Beth Goulart é atriz, cantora, escritora, diretora e dramaturga e titular da Academia Brasileira de Cultura. Faz parte de uma família de atores, incluindo seus saudosos pais Nicette Bruno e Paulo Goulart, sua avó Eleonor Bruno e seus irmãos Paulo Goulart Filho e Bárbara Bruno – uma verdadeira dinastia de artistas. Espiritualista, Beth define a influência dos pais sobre sua carreira: “Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, pode-se ser chamado e não saber como ir. Diria que fui uma semente depositada em campo fértil.” Dia 8, estreia a peça Simplesmente eu, Clarice Lispector, no Teatro Moise Safra, em São Paulo, depois de temporadas com casas cheias e de sucesso de crítica no Rio de Janeiro.
Clarice Lispector foi considerada pelo New York Times uma das dez escritoras mais importantes do mundo, e está sendo descoberta por muitos artistas e personalidades, muito além das nossas fronteiras. O mundo está descobrindo Clarice Lispector e ela está muito perto de nós, uma vez que a sua literatura fala do nosso cotidiano. Beth é apaixonada por Clarice, desde a sua adolescência, e segue admirando sua escrita mágica e misteriosa, e relendo todos os seus livros.
A atriz comenta: “O livro de suas entrevistas, por exemplo, no período em que foi jornalista, é incrível, é maravilhoso ler suas impressões sobre personalidades tão significativas da cultura do nosso país. Ela é única e muito especial. Fazer esse projeto é uma afirmação da minha própria criatividade, e da minha identificação com ela. Clarice me impulsionou a ser a autora que existia dentro de mim, olhar com mais atenção minhas ideias e assumir a dramaturgia com suas palavras foi um grande desafio. Clarice acreditou em meu voo, na minha liberdade de ser e criar, e, através desse meu olhar, pude falar de uma Clarice que existe dentro de mim e que também me representa como mulher – como criadora, como cidadã, como ser humano.”
Em 1983, Beth estudou canto com Pepê Castro Neves e canto lírico e leitura musical, com Luís Carlos Brito. Dois anos depois, estudou técnica com Peter Brook. Em 1989, com Kika Sampaio, estudou sapateado, dança com Ruth Rachou, Val Folly e canto lírico com Marga Nicolau. Durante muitos anos, foi bailarina clássica.
Em 1974, estreou na peça O Efeito dos Raios Gama Sobre as Margaridas do Campo, de Paul Zindel e direção de Antonio Abujamra, quando ganhou o Troféu APCA de Atriz revelação. Foi nessa peça que ela atuou pela primeira vez, ao lado da mãe e da irmã.
Sua primeira participação na televisão foi no teleteatro Alô, alguém aí?, de William Saroyan, exibido pela TV Cultura, em 1975. Estreou como atriz em Papai Coração, em 1976, na então poderosa TV Tupi. A atriz integrou o elenco de várias novelas na TV Tupi, como Éramos seis, Roda de Fogo, O Direito de nascer e Como salvar meu casamento. Em 1980, vai para a TV Globo, e atua em Marina. Participa também de Selva de Pedra, Perigosas peruas, O clone, Paraíso tropical e Três irmãs.
Em 1981, participou do MPB Shell, concorrendo com a música O Balão, de autoria de Nando Carneiro e Geraldo Carneiro. Logo depois do festival, lançou um compacto simples com a música. Nesse mesmo ano, pela PolyGram, lançou o disco Sementes no ar. No ano de 1982, gravou seu segundo LP, Passional e, em 1985, lançou, pela gravadora Carmo, o disco Mantra Brasil.
No cinema, trabalhou em filmes do cineasta Carlos Reichenbach: Dois Córregos e Bens confiscados. Também protagonizou Canção de Baal, dirigido por Helena Ignez. Se notabilizou ainda no filme Joelma, no qual interpretou uma vítima fatal do incêndio ocorrido, em 1974, naquele prédio, em São Paulo. Em 1999, por sua atuação na peça Decadência, de Steven Berkoff, recebeu o Prêmio Shell de Melhor atriz.
Em 2000, faz O Jardim das Cerejeiras, de Tchekvok. Em 2002 e 2004, a atriz protagonizou o monólogo Dorotéia Minha, as cartas de amor trocadas entre sua avó (Eleonor Bruno) e Nelson Rodrigues serviram como inspiração para Beth escrever o espetáculo. Em 2006, atua em Tudo sobre Mulheres, de Miro Gavran, e em Quartett, de Heiner Muller, tradução e a adaptação da montagem de João Gabriel Carneiro, filho de Beth. Em 2009, com o monólogo Simplesmente Eu, Clarice Lispector, Beth torna-se também diretora.
Em 2010, assina contrato com a TV Record, onde fez a novela Vidas em Jogo e foi também colunista de cultura do Jornal da Record News. Em junho de 2014, a atriz volta às novelas em Vitória, na mesma TV Record. No mesmo ano, dirigiu a mãe no monólogo Perdas e Ganhos, obra adaptada por Beth do livro homônimo de Lya Luft. Em julho de 2016, a atriz esteve no elenco da novela bíblica A Terra prometida, na TV Record.
Beth Goulart conquistou vários prêmios em sua carreira, ganhou o Troféu APCA de Atriz Revelação (1974), na peça O Efeito dos Raios Gama Sobre as Margaridas do Campo, e recebeu o Prêmio Shell de teatro de Melhor Atriz (2000), na peça Decadência.
Em 2006, a família Goulart foi homenageada na 18ª edição do Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro. Paulo Goulart, Nicette Bruno e seus filhos Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho receberam um Troféu Especial, pela união e realizações teatrais ao longo de mais de duas décadas. Um momento verdadeiramente emocionante.
Em 2010, por sua atuação em Simplesmente Eu, Clarice Lispector, espetáculo em que interpreta a famosa escritora, Beth conquistou cinco prêmios, sendo quatro de Melhor Atriz: Shell, APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro), Contigo! de Teatro e Qualidade Brasil, que premiou também como Melhor Espetáculo.
Foi indicada para várias outras premiações prêmios: Shell SP (Melhor Atriz em Cabaret), Shell RJ (Melhor Atriz em Lucrécia, o Veneno dos Bórgia), Mambembe RJ (Melhor Atriz em Tristão e Isolda), Shell RJ (Melhor Atriz em Tristão e Isolda), Mambembe SP (Melhor Atriz em Cabaret) e Cultura Inglesa Festival RJ (Melhor Atriz em Amor Consciente).
O teatro é uma arte viva, que se transforma a cada apresentação. Beth Goulart, também escritora e com uma carreira consolidada, com raro talento e brilho, é capaz de fazer essa metamorfose diariamente nos palcos, de forma generosa e verdadeira. Aplausos!

















