Banco ABC Brasil (ABCB4): resultado do 3T25, dinâmicas e perspectivas

Segundo Ricardo Moura, o Banco ABC Brasil conseguiu um bom resultado no 3T25 devido ao equilíbrio de originação, spread e qualidade de carteira.

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Ricardo Moura, diretor de Relações com Investidores, M&A Proprietário e Estratégia do Banco ABC Brasil
Ricardo Moura, diretor de Relações com Investidores, M&A Proprietário e Estratégia do Banco ABC Brasil (foto divulgação)

Conversamos sobre o resultado do 3T25 do Banco ABC Brasil com Ricardo Moura, diretor de Relações com Investidores, M&A Proprietário e Estratégia do banco.

Qual a sua avaliação sobre o resultado do 3T25 do Banco ABC Brasil?

Nós tivemos mais um trimestre sem grandes surpresas. Por mais que o cenário macro esteja com uma taxa de juros historicamente elevada, principalmente a taxa real, o banco possui um modelo de negócio que lhe permite se adaptar e continuar dando uma rentabilidade, vamos dizer, razoável em um cenário como esse.

O Banco ABC Brasil teve uma expansão da margem financeira nas três linhas de negócio, margem com clientes, margem com o mercado e Patrimônio Líquido remunerado a CDI (PL a CDI). Cabe ressaltar que, como a reprecificação da carteira e a expansão de margem continua sendo um tema no 3T25, depois de terem sido no 2T25, nós continuamos dando um foco importante nessas questões.

Na parte de despesas, nós continuamos com uma disciplina muito forte. Por exemplo, nós crescemos 4,3% nos nove meses de 2025 (9M25) em relação a 9M24, o que mostra uma velocidade de crescimento abaixo do nosso guidance, que é de 6% a 11%, o que é positivo quando se fala em despesas.

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Com relação à qualidade da carteira, ela veio a contento. Isso porque, em um momento em que se tem uma taxa mais elevada, isso passa a exigir mais das companhias. Sendo assim, nós tivemos uma despesa de provisão dividida pela carteira, um número que olhamos muito, de 0,7% no 3T25, em linha com a nossa média histórica, ou seja, nada fora do esperado.

Olhando para os índices de qualidade de crédito, o atraso de 90 dias teve queda no 3T25 e a sua cobertura está ao redor de 390%, que, diga-se de passagem, é um índice saudável. No caso da cobertura do estágio 3, ela está em 90%. Além disso, nós temos as provisões que chamamos de anti-cíclicas, pois não estão alocadas para nenhum cliente, que são uma proteção do balanço para, vamos dizer assim, um dia de chuva. Esse colchão adicional soma R$ 190 milhões.

Por fim, nós fechamos o 3T25 com uma Basiléia de 16,7%, o que é bastante folgado, com um capital principal de 11,9%, e com um ROAE de 15,5%.

Resumindo, nós estamos em um ambiente com uma taxa mais elevada, mas continuamos em um processo de expansão de margem, com uma boa qualidade de carteira e retornos razoáveis, além de um dividend yield em torno de 10%, que é uma remuneração atrativa. Nesse exercício de equilíbrio de originação, spread e qualidade de carteira, nós acreditamos ter conseguido um bom resultado no 3T25.

Como está o desempenho do Banco ABC Brasil em 2025?

Quando o ano começou, nós vimos que teríamos uma velocidade de crescimento de carteira menor que 2024, quando a carteira cresceu 15%, por causa da taxa de juros em ascensão. Nós também tínhamos uma expectativa de reprecificação da carteira com uma expansão de margem, o que tem ocorrido, e de alguma tendência de subida no nível de atraso mais próxima da média histórica, exatamente o que aconteceu no 3T25. Dessa forma, está tudo, mais ou menos, dentro dessa expectativa.

Um dos efeitos que tínhamos mapeado, mas que veio um pouco mais pronunciado, foi o crescimento da carteira. Nós esperávamos crescer entre 7% e 11%, mas estamos revisando esse guidance para entre 1% e 4%, já que a taxa de juros acabou sendo um pouco maior do que tínhamos no nosso plano base do início do ano.

Como a Selic está impactando o resultado do Banco ABC Brasil?

Como uma Selic mais alta exige mais das companhias, o que se reflete em uma maior necessidade de cautela da nossa parte, isso faz com que a carteira cresça um pouco menos nesse tipo de cenário do que em um cenário com taxas mais baixas. 

Por outro lado, nós temos uma linha no nosso balanço que é sensível à taxa de juros, já que grande parte dos seus ativos é pós-fixada, ou seja, eles se reprecificam de forma automática. Esse impacto acontece no nosso capital que está investido em títulos públicos. Nessa linha, que nós chamamos de PL a CDI, se a taxa sobe, nós temos mais receita, e se a taxa cai, o efeito é inverso.

Dessa forma, em uma subida de juros, se por um lado nós temos um crescimento menor da carteira, por outro nós temos a linha PL a CDI em uma direção oposta. 

Independente disso, uma vez que o cenário macroeconômico permita, nós estamos preparados para retomarmos o crescimento, já que temos capital, funding e estrutura.

Como está o crescimento da carteira em 2025?

Uma boa maneira de entendermos o crescimento é olharmos a questão de oferta e demanda. Com uma estrutura monetária mais restritiva, o mercado como um todo acaba tendo uma procura menor por parte das companhias, já que elas postergam alguns projetos devido a um apetite menor para acelerar o crescimento, justamente o objetivo desse tipo de política. Por outro lado, as instituições financeiras colocaram um pouco mais de cautela na concessão. Esses efeitos na demanda e na oferta resultaram em um crescimento menor da carteira expandida. Isso aconteceu com o Banco ABC Brasil e com o mercado.

Um ponto importante do nosso negócio é que nós temos uma sazonalidade relevante no último trimestre, quando há uma concentração maior de atividade econômica. Isso faz com que, historicamente, o último trimestre acabe sendo um pouco mais importante que os outros para o crescimento de carteira. 

Como tem sido o início da operação das verticais agro e imobiliário?

Os times estão muito animados e a receptividade que estamos tendo tem sido muito positiva. Além dessa mudança ser muito benéfica para o banco, ela também tem se mostrado muito benéfica para os clientes, pois a partir do momento em que se tem uma força de vendas especializada em uma vertical, a linguagem, a profundidade de análise e a interação passam a ser especializadas, o que muda o patamar.

Como você está vendo as perspectivas do Banco ABC Brasil para 2026?

Nós estamos no processo de definição dos orçamentos para o ano que vem. Para 2026, nós esperamos o início da flexibilização da política monetária, o que deve ser positivo para a demanda de crédito, mas mesmo incorporando esse começo de queda de juros, muito provavelmente, nós ainda teremos uma taxa em um nível relativamente elevado quando comparamos com o histórico recente.

Outro ponto é que nós temos uma eleição presidencial em 2026, sendo que, historicamente, esses anos possuem mais volatilidade de mercado. Isso não é melhor e nem pior, mas diferente, pois da mesma forma que pode servir como freio para alguns negócios, pode servir como acelerador para outros. É por isso que é tão importante ter uma plataforma que possua um kit de ferramentas mais diversificado, que possa oferecer a ferramenta mais indicada de acordo com o cenário macro

Diferente de 2025, que partiu de uma taxa mais baixa para fechar com uma taxa mais alta, 2026 vai ser, provavelmente, o oposto, mas com mais volatilidade. O importante é termos os times comerciais na rua e os serviços corretos para serem oferecidos, independente do momento do ciclo de juros e do ciclo de crédito.

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