BC reduz ritmo de queda de juros e torra 7x valor da prevenção de desastres

Copom do BC corta taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Impacto na dívida equivale e 7x valor de prevenção de desastres do PAC

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Roberto Campos Neto
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (Foto: ABr)

O voto do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi decisivo para o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa de juros básica Selic em apenas 0,25 ponto percentual (pp), para 10,5% ao ano, em vez do 0,5pp praticado nas reuniões anteriores. A votação ficou em 5×4. A redução no ritmo de corte encarece a dívida pública. Segundo o BC, a diminuição da taxa Selic em 1pp reduz a Dívida Líquida do Setor Público em R$ 48,9 bilhões. Se o corte continuasse em 0,5pp, a dívida teria um impacto de cerca de R$ 24,5 bilhões. Ao cortar só 0,25pp, o BC torra R$ 12,2 bilhões por ano. O valor equivale a 7 vezes o montante liberado pelo presidente Lula nesta quarta-feira para a prevenção de desastres no PAC Seleções.

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) considera que a redução da velocidade de corte da taxa Selic é decisão inadequada. “Dados recentes mostram que o processo de desinflação segue em curso, com a inflação cheia ao consumidor dentro da margem de tolerância da meta. Ademais, a manutenção da taxa de juros em níveis elevados tem afetado a confiança dos empresários na economia brasileira, prejudicando o investimento, essencial para o crescimento econômico sustentável”, atestou a entidade em nota.

Para a Força Sindical, a queda de apenas 0,25pp é “um verdadeiro prêmio aos especuladores” e uma “extorsão para os brasileiros e o setor produtivo”.

“Mais uma vez o Copom frustra os trabalhadores e se curva aos especuladores. Tragicamente, também em nosso país estamos reféns dos poderosíssimos interesses dos rentistas”, critica a nota da Força. “Os juros continuam proibitivos, e o Brasil perde outra chance de apostar na produção, consumo e geração de empregos.”

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O comunicado do BC atribui a decisão ao cenário externo, “em função da incerteza elevada e persistente referente ao início da flexibilização de política monetária nos Estados Unidos e à velocidade com que se observará a queda da inflação de forma sustentada em diversos países”.

Apesar das projeções de baixa da inflação em 2024 e 2025, o Copom reforçou, “com especial ênfase, que a extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.

“A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação desancoradas e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária”, acredita o Copom.

Votaram por uma redução de 0,25pp: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Otávio Ribeiro Damaso e Renato Dias de Brito Gomes. Votaram por uma redução de 0,5pp: Ailton de Aquino Santos, Gabriel Muricca Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

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