Biruta em Miami

Se 2010 foi um ano a ser celebrado pelas aéreas nacionais – e nem tanto pelos passageiros – também termina com os tripulantes de uma voadora nacional tendo história para contar. No início do ano, um clube de swing fechou a luxuosa unidade de Miami de uma das principais cadeias da hotelaria mundial, para as, digamos, atividades dos associados. No entanto, como a empresa brasileira tem contrato para hospedagem permanente de seus tripulantes, a gerência do hotel não teve como retirar os funcionários do lugar, apesar dos protestos veementes dos organizadores do evento, cujo nível de organização, que tomou toda a recepção, com distribuição de preservativos e pulseiras, além de uma numerosa rede de sites, impressionou os brasileiros. Garantida a hospedagem, alguns tripulantes recorreram ao famoso jeitinho brasileiro para “confraternizarem” com os associados durante os dois dias do evento.

Refap: o “mico” 9 anos depois
Para o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, embora seja uma boa notícia, a recompra da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) pela Petrobras, também mostra como a empresa brasileira foi lesada ao vender a Refap à Repsol em 2001: “Houve uma troca de ativos em que a Repsol deu à Petrobras, teoricamente, US$ 500 milhões em ativos – com a compra da YPF argentina, a Repsol teve de se desfazer de alguns ativos – e pegou a Petrobras para “pato””, relembra Siqueira em artigo para a edição eletrônica do jornal da Aepet.
O engenheiro recorda que o então presidente da Petrobras, Henri Philippe
Reichstul, foi “convencido” pela consultoria Artur D Little a fazer o negócio. No entanto, observa, os US$ 500 milhões oferecidos pela Repsol na troca caíram para US$ 170 milhões, dois dias depois, com o estouro da crise da Argentina, que produziu forte desvalorização de ativos, com a implosão da paridade do peso com o dólar.

Negócios tucanos
Já a Petrobras, lembra Siqueira, transferiu ativos de US$ 500 milhões à Repsol, que segundo cálculo da Aepet na época, valiam cerca de US$ 2 bilhões: “Nesse cálculo, consideramos que os 30% da Repsol valeriam US$ 600 milhões. Agora a Petrobras recomprou essas ações por US$ 850 milhões. Através do Sindipetro-RS entramos com uma ação e ganhamos a liminar. Ela foi cassada, um ano depois, pelo presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), alegando que os investidores haviam feito muitos investimentos e teriam prejuízo. Ora, a Repsol desrespeitou a Justiça, pois não cumpriu a liminar e tocou o negócio. E não investiu nada. Então, o presidente do STJ, Edson Vidigal, beneficiou o infrator”, critica.

Implodir a Petrobras
O presidente da Aepet afirma que troca de ativos entre as duas empresas constava do plano apresentado pelo Credit Suisse First Boston ao Governo Collor para desnacionalizar a Petrobrás. Siqueira acrescenta que o plano foi interrompido pelo presidente Itamar Franco, mas retomado pelo presidente FH e constava da privatização das subsidiárias da estatal, dividir a holding em novas subsidiárias, para vender cada uma: “A Artur de Little e Reischstul dividiram a empresa em 40 unidades de negócios para serem transformadas em subsidiárias e desnacionalizadas. A próxima seria a Reduc (Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro)”, historia

Realizando as perdas
Siqueira observa que a ação da Aepet na época foi eficaz para suspender o processo de desmonte da Petrobras, mas não para evitar o prejuízo da empresa: “Agora foi confirmado. Um detalhe a mais: havia no contrato de troca de ativos, os chamados mecanismos escaladores, que previam que, se uma das partes tivesse prejuízo, a outra o ressarciria. Perguntamos ao então diretor da Petrobras, Gabrielli (José), em 2003, se a perda dos US$ 330 milhões da Petrobras com a crise Argentina, seriam ressarcidos pela Repsol. Ele respondeu que, por questões judiciais burocráticas, só poderia responder em 2009. Em toda assembléia geral ordinária (AGO) da Petrobras, desde 2009, temos indagado se esse prejuízo foi coberto. Não temos tido resposta. Isso atesta também o poder da Repsol (Rotschild) sobre o país e sobre a América Latina. É ela que lidera o lobby no Congresso Nacional contra a mudança da Lei do Petróleo. Foram eles que patrocinaram a Emenda Henrique Alves que devolve, em petróleo, os royalties para quem produzir e os pagar em reais. Isso representa, em 2020, cerca de US$ 30 bilhões, doados ao consórcio produtor, em detrimento do povo brasileiro.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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