Bloqueios na Bolívia isolam as cidades de La Paz e El Alto

Central Operária realiza bloqueios em várias regiões do país contra decreto do novo governo que aumentou preços dos combustíveis.

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Marcha de trabalhadores na Bolívia em janeiro de 2026 contra decreto do governo que eleva preços dos combustíveis
Marcha de trabalhadores na Bolívia (foto de Javier Mamani, Xinhua)

As cidades bolivianas de La Paz e El Alto (noroeste), centro político e econômico do país andino, permanecem isoladas por via terrestre nesta sexta-feira, devido a bloqueios organizados pela Central Operária Boliviana (COB) e grupos camponeses em protesto contra o Decreto Supremo 5503, que elimina os subsídios para hidrocarbonetos e possibilita novos ajustes econômicos.

Segundo a mídia local, o bloqueio de estradas começa a ter um impacto significativo no cotidiano, com aumentos constantes de preços e escassez de alimentos, dificuldades no transporte de mercadorias e crescente preocupação com uma possível falta de combustível.

Nos mercados locais, de acordo com reportagens televisivas, vendedores e consumidores relatam aumentos de preços de verduras, tubérculos, frango, carne bovina e carne suína — produtos que dependem fortemente do abastecimento inter-regional.

O fluxo irregular de caminhões e a paralisação de rotas estratégicas reduziram o abastecimento e sobrecarregaram a cadeia de suprimentos, afetando particularmente as áreas urbanas de baixa renda.

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O vice-comandante da Polícia Nacional Boliviana, General Juan Peña, informou que há aproximadamente 60 bloqueios de estradas em todo o país, a maioria concentrada no departamento de La Paz. Peña especificou que existem cerca de 35 locais de protesto somente em La Paz, enquanto o restante está distribuído entre os departamentos de Oruro (centro-oeste), Potosí (sul), Cochabamba (centro) e Santa Cruz (leste).

Segundo o oficial, nenhuma intervenção policial direta foi ordenada até o momento, pois não foram relatadas ações violentas por parte dos manifestantes; houve apenas um breve confronto na cidade de El Alto.

Bloqueios em El Alto, Bolívia, no final de dezembro de 2025, contra decreto do governo que eleva preços dos combustíveis
Bloqueios em El Alto, Bolívia (foto de Javier Mamani, Xinhua)

Os protestos envolvem membros da Federação Camponesa Túpac Katari, mineiros e professores rurais, que montaram barricadas em rodovias interdepartamentais, bem como em pontos urbanos estratégicos em La Paz e El Alto.

O bloqueio também se estende a rotas internacionais que ligam o Peru ao Chile. Mais de uma dezena de barricadas afetam a estrada para Desaguadero, na fronteira com o Peru, enquanto outros protestos interrompem a estrada de El Alto para Charaña, na fronteira com o Chile, bem como o acesso à região de Yungas, Río Abajo e ao Lago Titicaca, de acordo com relatos da polícia.

O conflito em torno do Decreto 5503 permanece sem solução devido a divergências entre o governo e a COB (Central Operária Boliviana) sobre o futuro do decreto.

Enquanto o Poder Executivo propôs o ajuste de 35 artigos sem alterar sua estrutura econômica, a COB rejeitou as mudanças processuais, negou a existência de um acordo preliminar e reiterou sua exigência de revogação total da medida governamental.

O Decreto Supremo 5503, anunciado há três semanas pelo presidente Rodrigo Paz Pereira, visa, segundo o Poder Executivo, corrigir distorções acumuladas nos preços, estabilizar a macroeconomia e conter uma crise que, sem intervenção, teria levado o país a um colapso inflacionário.

Agência Xinhua

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