‘Bicos’ respondem por quase 40% da melhora do emprego

No trimestre encerrado em novembro, a taxa de desocupação no país caiu para 11,6%, com diminuição de 10,6% no número de desempregados, uma redução de 1,5 milhão de pessoas entre os desocupados. A queda em relação ao trimestre anterior foi 1,6 ponto percentual e o número de pessoas sem ocupação é 12,4 milhões. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a queda foi de 14,5%, com 2,1 milhões a menos em busca de trabalho.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua para o trimestre encerrado em novembro de 2021, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, entre o trimestre encerrado em agosto e o período encerrado em novembro, 3,2 milhões de pessoas conseguiram entrar no mercado de trabalho, um aumento de 3,5% no número de pessoas ocupadas.

De acordo com a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, a recuperação pode estar refletindo a sazonalidade do fim de ano. “Esse resultado acompanha a trajetória de recuperação da ocupação que podemos ver nos últimos trimestres da série histórica da pesquisa. O crescimento também já pode estar refletindo a sazonalidade dos meses do fim de ano, período em que as atividades relacionadas principalmente a comércio e serviços tendem a aumentar as contratações.”

O nível de ocupação foi estimado em 55,1%, um aumento de 1,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior. Cabe enfatizar que a ampliação da ocupação em um contexto de elevada subutilização por insuficiência de horas trabalhadas, como o atual, traz somente uma melhora parcial da situação do emprego no país. O número de pessoas que julgam não conseguir trabalhar horas suficientes, de 7,6 milhões de pessoas de setembro a novembro de 2021, ainda acusa alta expressiva em relação ao mesmo período de 2020: 11,7%.

Bicos

Já os motores do aumento da ocupação em relação a um ano atrás, como podem ser vistos a seguir, referem-se basicamente a postos informais de trabalho, cujo rendimento tende a ser menor e mais irregular, especialmente frente ao peso do conta própria, que se refere aos chamados “bicos”.

Só este tipo de ocupação referente aos “bicos” responde por quase 40% da melhora do emprego entre o final do ano passado e o final de 2020. Somados, bicos, trabalho doméstico e sem carteira representaram 74% do aumento da ocupação total. Não seria um aspecto tão preocupante se este movimento fosse apenas uma etapa inicial da retomada do emprego, mas não é o que parece dadas as expectativas de estagnação econômica para 2022 (0,3% para o PIB segundo o Boletim Focus e o FMI).

Uma das consequências deste perfil do crescimento da ocupação, que tem feito a taxa de informalidade subir, de 38,7% de setembro a novembro de 2020 para 40,6% de setembro a novembro de 2021, tem sido a continuidade do declínio do rendimento e isso sem nem mesmo considerar as perdas provocadas pela inflação.

Em comparação com o ano anterior, o rendimento nominal habitualmente recebido recuou 2,0% de setembro a novembro de 2021. Se considerada a evolução real, isto é, corrigida pela inflação no período, a queda chegou a 11,4%. São sinais de que, a despeito da melhora do emprego, a população segue empobrecendo.

Leia também:

Desemprego deve gerar aumento da informalidade e MEIs em 2022

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