Bases

As opções políticas e econômicas do governo Lula continuam a causar estragos nas bases sociais e sindicais ligadas à cúpula do PT. Nas eleições para o Sepe do Rio, que representa profissionais da educação, a chapa 3, integrada pela Articulação Sindical, ligada à cúpula do PT, e a Corrente Sindical Classista (CSC), foi a menos votada entre as seis que participaram do pleito. Dos 16.401 profissionais de educação das escolas da capital e do interior que votaram, apenas 1.685 (10,2% do total) optaram pela turma da Articulação, que teve menos votos até que a ligada ao PSB (1.746 votos e 10,6%) e a apoiada por pequenos grupos de esquerda (2.347 votos e 14,3%).

Amostra
O Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) completa em 2003 nove anos de existência. Para um país ainda sob efeito da promessa de Lula a Bush de lutar pela implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) até 2005, é interessante acompanhar os efeitos do Nafta sobre a economia do México, detentor de Produto Interno Bruto (PIB) equilavente ao do Brasil, embora tenhamos uma economia – por enquanto – mais dinâmica.
Nove anos após a assinatura, em 1994, do Nafta, o México continua mais próximo da velha maldição – “perto dos Estados Unidos e longe de Deus” – do que do paraíso anunciado quando da criação da zona de livre comércio. Atualmente, cerca de 50% dos mexicanos vivem na pobreza, 19% na indigência, e o desemprego continua crescendo. Além disso, o preço da cesta básica engordou em 560%, enquanto os salários cresceram apenas 136%.
O Nafta estabelece a eliminação progressiva de tarifas até que, após dez anos, ou seja, ano que vem, sejam inteiramente zeradas. O objetivo principal é proteger a economia dos EUA e impedir que seus sócios menores tenham acesso ao mercado norte-americano nos setores em que eles são menos competitivos. Diante disso, não é surpresa que, embora as multinacionais dos EUA tenham sido os maiores beneficiados do acordo, no mesmo período, pelo menos 766 mil postos de trabalho foram eliminados na indústria norte-americana.

Sem esquecimento
A cachaça Anísio Santiago, ex-Havana, receberá o primeiro prêmio Top of Mind do setor. Promovido pelo Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça (PBDAC), o prêmio será entregue na Expocachaça 2003, que acontece em Belo Horizonte – MG, de amanhã até domingo. A exposição será aberta ao público, que poderá degustar a bebida pura ou em drinks como a caipirinha e adquirir os produtos no local.

Vazio tecnológico
Enquanto os Estados Unidos registraram, ano passado, cerca de 250 mil pedidos de patentes ou processos, no Brasil, incluindo as solicitações de instituições estrangeiras, esse número não ultrapassou os 23 mil. Mais do que a ainda baixa capacidade do país para transformar conhecimentos científicos em inovações tecnológicas, essa defasagem revela ainda a falta de atenção das empresas e das universidades brasileiras com o próprio processo de patenteamento. Essa é uma das principais conclusões de recente encontro sobre marcas e patentes promovido pela Finep: “Há casos em que um produto é desenvolvido após anos de pesquisa, para só então se descobrir que já existe uma patente para aquela tecnologia”, observa Ana Cristina Müller, engenheira química que se especializou no assunto e acrescenta que as patentes são uma importante fonte de informações tecnológicas, ainda muito pouco utilizadas no país.

Tempo desperdiçado
Ana Cristina defende que as empresas e universidades nacionais façam levantamento das patentes existentes antes de começar a desenvolver um produto ou um processo e lamenta que esse procedimento ainda não seja rotineiro no Brasil: “Para a indústria farmacêutica, por exemplo, que despende anos em pesquisas, com custos financeiros elevados, é fundamental esse acompanhamento”, destaca a especialista, defendendo que a mesma cautela seja adotada pelas agências de fomento que financiam projetos de inovação tecnológica, como a Finep.

Babá no Rio
Elevado à condição de uma das principais estrelas do grupo autêntico do PT, graças à adesão da cúpula tucana às teses do tucanato que tão duramente combatera, o deputado federal Babá (PT-PA) participa amanhã, no Rio, de debate sobre o pacote da Previdência. O evento será no Clube Mackenzie, no Méier.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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