Bancos levam juros do crédito do BNDES a 15%

Empresários reclamam que custo inviabiliza ajuda emergencial.

Conjuntura / 21:37 - 7 de abr de 2020

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O spread cobrado por bancos tem encarecido a linha de crédito emergencial de R$ 5 bilhões oferecida pelo BNDES para pequenas e médias empresas. Além disso, as instituições fazem exigências que dificultam o acesso ao dinheiro.

O custo desse dinheiro é 6%, que é a TLP, a taxa de longo prazo, como o BNDES remunera o FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador], mais 1,25% de spread do BNDES e mais o spread do banco repassador, que pode fazer o spread que quiser”, acusa José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Segundo Velloso, é o spread cobrado pelos bancos – que são os intermediários entre o BNDES e as empresas – que tem encarecido a linha de crédito. “Pegamos casos em que os bancos estão cobrando 8%”. Velloso afirma que esse foi o caso mais caro, mas que a média do custo da linha de crédito está entre 12% a 15% ao ano, somando a TLP e os spreads cobrados pelo BNDES e pelos bancos privados.

Um ex-executivo do BNDES afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que um spread de 8% é muito violento e que o banco público deveria ter imposto um limite para os bancos privados. Ele afirma que as taxas finais inviabilizam a linha, que não teria interessados.

Segundo ele, os R$ 5 bilhões disponibilizados também seriam um valor irrisório. Ele usa como exemplo o cartão de crédito do BNDES voltado para pequenas empresas no início da década de 2010, que girava um valor de R$ 11 bilhões por ano.

Não é inédita a reclamação do setor empresarial em relação ao comportamento dos bancos na crise da Covid-19. Entidades do segmento de bares e restaurantes reclamaram que as instituições financeiras elevaram os juros das linhas de crédito para capital de giro, apesar de o Banco Central ter ofertado liquidez no valor de R$ 1,2 trilhão aos bancos.

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