No Brasil, os bancos digitais, também chamados de neobancos, têm superado bancos tradicionais em número de clientes. No final de 2025, a modalidade contabilizava 294 milhões de clientes. A Fitch Ratings, agência de classificação de risco de crédito, espera que o setor continue crescendo, mas com “desafios de sustentabilidade e diversificação de captação”.
O Nubank já é o segundo maior banco do país em número de clientes (112 milhões), superando o Bradesco (110 milhões), atrás apenas da Caixa Econômica Federal (158 milhões). Os números são do Banco Central.
“Os maiores bancos digitais nativos de varejo do Brasil já figuram entre as maiores instituições do país por número de clientes. A presença, no entanto, segue concentrada e, em alguns casos, limitada a poucos produtos, com sinais de que o crescimento está desacelerando em meio a desafios de diversificação”, mostra o relatório “Neobancos de Varejo Brasileiros: Atualização de Mercado 2026”, publicado na terça-feira.
Embora alguns bancos digitais possuam licença bancária, a Fitch Ratings avalia que esta, até o momento, não é um diferencial competitivo relevante. Uma das razões é o escopo regulatório de certas licenças, muito próximo ao de uma bancária. Ainda assim, mudanças recentes, que restringem o uso do termo “banco” e afetam a tributação de fintechs, devem incentivar a busca por licenças bancárias ou a conversão das licenças atuais
“Apesar do foco no varejo, a baixa penetração no segmento corporativo representa uma oportunidade, sobretudo em micro, pequenas e médias empresas. Uma expansão nesse segmento, no entanto, pode pressionar as métricas de rentabilidade e alterar o perfil de risco dos bancos analisados no relatório”, observou a agência.
Alguns players já atingiram certo grau de maturidade e eficiência, reportando resultados positivos, apoiados por estruturas enxutas quando comparadas às dos grandes bancos. As margens financeiras vêm melhorando com o crescimento da carteira de crédito e a queda do custo de captação, e a Fitch espera benefícios adicionais para a margem do setor com o ciclo de cortes de juros esperado para 2026-2027. “Persistem, porém, desafios relacionados à inadimplência, mesmo considerando a boa cobertura de créditos problemáticos”, destaca o relatório. Os principais riscos para o setor em 2026 incluem crescer enquanto diversificam a estrutura de funding em ritmo semelhante ao de sua carteira de crédito, além das implicações para modelo de negócios, perfil de risco e resultados caso intensifiquem a expansão no segmento corporativo.
A Fitch também destaca o cenário atual de inadimplência elevada e sua sensibilidade às dinâmicas de juros, endividamento e inflação. A agência considera que, apesar da melhora dos resultados observada nos últimos trimestres, o setor ainda enfrenta o desafio de sustentar um crescimento acima da geração interna de capital e de buscar alternativas para equilibrar o aumento da alavancagem. A Fitch ressalta, ainda, a exposição do setor a mudanças regulatórias que podem afetar, em maior ou menor grau, o modelo de negócios, as perspectivas de crescimento e os resultados.

















