Bardella e o ocaso da burguesia nacional

Companhias que se fortaleceram no 'milagre econômico' foram sendo vendidas para multinacionais.

O pedido de recuperação judicial da indústria Bardella tem um componente simbólico. A empresa era uma tradicional fabricante de bens de capital paulista, que cresceu no "milagre econômico" da ditadura, assim como outras companhias que aliaram capacidade de produção à inovação. A Bardella forneceu maquinários para a construção da hidrelétrica de Itaipu e para as usinas nucleares de Angra I e II.

Com a crise da dívida, na década de 1980, e a abertura irresponsável de Collor e FHC, na década seguinte, uma a uma as indústrias nacionais foram sendo adquiridas por concorrentes multinacionais, de porte infinitamente maior. Foi o caso da Metal Leve e da Cofap. Das que resistiram, poucas estão em boa situação. A WEG é uma exceção à regra.

A Bardella e outros fabricantes de bens de capital tiveram um sopro de esperança com as encomendas para o setor de óleo e gás, capitaneadas pela Petrobras, nos governos do PT. A Lava Jato tratou de interromper este ciclo. A deposição de Dilma e a ascensão de governos ultraneoliberais decretaram o fim da política de conteúdo local.

A venda de campos de óleo, de bens e subsidiárias da Petrobras traz um novo componente deletério para a indústria nacional. As empresas compradoras, estrangeiras, priorizam as encomendas em seus fornecedores tradicionais, fora do Brasil. Além do prejuízo com a desnacionalização de um setor estratégico, perde-se também o desenvolvimento de empresas nacionais fortes, com tecnologia de ponta.

Junto com o ocaso das indústrias brasileiras, foi-se também a elite burguesa que tinha algum compromisso com o país. Hoje, as companhias que continuam operando ou estão sob administração de fundos e instituições financeiras, ou seguem com controle local, normalmente familiar, à espera de uma boa proposta do exterior para vender e passar a viver de renda.

 

Latinas em queda, Petrobras em alta

A renda líquida das mil empresas na classificação mais recente da Latin Trade (LT1000) caiu para US$ 100,7 bilhões. Em 2018, a renda atingira US$ 121 bilhões. As cinco maiores mantiveram suas posições: Petrobras, com um salto de 5.034% na renda líquida em comparação ao ano anterior; Pemex (alta de 20%); América Móvil (+1,7%); JBS (perda de 4,9%); e Vale (+5,8%).

A LT1000 classifica as mil maiores empresas não financeiras e listadas em bolsas de valores da América Latina quanto às receitas, ativos e lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês).

 

Liberdade e sigilo

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota em que condena “toda e qualquer iniciativa que vise a intimidar o livre exercício do jornalismo ou pretenda afrontar o direito constitucional ao sigilo da fonte.”

A ANJ diz esperar que os princípios da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte sejam respeitados em relação à cobertura que diferentes veículos de comunicação vêm dando a vazamentos de conversas relacionadas à Operação Lava Jato.

Ao mesmo tempo, a ANJ considera que o trabalho de investigação policial sobre eventuais ilegalidades cometidas na obtenção de informações relacionadas à Lava Jato é necessário e ocorre dentro da normalidade”, finaliza a nota.

 

Último dia

O prazo para entrega da Escrituração Contábil Fiscal termina nesta quarta-feira. Seu preenchimento e entrega são obrigatórios para todas as empresas, exceto para as optantes do Simples Nacional. De acordo com Mauricio Balassiano, diretor de Certificação Digital da Serasa Experian, quem não entregar a ECF nos prazos fixados fica sujeito a multa equivalente a 0,25%, por mês-calendário ou fração, do lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL, no período a que se refere a apuração, limitada a 10%.

 

Negócio do Brasil

O incrível caso do país que não vende barril de petróleo, mas poço de petróleo, para comprar barril de diesel ou gasolina de quem comprou poço de petróleo. É “gestão” que se chama?

 

Rápidas

Luiz Affonso Romano ministra mais uma turma do Curso de Desenvolvimento de Consultores (intensivo) em São Paulo, em 2 e 3 de agosto (sexta e sábado) *** Um dos principais nomes no mundo da cardiologia intervencionista, o médico Hector Garcia, do Medstar Washington Hospital Center, vem ao Rio para o II Simpósio Internacional de Cardiologia da Rede D’Or São Luiz, que acontece em 16 e 17 de agosto.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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