Bens arrestados de Isabel dos Santos complicam portugueses

Filha do ex-presidente angolano detém participações acionárias em diversas empresas de Portugal.

Acredite se Puder / 18:37 - 2 de jan de 2020

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A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários está acompanhando as implicações da decisão judicial de arresto de bens de Isabel dos Santos em Angola, decisão do Tribunal Provincial de Luanda, que decretou o bloqueio das contas bancárias pessoais da angolana, do marido, Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a empresária detém participações sociais. Em Portugal detém posições acionárias no setor de energia, Galp e Efacec, no de telecomunicações, NOS, e no bancário, EuroBic, setores que mais receberam recursos da filha do ex-ditador angolano, José Eduardo dos Santos.

Será que os controladores da Oi devem estar morrendo de satisfação, pois estão em guerra com Isabel dos Santos. No mês passado, surgiram as notícias de que a Sonangol pretende adquirir a participação de 25% na Unitel, através da subsidiária PT Ventures, mas os dirigentes não deixaram claro qual será a posição que tomarão em relação aos sete empréstimos feitos pela empresa angolana para a Unitel International Holdings e a Tokeyna. Que pertencem a empresária. Além disso, os acionistas brasileiros nada sabem sobre a conclusão do pagamento de dividendos retidos no valor de quase US$ 1 bilhão.

Os portugueses agora estão temerosos com os desdobramentos das trapalhadas da Isabel, que detém uma participação na NOS e, em 2014, tentou comprar a PT SGPS, atual Pharol, mas não conseguiu. A entrada no setor deu-se em 20 de dezembro de 2009, quando através da Kento Holding Limited, ficou com 10% da Zon Multimédia. Em maio de 2012, a Unitel International Holdings B.V. adquiriu 19,24% da operadora, no âmbito de movimentações que tinham como cenário uma possível fusão com a Optimus, da Sonaecom, do grupo Sonae. A Zap Midia detém 70% da Zap, operadora de televisão paga, sendo que os restantes 30% estão nas mãos da NOS. A Sonaecom e Isabel do Santos fizeram a fusão que deu origem a NOS, operadora controlada pela ZOPT, de que são acionistas a angolana e o grupo português liderado Cláudia Azevedo.

Na energia, a petrolífera angolana Sonangol detém uma participação indireta na Galp através da Amorim Energia. Isto porque a petrolífera angolana controla a Esperaza Holding, empresa que, conjuntamente com o grupo Amorim, detém a Amorim Energia, a qual é dona de 33,34% da Galp Energia. Amorim Energia tem como acionistas a Power, Oil & Gas (35%), Amorim Investimentos Energéticos (20%) e a Esperaza Holding BV (45%). Por sua vez, a Esperaza é detida em 60% pela Sonangol e 40% por Isabel dos Santos. No setor bancário, Isabel é a maior acionista do EuroBic, pois são suas a Santoro Financial Holding SGPS detém 25% e a FiniSantoro Holding Limited 17,5%,, o que significa 42,5% do capital, após ter comprado uma parte da posição que pertencia ao empresário Américo Amorim.

 

Em Portugal, as coisas são diferentes

Fundada em 1945, a Publicações Europa-América solicitou proteção contra os credores. E entre os primeiros de uma lista de 50 credores se encontra a família Lyons de Castro, que nada mais é que a fundadora e a dona da empresa. Os principais são o Estado português através do Instituto de Segurança Social, o banco Santander e a editora Gradiva. O faturamento dos últimos anos variou entre 600 mil e os 800 mil euros, mas foi insuficiente para cobrir as despesas. O passivo é da ordem de 638 mil euros.

 

Para evitar concorrência, B3 diminui tarifas

Com medo da nova bolsa brasileira, a B3 anunciou tarifas menores para investidores com grandes volumes de operações, além de custo zero na manutenção da conta de custódia. No mercado de balcão, a cobrança será de acordo com o tamanho do patrimônio líquido dos fundos.

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