BC: Divergência no Copom é exemplo de transparência

Campos Neto acenou que haverá subida dos juros em março.

Durante webinar nesta quinta-feira, promovida pelo J.P.Morgan, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, tentou explicar que as divergências ocorridas entre diretores na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) são um sinal de transparência, não de política monetária.

O Copom manteve a Selic aos 2% ao ano na última reunião, de janeiro. Mas retirou o forward guidance (orientação futura) e abriu espaço para a alta dos juros nas próximas reuniões.

Lembrando que a última ata do Copom mostrou que há pontos de discordância no colegiado sobre a retomada da alta dos juros.
Alguns membros questionaram se ainda seria adequado manter o grau de estímulo extraordinariamente elevado – taxa Selic baixa, em 2% ao ano –, frente à normalização do funcionamento da economia observada nos últimos meses”, lê-se no comunicado. “Esses membros julgam que o Copom deveria considerar o início de um processo de normalização parcial (subir os juros), reduzindo o grau ‘extraordinário’ dos estímulos monetários”. A Selic baixa permite a cobrança de juros bancários mais baixos, o que, por sua vez, dá incentivos para o acesso ao crédito.

Para Campos Neto, a divergência na diretoria foi uma forma de aumentar a transparência do colegiado. Não era um sinal de como será a decisão sobre a taxa básica de juros. Segundo ele, parte do mercado fez uma interpretação equivocada sobre uma eventual alta da Selic na última reunião do Copom “Acho que algumas pessoas interpretaram erradamente, como sendo janeiro, e não em março”, declarou.

Transparência

“Uma coisa que dissemos desde que começamos é que queríamos ser mais transparentes. Explicar mais o que debatemos. Quando se está fora, e olha-se para a forma como alguns Bancos Centrais se comunicam, parece que há um consenso constante em quase tudo. Isso nunca acontece. Quando se coloca 5 economistas em uma sala, é provável que eles não cheguem ao consenso em nada”, citou Campos Neto.

O presidente do BC também se posicionou sobre o auxílio emergencial. Ele afirmou que ainda

tenta entender os impactos do auxílio emergencial e da alta nos preços das commodities. O fato é que os 2 fatores contribuem para a alta dos preços dos alimentos, que impactaram a inflação em 2020. Campos Neto comentou que houve uma desaceleração nos preços em janeiro, conforme o último IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Em relação a continuidade do auxílio emergencial, Campos Neto foi enfático: “Não é papel do BC tratar da política fiscal, mas não é possível expandir gastos sem contrapartidas, que seriam a aprovação das reformas que criam a convergência da dívida para patamares mais baixos”.

Sobre a pandemia no Brasil e globalmente, ele disse que o processo de vacinação no mundo está acelerado, com os Estados Unidos imunizando 1 milhão de pessoas por dia.

Leia mais:

Autonomia: Objetivo é separar o ciclo político de política monetária

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