Big câmbio

A crise econômica atingiu a demanda por hambúrguer e batata frita. Essa, pelo menos, é a alegação da direção do McDonald”s para a queda no faturamento mundial da empresa no último trimestre de 99. O câmbio e o enfraquecimento da economia dos países latino-americanos afetaram os resultados, afirmaram os executivos da rede de lanchonetes ao jornal The Chicago Tribune. A diretora de relações com os investidores do McDonald”s, Mary Healy, afirmou ao jornal que praticamente toda a queda no faturamento da multinacional pode ser atribuído ao impacto negativo das taxas de câmbio flutuantes do real, da libra esterlina e do euro.

Inimigo errado
A Telemar compra briga errada quando ataca em anúncio sua suposta concorrente Vésper. Esta preferiu oferecer seus serviços em locais onde o telefone a R$ 73,15 da Telemar é tão conhecido quanto os neutrinos – partícula que os físicos garantem que existem, mas ninguém nunca viu uma. A Vésper pode assim oferecer uma linha cara, com tarifas salgadas, e obter um bom faturamento dos incautos clientes que não agüentam mais esperar pelas promessas da Telemar.
Sem concorrência
Pela forma como o tucanato armou a concorrência na telefonia, com empresas-espelho e poucas exigências a se cumprir, a Vésper não precisa – e nem parece querer – brigar com a Telemar agora. Na verdade, a empresa-espelho está disputando mercado com as companhias de celulares, que se fartaram de vender aparelhos para quem precisava de uma linha convencional e não conseguia a não ser por preços proibitivos. Com as salgadas contas de celular penduradas, esses consumidores podem pagar um pouco menos na Vésper. Mesmo caminho parece seguir a Intelig, que se contentou com o nicho de ligações DDI para os Estados Unidos, para onde oferece tarifas mais em conta que a Embratel. Nas ligações DDD, a Intelig é uma das opções (?) mais caras.

A vingança do bug
Não se sabe se foi efeito retardado do bug do milênio ou se é ressaca após a euforia da incorporação da Bolsa do Rio, mas a Bovespa enviou ontem e-mail com a data de 11 de fevereiro de 2000.

Ativo inflado
A propósito do último aumento do IPVA, um leitor telefonou para fazer uma proposta e expor uma dúvida. Proprietário de um Gol 99, ele viu o preço do IPVA do seu carro saltar de R$ 359, ano passado, para R$ 530,28, este ano, alta de 47,5%. Como a Secretaria estadual de Fazenda atribuiu o mega aumento a uma suposta valorização dos veículos usados, o leitor topa passar o carro ao governador recebendo apenas 25% mais que do que pagou em 99. Se Garotinho insistir em pagar 30% mais, recebe o carro com o tanque cheio e na porta do Palácio Guanabara. O leitor, porém, alimenta dúvida inevitável: se o preço dos carros usados desabar este ano, o IPVA vai seguir o mesmo caminho?

Lenda
Esta coluna se solidariza com quem de direito, mas lamenta informar: não apenas a violência não acabou em seis meses, como foi às nuvens em cinco anos do mandato do chefe.

Fora dos trilhos
Sessenta e três em cada cem eleitores de Londres são contrários à privatização do metrô da capital britânica, que o primeiro ministro Tony Blair insiste em realizar. A informação é do secretário de Relações Internacionais do Governo do Estado do Rio de Janeiro e conselheiro do MM, professor Theotonio dos Santos. Londres, que pela primeira vez na história elegerá seu prefeito por via direta, tende para o trabalhista Livingstone, da ala esquerda do partido de Blair.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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