Foi aberta a temporada de balanços das empresas, e os resultados mostram que as companhias abertas (com ações em Bolsa de Valores) ainda estão sofrendo bastante desgaste em relação a resultados financeiros, ou seja, com pagamento de juros com a taxa Selic ainda muito alta.
“Como a temporada de resultados do terceiro trimestre ainda não acabou, não é possível determinar, com certeza, se os resultados serão bons ou ruins nem fazer um levantamento setorial adequado, mas até o momento os setores mais cíclicos aparentam estar indo pior que os setores menos cíclicos”, avalia Ângelo Belitardo, da Hike Capital.
Para Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos, foi uma temporada de balanço mais previsível. Os setores que aparentam ter obtido os melhores resultados são os de baixo grau cíclico. “O setor de shoppings ainda muito resilientes, mesmo com as varejistas sofrendo com vendas mais tímidas, os shoppings conseguiram ir bem, questão de serviços, que elas estimularam ao longo do trimestre que foi bastante positivo e apareceram nos resultados”, diz Cruz.
Alguns balanços das empresas que mostraram ganhos até agora são:
- No setor de saúde, um dos destaques, conforme Belitardo, foi a Raia Drogasil (+33,1% lucro líquido anual), com destaque ao aumento de 20,4% no Ebitda no ano.
- No setor de transporte e logística, o especialista cita a Rumo (+56,1% lucro líquido anual), com destaque ao aumento de margem, aumento de 10,2% na tarifa no trimestre, e volume nas suas operações.
- Em bens de capitais, a Marcopolo (+246,2% lucro líquido anual), aumento da margem em 246,2% no ano.
- No setor de infraestrutura, a Ecorodovias apresentou lucro líquido de +90% e aumento do Ebitda ajustado em 76,2%.
- A Sanepar, do setor de saneamento, por sua vez, contabilizou alta de 44,3% no lucro líquido anual, com crescimento da receita operacional, 12,1% e redução de custos operacionais de 1,8%.
- Também no setor de saneamento, a Copasa teve expansão de 92,4% no lucro líquido anual.
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Maiores perdas nos balanços das empresas
Os setores que aparentam ter sofrido as maiores perdas são os de alto grau cíclico. “A grande novidade talvez seja o setor de frigoríficos, que em comparação com o ano passado, ficou com resultado bem mais fraco, mas bem em linha com a oscilação no preço do gado e da carne, já era esperado. Acabou pegando nas ações porque realmente caiu bastante. Algumas construtoras tiveram vendas um pouco menores, e isso chama atenção porque elas não estava assim no primeiro semestre”, diz Cruz.
“O destaque negativo do trimestre ficou com Casas Bahia e Magazine Luíza, por esse erro contábil que foi anunciado e não estava no radar. Elas já seriam trimestres fracos por todo o contexto delas e com essas novidades piorou ainda mais a percepção em relação ao setor”, complementa Cruz.
- No varejo, o destaque negativo fica por conta de Casas Bahia, com prejuízo 311% maior que no mesmo período do ano passado. Com destaque para um Ebitda negativo de R$ 66 milhões, aumento nos pagamentos de processos trabalhistas em +74%.
- A construtora MRV apresentou prejuízo de R$ 136,5 milhões, frente a um lucro de R$ 2 milhões mesmo período do ano passado. Com destaque para despesas financeiras de R$ 128,8 milhões.
- No setor de telecom, a Oi contabiliza perdas de R$ 2,83 bilhões, 12,7% menor que no mesmo período do ano passado. Com destaque para um Ebitda negativo de R$ 330 milhões frente a R$ 167 milhões positivo no ano passado e resultado financeiro negativo de R$ 2,480 bilhões, 23,4% maior que no ano passado.
Outro setor que foi afetado pela comparação anual foi o de petróleo. “Petrobras teve um resultado bem mais fraco do que no ano passado, porque em 2022 o preço do barril de petróleo no mercado internacional estava bem mais alto. Não é que a empresa está piorando, só que a commodity dela mudou de patamar”, afirma Cruz.
No terceiro trimestre, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 26,6 bilhões, queda de 42,2% na comparação com igual período do ano passado.
Por Gilmara Santos, especial para o Monitor Mercantil
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