Baleia esfria o clima

Baleias sequestram carbono. E poderão fazer mais, se forem preservadas, apesar de não constarem das ordens executivas editadas pelo presidente Joe Biden, reverso da política “antiambiental” praticada por seu antecessor.

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou o pacote de medidas ambientais com o qual se comprometeu na campanha para a presidência e que contradiz a política do seu antecessor.

A nova política ambiental dos EUA foi instituída através de ordens executivas, quer dizer, são da alçada exclusiva do Executivo, dispensando a passagem pelo Congresso para produzir efeitos. Através delas, ficam vedadas novas autorizações para perfurações de petróleo e gás em terras federais, eliminam-se subsídios aos combustíveis fósseis e fica determinada a conversão da frota de veículos a serviço do governo, da energia derivada de combustíveis fósseis para a energia elétrica. Como a geração de energia em terras do governo tem um peso acentuado na emissão de dióxido de carbono (CO2) dos EUA, Joe Biden propõe a descarbonização total da indústria energética até 2035 e de todo o país até 2050!

Outras medidas anunciadas são a instituição de um conselho assessor reunindo agências de regulação ambiental, para orientar a presidência com relação às políticas adequadas para corrigir desigualdades econômicas e raciais, acentuadas pelas mudanças climáticas e pela poluição da água e pela poluição do ar.

 

Ameaça máxima

Classificando as mudanças climáticas como “ameaça máxima” e acrescentando que “não podemos esperar mais”, Joe Biden anunciou a realização de uma Cúpula do Clima nos EUA, em 22 de abril de 2021, Dia da Terra e quinto aniversário da assinatura do Acordo de Paris.

Sobre emprego, Joe Biden acredita na geração compensatória de “empregos do futuro”, ante possíveis perdas no presente.

 

Economia criativa

O século passado, sobretudo na segunda metade, foi pródigo na criação de métodos de gestão, como a Gestão pela Qualidade, Matriz de ameaças e oportunidades, Gestão por Processos, além de conceitos inovadores, a exemplo de Desenvolvimento Sustentável, Sustentabilidade, “Small is Beautiful”, etc.

Apesar de conferirem estilo e elegância aos textos, desde o pioneiro Relatório Meadows, redigido por Donella H. Meadows, Jorge Randers e William W. Behrens III, à frente de uma equipe de especialistas em informática do Massassuchets Institute of Technology (MIT; 1972), também conhecido como Relatório Limites do Crescimento, ou ainda como Relatório do Clube de Roma (Clube de Roma, fundado em 7 de abril de 1968), mas não chegaram a impedir a severa ameaça representada pelas mudanças climáticas.

Joe Biden, na locução com que apresentou as diretrizes de sua política de segurança ambiental, sinalizou para o conceito mais próximo de levar às conquistas necessárias na correção dos efeitos das mudanças climáticas, ao dizer: “Estamos falando sobre inovação americana, produtos americanos, mão de obra americana. Estamos falando sobre a saúde de nossas famílias, água mais limpa, ar mais limpo e comunidades mais limpas. Estamos falando sobre segurança nacional, os americanos liderando o mundo em um futuro de energia limpa”, afirmou. Ao dizer da inovação americana, com o aposto produtos, mão de obra, saúde, água, ar, energia e comunidades mais limpos, está se referindo à criatividade aplicada à economia e às cidades.

O conceito de cidades criativas foi primeiramente exposto em 1994, pelo primeiro ministro da Austrália, Paul Keating, no discurso denominado “Creative Nation”, no qual se referia aos efeitos perversos da globalização sobre a diversidade cultural. Foi o prenúncio de políticas e práticas da realimentação permanente de objetivos econômicos, sociais, culturais e de sustentabilidade, em que a criatividade e sua base potencializadora apresentam-se como fatores críticos de diferenciação, competitividade e bem viver.

 

Enfim, baleia

Matéria publicada na internet pela BBC, sobre a capacidade presumida das baleias de sequestrarem carbono na massa dos seus corpos e, mesmo quando morrem, de internarem o carbono sequestrado no fundo do mar (ou alternativamente, de liberá-lo na atmosfera, se caçadas para fins comerciais).

A matéria reproduz informações extraídas do relatório de pesquisa realizada pela Climate Center (climaterealityproject.org.br; “organização independente de cientistas e jornalistas renomados que pesquisam e relatam fatos sobre a mudança do clima e seu impacto sobre o público”), coordenada por Andrew Pershing, Ph.D, Diretor de Ciências do Clima da Climate Center (Email:apershing@climatecentral.org).

Consta do relatório, que a caça comercial às baleias pode ter reduzido a sua população em até 90%. Antes da caça industrial, as baleias teriam depositado até 1,9 milhão de toneladas de carbono, por ano, no fundo do oceano, equivalentes a retirar até 410 mil veículos de circulação, anualmente.

 

O cocô da baleia

As fezes das baleias, ricas em ferro, propiciam as condições de crescimento perfeitas para os fitoplânctons, que capturam cerca de quatro vezes mais dióxido de carbono, do que a quantidade capturada pela Floresta Amazônica.

Não sem motivo, em 2019, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou um relatório, coordenado pelo economista Thomas Cosimano, analisando benefícios de se repovoarem os oceanos com baleias. Este estudo mostrou que, quando se soma o valor do carbono sequestrado por uma baleia durante sua vida, e outros benefícios para a atividade pesqueira e ecoturismo, conclui-se que uma baleia grande vale em média mais de US$ 2 milhões, e sua população corresponde a um patrimônio de mais de US$ 1 trilhão.

Existe assim a possibilidade de se transformar a preservação das baleias em um mecanismo de compensação de carbono. A ideia é convencer os emissores de carbono a pagar determinada quantia para proteger as populações de baleias, em vez de investir na redução de suas próprias emissões, ajudando-os a obter uma pegada de carbono neutra.

Baleia tem lá o seu valor.

Leia mais:

WEF, os riscos dos ricos

Didi Mocó, Mussum, Zacharias e Dedé

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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