Basta!

A redução dos juros básicos da economia (Selic) em 0,5 ponto percentual, efetivada nesta sexta-feira, proporcionará uma economia de cerca de R$ 2,5 bilhões por mês ao governo, o que projeta redução de gastos de R$ 13,5 bilhões até o fim do ano, caso não haja nenhuma outra alteração da taxa. Esse montante é R$ 1,5 bilhão superior ao orçamento anual da Educação. Os juros reais do país, porém, continuarão entre os mais pornográficos do mundo, garantindo remuneração de 11% acima da inflação de 6% projetada para este ano.
A maior parte deste ganho é apropriada por rentistas e especuladores, além de drenar renda de setores produtivos, que encontram em aplicações financeiras remuneração bem mais atraente do que a proporcionada por seus negócios. As conseqüências dessa opção estão na saúde e na educação degradadas e têm na violência sua face mais dramática. A mobilização da sociedade alavancada pela transmissão da violência em tempo real deu visibilidade à demanda dos brasileiros por um país mais justo, reverberando até nos autistas enquistados no Planalto.
Tal movimento não merece ser manipulado ou vitimado por promessas vazias. É preciso canalizar suas energias para promover a inversão de prioridades hoje em curso, voltando a fazer do crescimento e da geração de emprego os principais fiadores da paz social. É isso ou a banalização do exercício da cidadania como evento espetacular de mídia, transformando a indignação em consumo e pasteurizando as utopias.

Candidatos.can
Desde sexta-feira os candidatos às eleições municipais têm direito a fazer propaganda pela Internet através do domínio “.can.br”. A autorização para a criação do domínio foi dada pelo Comitê Gestor da Internet Brasil. O endereço eletrônico a ser utilizado pelos candidatos será: www.nomedocandidato.númerodocandidato.can.br.  O candidato interessado no uso do domínio deverá providenciar o cadastro no “registro.br”, comunicando o deferimento ao Juiz Eleitoral da zona onde ele pediu registro da candidatura, indicando o endereço eletrônico adotado. O registro do domínio é isento de taxas.

Corporativismo
O anúncio da UOL sobre as supostas vantagens do seu provedor irritou os economistas de São Paulo. No anúncio, um dos personagens que resiste a assinar o provedor da UOL argumenta que “sabe o que está falando por ser economista”. Em carta enviada ao presidente da UOL no Brasil, Luis Frias, o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), o Sideval e a Ordem dos Economistas qualificam o comercial de “depreciativo” e lembram em sua defesa que o presidente do BC, Armínio Fraga, foi eleito “justificadamente” o “Economista do Ano de 1999”. Com apoios como esse, ainda vai ter internauta dando razão ao UOL.

Canelada
A submissão à globalização de mão única tem profundas raízes culturais, como se depreende da declaração do presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, a propósito da troca da Umbro pela Nike como fornecedora do material esportivo do clube: “Ficaremos mais populares com essa mudança”, garantiu Edmundo, talvez esquecido de que dirige o clube mais popular do país.

Lição
A Telefônica, operadora de telefonia fixa de São Paulo, foi condenada, pela 7ª Vara Cível daquele estado, a pagar indenização de R$ 1 mil por danos morais causados a uma usuária pelo corte dos serviços durante um mês. O corte ocorreu porque a usuária não pagou a conta dos serviços da empresa. No entanto, mesmo após pagamento, a linha não foi religada imediatamente, o que deu margem a ação judicial. Segundo a revista Consultor Jurídico, o advogado Werner Armstrong de Freitas, que representou a cliente, afirmou que o valor da indenização deveria ser maior pois “as empresas multinacionais que prestam serviços no Brasil devem ver que aqui não é terra de ninguém”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorCaminho
Próximo artigoBoca maldita

Artigos Relacionados

Falta de servidores traz prejuízo, inclusive financeiro

Fila de segurados no INSS vai engrossar precatórios em R$ 11 bilhões.

Desmonte do Estado se dá pelas beiradas

Miçangas e espelhos empurram reformas administrativas nos municípios.

O que vale pros precatórios vale pra dívida interna?

Se calotes são defensáveis, poderiam ser estendidos para os títulos públicos.

Últimas Notícias

Distribuição comercial: quais cláusulas e condições mais importantes?

Por Marina Rossit Timm e Letícia Fontes Lage.

Mercado corre do risco em momento de estresse

Se tem uma coisa que o mercado é previsível é com relação ao seu comportamento em momentos de estresse é aversão ao risco. “Nessa...

Petrobras: mais prazo de inscrição no novo Marco Legal das Startups

Interessados em participar do primeiro edital da Petrobras baseado no novo Marco Legal das Startups (MSL) poderão inscrever-se até o dia 12 de dezembro....

Canal oficial para investidor pessoa física na B3

A partir desta sexta-feira, a nova área logada do investidor da B3, lançada em junho, passa a ser o canal que centraliza todas as...

Fitch Ratings atualiza metodologia de Rating de Seguros

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, publicou nesta sexta-feira relatório de atualização de sua Metodologia de Rating de Seguros. Segundo a agência,...