15,63%, em 2018. Os Países Baixos registraram o segundo maior ganho: de 3,19% em 2017 para 3,3% em 2018. Também registraram aumento: Alemanha, México, França e Itália.

 

Curso de marketing internacional

O conteúdo será lecionado em quatro aulas presenciais, nos dias 21 e 22 de janeiro e 11 e 12 de fevereiro. Os encontros acontecem na sede da ESPM, no bairro da Vila Mariana, na cidade de São Paulo. O ano de 2020 começa com uma oportunidade e tanto para as empresas brasileiras com interesse em saber mais sobre planejamento de marketing internacional. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) oferecem capacitação presencial sobre o tema, com o intuito de minimizar os riscos dos empresários brasileiros com nova operação no exterior. As vagas são limitadas e estão abertas até o dia 8 de janeiro.

A primeira edição do curso de marketing internacional tem como objetivo facilitar o reconhecimento de oportunidades e ameaças no mercado externo. Além disso, trabalha a análise de mercado, de posicionamento, de proposta de valor, de vantagem competitiva, bem como dos pontos fortes e fracos das empresas, suas ofertas e sua marca.

Informações: apexbrasil.com.br

 

Solarium Revestimentos aposta no exterior

Pioneira e líder no mercado de pisos e revestimentos cimentícios atérmicos no Brasil – a Solarium Revestimentos, apostou em novos mercados internacionais para impulsionar os resultados da empresa frente ao setor da construção civil. Hoje, já conta com operações nos Estados Unidos e em países da América do Sul,além de exportar para todos os continentes. Neste ano, o grupo desembarcou o primeiro lote em terras lusitanas e apresentou pela primeira vez os produtos nacionais e exclusivos da marca na Concreta – reconhecida mostra europeia deconstrução, arquitetura e design que acontece na cidade do Porto, em Portugal.

Para a presidente da Solarium, a arquiteta Ana Cristina de Souza Gomes investir em exportações é importante de várias maneiras. “A atuação fora do Brasil fortalece o nome da Solarium em âmbito nacional e internacional e gera reconhecimento de marca. Além de estimular o estudo de novos investimentos, tanto em linhas de produtos quanto em atuação em outros países, pois a abertura de novos mercados estimula as vendas e impacta no crescimento do negócio, mesmo que de forma gradual”, destaca.

Neste ano, na América do Sul, o Peru foi o país com mais destaque na buscados produtos, com foco principal em revestimentos de parede e cobogós. “Os peruanos gostam muito do design exclusivo e assinado que implementamos em nossos produtos”, explica Ana Cristina. No mesmo continente o Paraguai tambémvem apresentando sinais de crescimento, e a expectativa é que os resultados para 2020 sejam pelo menos 10% maiores.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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