Barrados no baile

O novo mercado que começará a funcionar na Bolsa do Rio no próximo dia 18 contará com um grupo de instituições consideradas como a linha de frente do setor financeiro. Trata-se da Comissão Operacional do Mercado de Títulos Públicos, integrada pelo superintendente geral da bolsa, e representantes da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e dos bancos Bradesco, Itaú, Safra, BBA, Pactual, CSFB-Garantia, Banco do Brasil e Bank of America. Nesse grupo, que estabelecerá as regras do novo mercado, não constam representantes da sociedades corretoras, que integram a quase totalidade das instituições membros da Bolsa do Rio.

Unilateral
As empresas de telefonia celular resolveram forçar – na marra – a utilização de linhas pré-pagas. Começou com a redução do prazo de validade dos cartões com crédito – de 90 para 30 dias, em alguns casos. No Rio, a ATL, seguindo exemplo da (em teoria) concorrente Telefônica, eliminou do mercado o cartão mais barato (de R$ 10). O usuário se vê, de uma hora para outra, obrigado a gastar R$ 25 por mês ou R$ 50 por trimestre. As empresas estão reagindo à queda de faturamento com os pré-pagos, que estão sendo usados principalmente para receber telefonemas ou fazer ligações a cobrar. Quem comprou celular pré-pago contando justamente com um reduzido gasto mensal quebrou a cara. E as operadoras – que cobram tarifas até três vezes mais caras nos planos pré-pagos – apresentam como vantagem justamente a ausência de assinatura mensal.

Lobo
As acusações do relatório Comércio Global de Aço: Problemas Estruturais e Soluções Futuras, divulgado pela Secretaria de Comércio dos EUA, podem ser resumidas em uma frase: façam o que eu digo, não façam o que eu faço. Sem elementos concretos para defender uma restrição às importações de aço de outros países, os EUA partiram para a pura e simples defesa de seu mercado e sua indústria – apesar de disfarçar essa intenção com acusações vazias a outros países. Uma das conclusões do relatório é que o mercado brasileiro é fechado. Como até o Itamaraty faz questão de lembrar, os produtores brasileiros de aço são incluídos entre os mais eficientes do mundo e a produção interna é suficiente para suprir a demanda. Já os Estados Unidos importam mais porque sua indústria produz menos de 80% da demanda interna, a preços superiores aos do mercado internacional.

Tiroteio
Segue quente a troca de farpas entre o senador Antonio Carlos Magalhães e o ministro Humberto Souto, vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Souto, se referindo às declarações de ACM sobre os custos de manutenção do TCU – que na opinião do senador é um órgão caro e ineficiente -, “ACM não é sério e suas declarações são demagógicas”. O vice do tribunal disse ainda que “o povo não tem avaliação do que é caro ou barato e isso prejudica.” E concluiu: “Na verdade, o senador Antonio Carlos está sem outro assunto para chamar a atenção.”
Bala perdida
Na luta inglória para desviar atenção do escândalo Eduardo Jorge, o senador Antonio Carlos Magalhães chegou a defender, em entrevista ontem, que “ou se torna um órgão útil ou deve acabar mesmo.” ACM vai mais fundo na sua briga com o Judiciário. Diz que vai apresentar um projeto com o objetivo de acabar com a justiça trabalhista.

Piquete
A greve dos funcionários da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) continua causando transtornos. Transferências de estudantes de outras universidades estão sendo barradas pela ação de piquetes. O governo federal não parece muito interessado em buscar soluções. Até agora, somente a USP, de São Paulo, berço de FH e Paulo Renato, recebeu verbas especiais da União.

Travões
Uma estranha sinalização está sendo implantada nas ruas do Município do Rio de Janeiro. Depois de assistir ao prefeito Conde trazer placas de São Paulo – com expressões como “semáforo”, usadas na paulicéia – o carioca agora é obrigado a traduzir indicações como “no vermelho piscante gire com cuidado”, como informa (?) uma placa na entrada do Túnel Santa Bárbara. Conde parece ter ido mais longe e buscado especialistas em trânsito em Portugal.

Perigo à vista
A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), responsável pela liquidação do novo mercado de títulos públicos, está estudando a possibilidade de ser instituída a operação de aluguel de papéis. Ou seja: uma instituição pode alugar títulos que poderão entrar numa operação venda com direito de recompra. Traduzindo: operação a descoberto. É bom lembrar que esse mecanismo gerou o Caso Nahas, no mercado de opções da Bolsa do Rio e, mais recentemente, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), no mercado futuro de câmbio, gerando os escândalos envolvendo o Banco Central e os bancos Marka e Fonte Cindan.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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