BC ameaça economia se reduzir ritmo da queda dos juros

Analistas não alteram projeção da Selic para 2024 mesmo com ata do Copom do BC falando de redução no ritmo dos cortes

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reunião do copom
Reunião do Copom (foto Raphael Ribeiro, BCB)

A incerteza sobre a inflação nos serviços, a resistência da atividade econômica e um mercado de trabalho com aumentos salariais foram as alegações do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para ameaçar reduzir o ritmo da queda dos juros, o que afetaria a recuperação da economia.

A avaliação consta da ata da reunião realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros Selic foi reduzida em 0,5 ponto percentual (pp) para 10,75% ao ano. Com base nessas preocupações, os membros do Copom discutiram a possibilidade de desacelerar o ritmo dos cortes, passando de 0,5pp para 0,25pp.

A ata do Copom antecipa uma redução de meio ponto percentual apenas para a próxima reunião, diferentemente da ata anterior que indicava um processo mais longo de flexibilização da taxa de juros.

Sergio Goldenstein (foto Warren)
Sergio Goldenstein (foto Warren)

Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Investimentos, confirma que o principal destaque da ata do Copom de março é a explicitação de que o cenário de maior incerteza quanto ao processo desinflacionário local e global requer maior flexibilidade para a condução da política monetária.

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“Cabe ressaltar que fica claro que isso não representa uma indicação de desaceleração do ritmo de ajuste, apesar de alguns membros terem argumentado que, caso a incerteza prospectiva permaneça elevada, pode ser apropriado um ritmo mais lento”, salienta Goldenstein.

A avaliação da Área de Estratégia da Warren é de que a ata foi mais dura, apontando diversos sinais amarelos, em particular o comportamento da inflação nos EUA e, internamente, a dinâmica da inflação de serviços, a permanência da desancoragem das expectativas e a evolução da atividade, do mercado de trabalho e do hiato do produto.

Apesar da ata, a Warren segue “com o call de Selic de 9% ao fim do ciclo. A taxa básica de juros ainda está em patamar bem contracionista, e a projeção de inflação do BC para o ano de 2025 (foco da política monetária e que já incorpora uma Selic de 9% em 2024 e de 8,5% em 2025) está apenas ligeiramente acima da meta. Acreditamos que ocorrerão mais 2 cortes de 0,5pp (…), com o ritmo caindo para 0,25pp (mais 3 cortes) após a Selic chegar ao patamar de 1 dígito em 9,75%. O nosso cenário alternativo é de uma Selic terminal de 9,50%, caso a inflação de serviços continue apresentando surpresas altistas.”

André Meirelles (foto InvestSmart XP)
André Meirelles (foto InvestSmart XP)

André Meirelles, diretor de Alocação e Distribuição da InvestSmart XP, lembrou que, logo após a divulgação da ata, tivemos o IPCA-15 (prévia da inflação oficial), que avançou 0,36% em março, acima dos 0,30% esperados pelo mercado. “A média do núcleo da inflação avançou 0,21%, em linha com as estimativas. Porém, os serviços subjacentes avançaram 0,4% no mês, levemente acima da projeção, e a média móvel de 3 meses avançou para 5,9% em março, frente a 5,6% em fevereiro”, destacou Meirelles.

“A dinâmica da inflação de serviços, favorece um tom mais cauteloso para política monetária, o que contribuiu para o avanço dos juros em todos os vértices, com destaque para o DIF27”, enfatizou o diretor da InvestSmart XP.

O Banco Central projetou nesta terça-feira uma inflação de 3,75% no final de 2024 e de 3,51% para 2025, em ambos os casos dentro da meta oficial (3%, com margem de tolerância de 1,5pp para cima ou para baixo).

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