BC na contramão

“Um novo aumento da Selic, seja qual for a proporção, é absolutamente desnecessário nesse momento, essencialmente se considerados os movimentos de arrefecimento inflacionário dos últimos meses e a desaceleração de consumo no mercado brasileiro”. A avaliação é da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).
A entidade defende justamente o oposto do Banco Central: baseada em gráficos do IPCA e do INPC – ambos seguem trajetória de queda – diz que a política monetária do país deveria reduzir a taxa de juros. “Como essa sugestão parece algo impossível de ser compreendido pelo BC, que pelo menos se mantenham os juros atuais, já extremamente elevados”, analisa Fabio Pina, assessor econômico da Fecomercio.

Estrago
Fábio Pina observa – concordando com esta coluna – que alterações na Selic costumam levar de quatro a oito meses para impactar na economia real. “O processo de aperto monetário iniciado em abril ainda nem gerou efeitos expressivos na economia real, embora tenha provocado efeito psicológico muito forte no consumidor, que passou a demandar menos produtos”, pondera. Some-se a isso o fim de incentivos tributários para os bens de alto valor agregado, em especial, automóveis.

Pai herói
O vinho aparece pela primeira vez na lista dos principais produtos a serem presenteados no Dia dos Pais. Junto com roupas, calçados, jóias e relógios, celular, perfumes, carteiras, óculos e eletro-eletrônicos, compõem o time que deve elevar as vendas do comércio varejista carioca em 10% este ano, comparado a 2009. Esta é a expectativa dos 500 empresários entrevistados pelo Clube de Diretores Lojistas (CDL-Rio).
A maioria estima que o preço médio dos presentes por pessoa deve ser de cerca de R$ 100 e que os clientes deverão utilizar o cartão de crédito parcelado como forma de pagamento, seguido do cheque pré-datado, dinheiro, cartão de débito e crediário.
A pesquisa mostra também que as esposas (64,4%) são as que mais compram presentes para os pais; filhos (33,3%) e netos (2,3%) vêm depois.

Doentes
Os servidores da saúde do Rio de Janeiro realizarão um grande “panelaço” nesta quarta-feira, em frente ao Palácio Guanabara, para denunciar “as políticas do Governo Cabral Filho de sucateamento, privatização e militarização dos serviços públicos”.

Lulismo
A emergência do lulismo no mesmo instante em que os movimentos sociais surgidos nos anos 1980 caminhava para sua institucionalização, alterando, na prática, o ideário anti-institucionalista que os caracterizava são os temas principais de Lulismo: da Era dos Movimentos Sociais à Ascensão da Nova Classe Média Brasileira (Editora Contraponto/Fundação Astrojildo Pereira), que Rudá Ricci está lançando.
O lulismo gerou e se alimenta da emergência da nova classe média brasileira. Programas de transferência de renda associados ao aumento do valor do salário mínimo geraram este novo “milagre brasileiro”. Lula fala para esta nova classe média, antes excluída da sociedade de consumo. Segundo Rudá, são pessoas pragmáticas, não afetos a teorias ou ideologias, descrentes da política..

Peixe e a vara de pescar
O sociólogo Rudá Ricci, membro da coordenação nacional do Fórum Brasil do Orçamento, foi assessor nacional da CUT e coordenou a elaboração do programa agrário na campanha presidencial de Lula, em 1989. Dedica-se à implantação de metodologias de monitoramento em políticas públicas, educação para a cidadania e gestão participativa. É diretor geral do Instituto Cultiva (www.tvcultiva.com.br).
Rudá será um dos palestrantes do seminário Crescimento Econômico e Justiça Social, que a Fundação ARO realiza na próxima segunda-feira. Na mesa “O peixe e a vara de pescar”, terá a companhia da economista Beatriz David e do jornalista J. Carlos de Assis. O seminário, que conta com apoio deste MM, tem patrocínio de Petrobras, Estaleiro Atlântico Sul e Cedae.

Avanço para o lado?
“É um livro que imediatamente se torna referencial”, analisa o sociólogo e professor da UFRGS Zander Navarro, que acrescenta: “Mas a inquietante pergunta permanece: avançamos ou apenas experimentamos um novo transformismo, tudo mudando para permanecer onde sempre estivemos?”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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