BB Seguridade (BBSE3): resultado do 3T25, dinâmicas e perspectivas

Segundo Ilan Arbetman, a BB Seguridade teve um resultado sólido, mas os seus acionistas devem se preparar para um 2026 mais morno que 2025.

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Ilan Albertman (foto divulgação Ativa)
Ilan Albertman (foto divulgação Ativa)

Conversamos sobre o resultado do 3T25 da BB Seguridade com Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos.

Qual a sua avaliação sobre o resultado do 3T25 da BB Seguridade?

A BB Seguridade teve um resultado sólido, ajudado pela maior Selic no período. Isso porque, como a operação de seguros carrega o valor dos prêmios dos segurados, quanto maior a taxa de juros, maior o ganho com esse carregamento, o que fez com que o resultado financeiro viesse muito forte em todas as operações e a companhia tivesse números muito sólidos. Essa natureza das operações de seguro, que faz com que elas tenham um forte top line, mesmo em cenários de juro alto, é o motivo pelo qual os papeis do setor são sempre buscados por investidores.

Na parte de seguros, quando olhamos para o racional, a operação está em um momento mais fraco na emissão de prêmios de seguro rural por conta do problema que o Banco do Brasil está tendo em relação ao agro ao longo dos últimos meses. Houve uma recuperação no 3T25 em relação ao 2T25, mas é fato que está acontecendo um volume menor de emissão de prêmios. Contudo, é importante destacar que a BB Seguridade não fica com o risco de crédito das operações, já que esse risco fica com quem deu a operação, nesse caso, o Banco do Brasil.

O ponto é que a emissão mais baixa de prêmios contrata para a frente uma maior fraqueza do top line, pois, normalmente, uma operação tem um prazo de 24, 36 meses, e quando você deixa de fazer a operação no dzero, a seguradora fica sem receber o prêmio do seguro de forma parcelada ao longo dos próximos anos.

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Na parte de previdência, nós vimos um número muito baixo por conta do anúncio do IOF nas captações de VGBL. Sendo mais preciso, houve uma captação líquida negativa, tanto que no call de resultados, os diretores disseram que boa parte dos que saíram dos produtos de previdência buscaram crédito privado por fora, mas isso é outra discussão. Como essa questão regulatória tem pesado no volume de captação líquida da previdência, isso pesou um pouco no balanço.

Se por um lado os maiores pisos ficaram na Brasil Seg e na Brasilprev, a BB Corretora e a BB Cap tiveram ventos mais tranquilos no 3T25.

Onde a BB Seguridade faz o seu resultado?

Em todas as linhas de negócio, mas em termos de volume, a Brasilseg, a Brasilprev e a BB Corretora são as três principais fontes de receita para a casa.

Qual a importância da BB Seguridade para o resultado do BB?

Não há um valor exato, mas eu posso dizer que ela é responsável por cerca de 1/5 do resultado do BB. Cabe destacar que, assim como no BB, a parte de seguros também é muito forte nos outros bancos, pois existe uma grande sinergia de seguros com o setor bancário, tanto que a BB Seguridade está para o Banco do Brasil assim como a Bradesco Seguros está para o Bradesco e a operação de seguros do Itaú está para o banco. Esse elo dialoga muito com o conceito de principalidade que tem sido buscado pelos bancos, fundamental para que eles possam oferecer aos seus clientes todo um rol de produtos de uma seguradora.

Vale ressaltar que esse share pode ser maior caso a BB Seguridade tenha um resultado maior, mas independente da conjuntura, essa importância não pode ser vista apenas do ponto de vista financeiro, pois do ponto de vista estratégico, a operação de seguros é fundamental para o guarda-chuva de um banco.

O que vale mais a pena: comprar ações da BB Seguridade ou do BB?

Por mais que sejam operações diferentes, as duas operações possuem muita sinergia pelo questão de nome e proximidade, mas enquanto a operação de seguros é muito estável por ter uma forte geração de caixa e uma previsibilidade de receitas muito grande, o que possibilita um grande pagamento de proventos, a operação de um banco é mais desafiadora, já que ela possui um maior viés macro, o que faz com que seja necessário ter métricas para determinar a exposição correta ao risco de crédito, e uma ciclicidade maior. A operação de seguros também é cíclica, mas ela fornece mais defensividade que a operação de um banco.

Agora, independente de qual seja o papel, é preciso que o investidor faça as diligências e as tratativas necessárias, pois não existe uma bala de prata para essa questão, ou seja, não se trata de seguro ser melhor que banco ou de banco ser melhor que seguro. São duas operações distintas, mas que possuem muita sinergia entre si. Você pode pensar na operação de seguro como um hedge natural, pois quando os juros aumentam, isso pode ser bom para o resultado financeiro, enquanto para um banco, a inadimplência e o risco de crédito ficam sempre complicados.

Como cada operação é um prato diferente, com seus vícios e suas virtudes, cabe ao investidor analisar tanto a parte macro quanto a parte micro das empresas antes de decidir onde investir.

Qual a sua avaliação sobre o valor e o desempenho das ações da BB Seguridade?

Em termos de valuation para a frente, é fundamental que a parceria com o Banco do Brasil seja renovada, pois ele é o principal canal de venda da BB Seguridade. Existe esforços para que se venda em outras plataformas, tanto online, quanto venda direta, mas o foco sempre foi na capilaridade do Banco do Brasil, pois a força do banco no agro é fundamental para os resultados da BB Seguridade. Contudo, como alguns analistas não estão projetando os ganhos para a frente devido a questão do valuation e dos acordos que vão vencer, ter uma noção sobre uma eventual renúncia da parceria seria muito importante.

Independente disso, eu sou fã do setor e a BB Seguridade é um dos seus maiores players. Para quem busca previsibilidade e recorrência de fluxo de caixa, o setor de seguros e a BB Seguridade podem ser um bom match. Nós temos essa papel na nossa carteira de dividendos e a minha recomendação é neutra, com preço alvo de R$ 39. 

Como você está vendo as perspectivas da BB Seguridade?

Para 2026, uma possível queda da Selic pode ter impacto negativo no resultado financeiro da companhia. O próprio management da BB Seguridade disse que, para cada ponto para baixo da Selic, são menos R$ 100 milhões no resultado anual. Além disso, nós temos os ventos contrários na Brasil Seg e na Brasil Prev.

Nós vamos continuar vendo uma empresa sólida e forte, fazendo o que tem que ser feito, e dando passos nas conversas com o Banco do Brasil sobre a renovação da parceria, mas, em termos de resultado, a tendência é que tenhamos um 2026 mais morno que 2025.

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