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quinta-feira, janeiro 21, 2021

Bloco das saúvas

O incômodo mostrado por setores financistas, abrigados dentro e fora do governo, com o crescimento de 7,5% do país em 2010, promove mais uma releitura da famosa advertência do naturalista francês August Saint-Hilaire, que, no seu livro Viagens à Província de São Paulo, na primeira metade do século XIX, advertiu: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil.” A frase passou por várias apropriações, incluindo autores como Mário de Andrade e Monteiro Lobato, mas, pouco menos de 200 anos após o alerta de Hilaire e em pleno Carnaval, nenhuma saúva é tão daninha ao Brasil quanto a casta dos rentistas, que para manter suas benesses – R$ 195 bilhões em pagamento de juros apenas em 2010 – tramam para limitar o crescimento nacional a índices medíocres.
Acordar tarde
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, deu bolo no presidente da Procter & Gamble do Brasil, Tarek Faraht, que anunciou, nesta sexta-feira, no Palácio Guanabara – sede do governo – investimento no estado da ordem de R$ 115 milhões para a construção de uma unidade fabril em Seropédica e duas expansões nos municípios de Queimados e Itatiaia. A reunião estava marcada para 8h30m, mas Cabral só deu o ar da graça lá pelas 10h30m, quando chegou ao local de trabalho de carro oficial, mas trajando calça jeans, camisa pólo e tênis. Não é somente por ser véspera de Carnaval. Quarta-feira, o governador deixara esperando o todo poderoso presidente do Conselho de Administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, que anunciou investimentos de R$ 2,5 bilhões no Rio em cinco anos.

Lição para valer
A retórica que eleva o investimento em educação como um dos investimentos prioritários para um país se desenvolver passará por um teste para ver se os partidos passam da teoria para a prática. Por iniciativa do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), foi protocolado na Câmara dos Deputados projeto de decreto legislativo propondo a realização de um plebiscito nacional, em 2012, sobre a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública no país.
O texto, que recebeu apoio de cerca de 180 parlamentares de diferentes partidos, destaca que a elevação dos recursos para a educação é um desafio de natureza estratégica para o Brasil: “A fixação de metas que obriguem a um investimento de recursos capaz de realmente elevar a qualidade da educação nacional e de garantir a todos os brasileiros e brasileiras o direito à educação é uma medida urgente e necessária”, justificou Valente.
Com o aumento da verba para a educação para 10% do PIB, em dez anos, especialistas calculam que seria possível universalizar a educação infantil e o ensino fundamental e médio, erradicar o analfabetismo e quadruplicar as vagas do ensino superior público no país, garantindo educação de qualidade para os brasileiros.
Atualmente, o setor recebe, segundo Valente, apenas 2,89% das verbas anuais da União, contra cerca de 50% do Orçamento federal para a gastança com juros, amortizações e refinanciamento da dívida pública.

Valeu a pena
O parlamentar lembra que Japão, Coréia do Sul e vários países da Europa chegaram a destinar de 10% a 17% do PIB em educação, durante décadas, até consolidarem seu sistema nacional de educação: “Todos os países desenvolvidos que alavancaram para o futuro não deixaram de fazer investimentos maciços em educação durante longos períodos e tiveram resultados muito favoráveis a seu desenvolvimento”, acrescentou.
Já no Brasil, apesar das promessas de prioridade defendidas por todos candidatos, a educação foi uma das maiores vítimas do pacote fiscal da presidente Dilma, perdendo R$ 3,1 bilhões para manter o financiamento à Bolsa Juros.

Dupla cobrança
A cobrança pelos bancos por serviços que a legislação determina serem gratuitos permite às instituições financeiras auferir um lucro extra equivalente a 20% de toda a sua arrecadação e capaz de cobrir 130% de suas folhas de pagamentos. A denúncia é da revista Por Sinal, porta-voz do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central. A publicação destaca que, além de dificultarem o acesso dos consumidores à relação daqueles serviços nas agências – a regulamentação 3.518 do BC determina que a lista seja fixada na unidade bancária – os bancos omitem essas informações nos seus sites: “Ficam em locais que inibem a aproximação do consumidor como próximos ao gerente e ao posto de observação da segurança, a dois metros de altura do chão ou encobertos por outros informativos”, denuncia a revista.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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