BB também aumentará suas tarifas

Mercado Financeiro / 19:48 - 11 de ago de 2016

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COMPENSAR PERDAS E REDUZIR PROVISÕES PARA INADIMPLÊNCIA

Lucro líquido do banco recuou 18% no segundo trimestre

As ações do Banco do Brasil subiram forte nesta quinta-feira, após o banco ter dado indicações de que vai seguir o movimento dos rivais privados para ampliar a rentabilidade e reduzir provisões para inadimplência, mesmo após divulgar resultado trimestral fraco. Durante encontro com jornalistas, Paulo Cafarelli, presidente-executivo da instituição, disse que o banco retomará um nível de rentabilidade compatível com o dos pares privados, explicando que isso será obtido por maior participação das tarifas na composição das receitas, maior controle de custos e redução dos níveis de inadimplência.

Para Caffarelli, tanto o aumento da inadimplência quanto das provisões tiveram impacto de um caso corporativo específico que não deve se repetir nos próximos trimestres, especialmente porque o banco tem sido mais conservador na política de provisionamentos.

Embora o BB tenha evitado apontar nomes de empresas, analistas citaram como prováveis responsáveis pela alta da inadimplência a afretadora de sondas para exploração de petróleo Sete Brasil e a operadora de telecomunicações Oi, que pediram recuperação judicial nos últimos meses.

A inadimplência, considerando os atrasos acima de 90 dias, subiu para 3,27% ao final de junho contra indicador de 2,60% em março. O banco informa que, se desconsiderado um caso específico no setor de óleo e gás, o índice teria sido de 2,85%. Então, apesar de Paulo Cafarelli não citar, esse foi o caso da Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial no final do mês passado e o banco concedeu mais de US$ 1 bilhão (R$ 3,7 bilhões) à companhia.

Banco Postal x Exterior

Caffarelli disse também que o banco tem interesse em renovar um acordo com os Correios para operar o correspondente bancário Banco Postal. O contrato vence neste ano e o banco quer renová-lo com condições mais favoráveis para si.

O executivo afirmou que o BB não planeja se desfazer de mais ativos por enquanto, além do já anunciado plano de vender participação no argentino Banco Patagonia. Não tem mais nada na prancheta agora, disse. Dado o foco em rentabilizar a operação do banco no país, o BB não deve fazer movimentos de expansão internacional por enquanto, disse.

Resultado

O Banco do Brasil registrou no segundo trimestre lucro líquido de R$ 2,465 bilhões, inferior em 18% em relação ao mesmo período de 2015. Na base ajustada, o lucro do maior banco do país em ativos somou R$ 1,8 bilhão no período, queda de 40,8% sobre o segundo trimestre de 2015. A remuneração aos acionistas atingiu R$ 764,5 milhões no trimestre e R$ 1,4 bilhão no semestre.

As rendas com tarifas do Banco do Brasil totalizaram R$ 6,06 bilhões no segundo trimestre, com aumento de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. No comparativo trimestral, esses ganhos cresceram 9,1%. De abril a junho, o impulso para a expansão das receitas veio, principalmente, de rendas com o mercado de capitais com avanço de 81,7% ante um ano, Tesouro Nacional e administração de fundos oficiais (aumento de 28,7%), conta corrente (elevação de 22,6%) e cartões (alta de 21,3%). No trimestre, motivaram os ganhos mercado de capitais, seguros, tesouro nacional e administração de fundos oficiais, entre outros.

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