Barrados no baile

A Aneel, agência que cuida das concessionárias de energia elétrica, divulga dia 7 o Índice de Satisfação do Consumidor 2005 (Iasc). Não é um ato meramente burocrático. O indicador pesa no reajuste a que as empresas terão direito nos próximos anos. Foram ouvidos, entre 12 de dezembro do ano passado e 16 de janeiro deste ano, 19.220 consumidores residenciais em 473 municípios brasileiros sobre o desempenho dos serviços prestados pelas concessionárias, dentre as 47 milhões de unidades residenciais existentes no Brasil. Dá uma média de 40 entrevistados por cidade. Como nas maiores, obviamente, foram ouvidos mais consumidores, vai haver municípios em que a pesquisa se limitou a um ou dois consumidores. Pior, ficam de fora da festa do Iasc 5.087 cidades brasileiras.

Luz
Cerca de 6 mil aposentados e pensionistas da Cesp e da Eletropaulo vão receber valores referentes à redução nas complementações de aposentadorias e da contribuição previdenciária descontada indevidamente desde o início de 2004 – valores em torno de R$ 25 milhões e R$ 30 milhões mensais. É o que determina sentença da 49ª Vara do Trabalho de São Paulo.
Marco Antonio Innocenti, da Innocenti Advogados Associados, responsável pela ação, comenta que a sentença judicial trouxe outras conquistas aos trabalhadores. Entre elas, considerou ilegal transferir a responsabilidade pelo pagamento das complementações de aposentadoria à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, impedindo que sejam aplicadas aos beneficiários as regras que regem os funcionários públicos estaduais, e vedou a alteração unilateral das cláusulas e condições sob as quais foi instituído o benefício.

Monólogo
A reeleição de Álvaro Uribe para presidente da Colômbia tem função pedagógica para explicar a gestação das crises de governabilidade na América Latina. Uribe foi reeleito sem participar de um único debate sequer com seus concorrentes. A abstinência impediu que fosse submetido a questionamentos incômodos, de raro comparecimento nos programas de variedades a que costumam restringir sua participação candidatos blindados pela mídia, como Uribe.
Do choque de realidade a que ele se esquivou nada mais emblemático do que o fato de que a população colombiana – entre a qual se contabilizam cerca de 60% de pobres e miseráveis – tem no furto de tampas de bueiros um dos suas principais fontes de sobrevivência. Segundo cálculos de administradores locais, 5% dos 200 mil bueiros do país tiveram suas tampas furtadas. Deve ser o tal empreendedorismo, certamente um dos carros-chefes do sucesso reeleitoral de Uribe, que tanto entusiasmo causou nos neoliberais tupiniquins.

Sísifo
Mesmo os fãs entusiastas da reeleição de Uribe reconhecem, todavia, a existência de alguns problemas a serem enfrentados no segundo mandato. Coisa pouca para quem viu o “risco Colômbia” cair nesses quatros anos, como caos na educação e na saúde e garfada de direitos trabalhistas sem geração dos empregos prometidos. Para justificar esse explosivo contencioso herdado do primeiro mandato, os defensores do presidente colombiano produzem uma explicação esquizofrênica. Segundo eles, o sucesso eleitoral de Uribe se deve ao cumprimento de sua principal promessa de campanha: combater a guerrilha. O sucesso parece ter sido tão estrondoso que, na reeleição, a principal proposta de Uribe era negociar… com a mesma guerrilha, que, a crer nos seus propagandistas, ele liquidara.

Miragem
A soma do número de desempregados com a de subempregados na Colômbia equivale a 40% da população economicamente ativa (PEA), ou seja, 8,7 milhões de pessoas não tinham emprego algum ou ocupação decente ao final de 2005. A taxa de subemprego, que estava em 33,6% no início do Governo Uribe, caiu apenas dois pontos percentuais ao final do ano passado; isso, apesar da “flexibilização” dos direitos trabalhistas, que prometia o paraíso em terra, mas entregou apenas o inferno dos direitos reduzidos.

Laços
O Maranhão em peso atuou nos bastidores para tentar impedir a prisão de Edemar Cid Ferreira.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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