Batchmann Sarney

     
          A inconsistência dos políticos estadunidenses, mas não apenas dos republicanos, tem sua versão mais emblemática nos representantes da seita Tea Party. Michele Batchmann, apresentada pela imprensa estadunidense e, et por cause, replicada pela mídia tupiniquim, como estrela ascendente da política dos Estados Unidos, não teve tempo de validade maior do que o Roseana Sarney em sua aventura pré-presidencial. No caso de Batchmann, seu “caso Lunus” foi mais direto: falta de votos já no microcolégio eleitoral de Yowa.

Só para ricos
Uma brasileira que mora na Europa e aproveitou a virada do ano para vir visitar o Brasil ficou espantada com os preços daqui. Diz ela que um almoço num restaurante em região turística de Roma, por exemplo, sai por uns 20 euros (cerca de R$ 50), valor impensável para uma refeição no Leblon ou nos Jardins.

A pé
Comenta a brasileira que Rio ou São Paulo estão mais caras do que qualquer cidade européia, exceção de Londres e Paris. O transporte público é quase um assalto. Uma passagem de ônibus no Rio de Janeiro vale R$ 2,75; em São Paulo, R$ 3 (dá direito a quatro viagens, durante três horas). Um trabalhador que usa apenas uma condução gasta R$ 121 no Rio e R$ 132 em São Paulo (ida e volta). Se morar na região metropolitana do Rio e tiver de comprar o Bilhete Único (R$ 4,95, duas conduções), gastaria a bagatela de R$ 217,80. Em Roma, um passe mensal, com direito a pegar quantas conduções quiser, a qualquer horário, custa o equivalente a R$ 75.

PPC
O único item em que o Brasil ainda é um pouco mais barato é o aluguel de apartamento. Mesmo assim, do jeito que a bolha imobiliária infla, por pouco tempo. Alguns serviços também são mais caros lá, por conta dos melhores salários. O que mostra um lado mais grave, lembra a brasileira, que cursa doutorado em Economia: a diferença entre o poder aquisitivo aqui e na Europa.

Fora das bolsas
Os investimentos em ações devem perder seis pontos percentuais na próxima década, de acordo com estudo divulgado pela empresa de consultoria McKinsey em dezembro (The emerging equity gap: Growth and stability in the new investor landscape). A parcela dos ativos investida em ações deve cair de 28% para 22%. Outra aposta do estudo é de que o montante dos ativos mundiais deve passar de US$ 198 trilhões para US$ 371 trilhões. A McKinsey confirma ainda o aumento na participação dos países emergentes nessa total.

Os marcianos
Um historiador de outro planeta que tentasse informar-se sobre a crise global apenas acompanhando as primárias que escolhem o candidato republicano a presidente dos Estados Unidos sairia com a convicção de aquela é página virada. Ao mesmo tempo, pelo nível das preocupações políticas dos pretendentes, teria, não somente, noção da estatura dos candidatos, como das razões, inclusive culturais, que levaram os EUA à decadência.

Mina
Um leitor desta coluna faz reparos aos cálculos aqui publicados sobre o presente de Papai Noel que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, deu à Lamsa S/A, concessionária da Linha Amarela. O ganho real, acima do IPCA-E (índice utilizado para revisão das tarifas de pedágio), será de 2,32% por ano, não os 3,4% calculados. Mas, como esse sobrepreço está garantido pelo exótico contrato de ampliação da concessão para 2012 e para os próximos três anos, a Lamsa vai faturar nos 15 anos de concessão R$ 148 milhões além do que já arrecada com pedágio – do qual arranca espantosa margem de lucro de 20%.

Maquiagem
Ditabranda na gramática da Folha de S, Paulo, em vez de ditadura; regime militar para o governo Piñera no Chile, em lugar de ditadura militar. Definitivamente, os delírios totalitários do passado continuam a assombrar as direitas da América Latina nos pós-ditaduras.
     
     

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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