Beirute: prejuízo pode chegar a US$ 15 bi

Quase 150 mortes, mais de 5 mil feridos, desaparecidos e 300 mil desabrigados

Internacional / 22:31 - 5 de ago de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Equipes de resgate do Líbano continuam vasculhando os escombros em busca de sobreviventes da grande explosão que destruiu parte da capital Beirute. Ao longo desta quarta-feira pelo menos 135 pessoas foram encontradas mortas, mais de 5 mil ficaram feridas, centenas estão desaparecidas e cerca de 300 mil estão desabrigadas, segundo o Ministério da Saúde do país.

O governador de Beirute disse à emissora Al Hadath TV, nesta quarta-feira, que as perdas coletivas após a explosão ocorrida na capital libanesa na véspera podem ser de 10 bilhões de dólares a 15 bilhões de dólares, incluindo prejuízos diretos e indiretos relacionadas a negócios.

O Líbano viveu uma tragédia nesta terça-feira (4). Eram seis da tarde no país quando uma série de pequenas explosões, seguidas de uma grande explosão, incendiaram o porto da capital, Beirute.

No momento em que o país encontra-se no processo de combate à Covid-19, Pelo menos três hospitais foram danificados e pacientes precisaram ser transferidos. Há notícias de que enfermeiras morreram em serviço. Toda a infraestrutura portuária foi destruída e é por ali que o país recebe, armazena e exporta a grande maioria de seus produtos, como grãos, gás, medicamentos. Um grande galpão com toneladas de grãos foi totalmente destruído.

O governador da região metropolitana de Beirute, Marwan Abboud, anunciou que o governo está trabalhando para prover água, comida e abrigo para os desalojados. O primeiro-ministro, Hassan Diab, convocou um dia de orações e o presidente do país, Michel Aoun, convocou a reunião de um gabinete de crise para esta quarta e pode declarar estado de emergência por duas semanas.

Os países do golfo foram os primeiros a se solidarizar e o Catar enviou hospitais de campanha para aliviar um sistema hospitalar já sobrecarregado anteriormente. Austrália, que ajudou com 2 milhões de dólares, Irã, Índia, e França também estão entre os primeiros a prestar solidariedade, com envio de suprimentos médico-hospitalares e recursos financeiros.

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que viajará a Beirute acompanhado de especialistas em resgate e ajuda humanitária. Também a União Europeia vai enviar especialistas em incêndios e soterramentos, com veículos, cães e equipamentos para localização de vítimas soterradas.

As causas da explosão ainda não estão esclarecidas. A princípio houve comentários sobre um depósito de fogos de artifício, mas investigações iniciais têm ligado a explosão a um estoque de 2.750 toneladas de nitrato de amônia (geralmente usado como fertilizante) confiscado e guardado em um galpão na região portuária há seis anos. Por decisão judicial, o material já deveria ter sido exportado ou removido. Há no país um burburinho de omissão e negligência das autoridades públicas quanto ao armazenamento desse material. Funcionários do porto serão colocados em prisão domiciliar até o fim das investigações. Segundo notícias da Reuters, serão detidos funcionários que trabalham no setor de armazenamento desde 2014.

 

EUA insistem em terrorismo

 

Países como EUA e Israel, não oficialmente, mas via imprensa, já plantaram notícias de que a explosão pode ter sido provocada pelo Hezbollah. A TV norte-americana Fox News, chegou ao absurdo de dar uma manchete dizendo que “Explosões em Beirute parecem acidentais, mas as atividades do Hezbollah no porto estão sob escrutínio – o porto é conhecido por estar sob controle não oficial do Hezbollah”.

Por sua vez, o grupo Hezbollah soltou uma nota dizendo que “a trágica catástrofe não tem precedentes e sua devastação tem sérias consequências em vários níveis e exigirá de todos os libaneses e das forças políticas e atores nacionais solidariedade, unidade e ação conjunta para superar os efeitos dessa provação cruel”.

Antes da explosão, o Líbano já vivia uma grave crise política, econômica e sanitária, com a pandemia do novo coronavírus. O final de 2019 e início de 2020 foram de grandes manifestações populares e troca de primeiro-ministro. Lembre-se que o poder no Líbano é dividido entre as principais religiões, sendo o presidente cristão maronita, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do parlamento muçulmano xiita.

A embaixada do Brasil em Beirute também sofreu as consequências da explosão. Apesar de estar distante do local da explosão, a cerca de 3 km, os vidros da embaixada foram destruídos, mas ninguém foi ferido, pois já não havia mais expediente no local. As casas dos diplomatas também foram atingidas. Segundo a coluna do Jamil Chade, a casa do diplomata brasileiro, Roberto Salone, sofreu danos severos e está destruída. Segundo os moradores, as janelas explodiram e as portas “voaram”. Em outra residência, mas de adido militar brasileiro, também houve danos nas janelas que chegaram a atingir a esposa do oficial, que foi atendida e passa bem.

 

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor