BCE considera afastados os riscos de deflação

Comentários derrubaram as bolsas europeias e impulsionaram o ouro.

Acredite se Puder / 17:59 - 10 de set de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, nesta quinta-feira reafirmou que não existem riscos de deflação e deu ênfase ao fato de que até diminuíram em setembro. Adiantou que o BCE acompanha a apreciação do euro, não porque tenha qualquer objetivo nesta matéria, mas porque reconhece que a pressão negativa que se verifica nos preços é consequência da apreciação da moeda. Como os técnicos do BCE reviram em alta a projeção para o PIB da Zona Euro este ano, a recessão deverá ser menor do que o antecipado em junho, esperando-se agora uma contração de 8% no conjunto dos países da moeda única, contra os anteriores 8,7%. Christine acentua que a incerteza é muito elevada e a recuperação da economia está dependente da evolução da pandemia de covid-19.

Para a presidente do BCE a atividade da indústria continua a melhorar, mas o ímpeto no setor dos serviços abrandou, por causa do aumento das infeções durante o verão, que deverão estar na origem da quebra dos mais recentes indicadores nos serviços, admitindo que a forte incerteza prejudicará a recuperação do mercado de trabalho. Adiantou que os dados para o terceiro trimestre dão conta de uma “recuperação notável”, tanto na indústria, como nos serviços. Neste contexto, os estímulos amplos continuam necessários para proteger a economia e a inflação, garantindo os niveis atuais das taxas do juros, bem como os programas de compras de ativos em vigor. Esses comentários de Christine derrubaram as bolsas europeias e impulsionaram o ouro.

 

Ganância do GPA faz sentido para Itaú BBA

O “vírus” que ataca os analistas foi detectado no Itaú BBA, onde a infecção fez seus técnicos estabelecerem um potencial de alta de 88% para as ações do GPA, estabelecendo um preço-alvo de R$ 95 para 2021. Em relatório, o Itaú BBA afirmou que a iniciativa do grupo “faz sentido” porque tem como objetivo refletir o valor dos diferentes ativos do grupo de forma individual. Caramba, parece que a infecção é muito braba, pois em relatório acham que o Assaí deve valer R$ 27 bilhões, podendo chegar a R$ 31 bilhões após a inclusão do Êxito, Cnova e Multivarejo, mas tem de ser excluída a dívida líquida, só que não dizem para onde vai. Outra aberração é considerar boa uma relação preço/lucro de 22,5 vezes (ou seja, recuperação em 22,5 anos só com os dividendos) e margem líquida de 3,4% em 2021.

O engraçado é que para os analistas do Credit Suisse, “se considerarmos os múltiplos dos concorrentes de atacarejo, a divisão sozinha valeria R$ 17 bilhões”, o que representa todo o valor de mercado do GPA.

 

O ‘day after’ do GPA

Entre os relatórios publicados sobre o IPO do Assaí, o mais consciente foi o do Banco Safra, por levantar mais dúvidas sobre o futuro do Grupo Pão de Açúcar, depois dessa operação dentro do cenário complicado do varejo no Brasil. Os analistas da instituição acham que o Assaí só vale R$ 16,6 bilhões. A conversão das unidades do Extra em Assaí era uma das estratégias para mitigar o mau desempenho da bandeira de hipermercados. Uma vez que tiver que se sustentar sozinho, o Extra gerará o retorno esperado? E o que será da bandeira Pão de Açúcar?

Nas palavras do Safra, “como uma operação isolada, os ativos de varejo do GPA serão postos sob os holofotes”. Ficará muito mais claro, por exemplo, como o desempenho sofrível do Extra, nos últimos trimestres, destrói valor para os acionistas.“A principal questão que permanece é se o acionista controlador, Casino, colocará à venda a bandeira premium de supermercados Pão de Açúcar e as operações do Exito fora do Brasil, encerrará ou colocará à disposição a mais problemática bandeira Extra.”

 

IPO da Petz foi bem esquisito

A Petz concluiu a mais esquisita oferta inicial de ações. O IPO proporcionou a captação de R$ 3,03 bilhões para uma empresa que apresentava raquíticos resultados e possibilitou que o fundo de private equity norte-americano Warburg Pincus deixe o controle da companhia para ser um sócio minoritário, com apenas 5% do capital. A Petz possui uma rede de 106 lojas, mas quase todas são de franqueados. A ação da companhia ficou em R$ 13,75, ante uma faixa indicativa de preço para o IPO que ia de R$ 12,25 e R$ 15,25. Caramba, como uma empresa fraca teve uma captação secundária de R$ 2,96 bilhões?

O importante é que Sergio Zimermamm, voltou a ser o maior acionista da empresa, com 35%. No podcast “De zero ao topo”, da Infomoney, mas quem assistir vai ficar confuso quanto a carreira de sucesso do empresário que, antes de montar a Petz, teve uma empresa de animação de festas infantis, depois uma adega que evolui para um mercado e depois para uma rede atacadista, que chegou a ter mais de 600 funcionários e faturamento de R$ 15 milhões por mês. Mas uma crise econômica aliada à falta de conhecimento de Zimerman para gerir os negócios fizeram a empresa quebrar. “Aprendi muita coisa na falência”. Com essa experiência, voltará a tomar conta da Petz.

 

Volta aos escritórios

O JP Morgan mandou os funcionários retornarem aos escritórios. Ficarão em home office apenas as funcionárias com filhos em idade de creche e os portadores de doenças que os tornem vulneráveis à pandemia.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor