Bancos europeus financiam exploração de petróleo na Amazônia

Quase todos os citados em relatório têm compromissos de sustentabilidade ou compromissos de defesa de direitos indígenas.

Bancos da Suíça, França, Alemanha e Holanda financiam projetos de exploração de petróleo na região das Cabeceiras Sagradas da Amazônia, no Equador, um dos berços do Rio Amazonas. A informação é de um relatório apresentado hoje pelas organizações ambientalistas Stand.earth e Amazon Watch, que cita o ING, da Bélgica; o Credit Suisse, o UBS e o BNP Paribas, da Suíça; o Natixis, da França; o Deutsche Bank, da Alemanha; e o Rabobank, da Holanda. Segundo o documento, desde 2009, essas e outras instituições financiaram um total de US$ 10 bilhões para a produção de aproximadamente 155 milhões de barris de petróleo no Equador. As exportações atendem a mercados internacionais, sendo que mais de 40% delas vão para refinarias na Califórnia, nos EUA.

Quase todos os citados no relatório têm compromissos de sustentabilidade ou compromissos de defesa dos direitos indígenas. Alguns são signatários dos Princípios do Equador e/ou dos Princípios para Bancos Responsáveis do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Outros têm políticas específicas para o Ártico, incluindo a nova iniciativa de sustentabilidade do Credit Suisse projetada para "melhorar a consideração da biodiversidade".

"O financiamento desses bancos perpetua os abusos dos Direitos Humanos, agrava a crise climática e amarra ainda mais a economia do Equador aos ciclos de expansão e quebra da extração de recursos naturais", afirma Tyson Miller, diretor do Programa Florestal da Stand.earth. Para ele, qualquer banco comprometido com a proteção dos direitos indígenas e do clima deve acabar com o financiamento do comércio de petróleo nas Cabeceiras Sagradas da Amazônia até que novas salvaguardas e compromissos sejam postos em prática.

"Mesmo durante a pandemia da Covid-19, as empresas petrolíferas continuam a buscar a expansão, colocando os povos indígenas em risco ainda maior", afirma Moira Birss, diretora de Clima e Finanças da Amazon Watch. "Estes bancos não podem manter suas promessas sobre o clima e os Direitos Humanos enquanto continuam a financiar o comércio de petróleo amazônico."

A divulgação do relatório ocorre apenas uma semana depois de uma coalizão de federações indígenas do Equador ter lançado uma campanha global e ações legais pedindo uma moratória para a atual produção de petróleo bruto. Em 7 de abril de 2020, um deslizamento de terra rompeu três oleodutos ao longo do Rio Coca, derramando pelo menos 15.800 barris de petróleo bruto em uma região que já tinha sido afetada por despejos de resíduos tóxicos pela Chevron-Texaco Oil Company. Verônica Grefa, presidente da Comunidade de Tocuya, explica que o vazamento afetou a disponibilidade de alimentos. "Como vivemos nas margens do rio, dependemos dele para sobreviver, especialmente durante esta trágica pandemia", diz.

Vários bancos mencionados no relatório responderam ao Stand e à Amazon Watch e expressaram interesse em abordar as questões levantadas no relatório. Até o momento, nenhum banco atualizou suas políticas.

O Rabobank disse que não financia mais os negócios na região e não se comprometeu a atualizar sua política. O Natixis se comprometeu a dialogar com os interessados e com o Stand.earth e a Amazon Watch a fim de atualizar sua política. UBS e ING Belgium se comprometeram a se engajar com as partes interessadas, mas não se comprometerem a atualizar suas políticas. Credit Suisse reconheceu a importância das conclusões do relatório, mas fugiu da responsabilidade ao dizer que suas políticas só se aplicam ao financiamento de projetos. O BNP Paribas e o Deutsche Bank não responderam.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Bancos chineses: mais empréstimos para empresas privadas

No final de junho aumento de 11,4% em relação ao ano anterior

Arábia Saudita cria fundo para pequenos negócios do turismo

Programa vai apoiar duas mil pequenas empresas turísticas de pequeno porte no país com US$ 133 milhões.

Mais navios deixam a Ucrânia com 58 mil t de milho

Três navios foram autorizados a sair com grão da Ucrânia.

Últimas Notícias

Armazém Cultural: Câmara debate veto do prefeito do Rio

.Comissão de Justiça e Redação recomenda rejeição ao veto

Plataformas da Bacia de Campos tem hotéis flutuantes

Petrobras estuda investir US$ 220 milhões até 2023

Ações do setor de saúde puxam Ibovespa

Destaque também para Petrobras, que celebrou novo aditivo ao contrato de compra de gás natural com a YPFB

Governo de MG conclui leilão de 627,4 km de rodovias

Investimentos de R$ 3,2 bi, sendo R$ 1,4 bi nos oito primeiros anos da concessão

Bancos chineses: mais empréstimos para empresas privadas

No final de junho aumento de 11,4% em relação ao ano anterior