As cidades bolivianas de La Paz e El Alto (noroeste), centro político e econômico do país andino, permanecem isoladas por via terrestre nesta sexta-feira, devido a bloqueios organizados pela Central Operária Boliviana (COB) e grupos camponeses em protesto contra o Decreto Supremo 5503, que elimina os subsídios para hidrocarbonetos e possibilita novos ajustes econômicos.
Segundo a mídia local, o bloqueio de estradas começa a ter um impacto significativo no cotidiano, com aumentos constantes de preços e escassez de alimentos, dificuldades no transporte de mercadorias e crescente preocupação com uma possível falta de combustível.
Nos mercados locais, de acordo com reportagens televisivas, vendedores e consumidores relatam aumentos de preços de verduras, tubérculos, frango, carne bovina e carne suína — produtos que dependem fortemente do abastecimento inter-regional.
O fluxo irregular de caminhões e a paralisação de rotas estratégicas reduziram o abastecimento e sobrecarregaram a cadeia de suprimentos, afetando particularmente as áreas urbanas de baixa renda.
O vice-comandante da Polícia Nacional Boliviana, General Juan Peña, informou que há aproximadamente 60 bloqueios de estradas em todo o país, a maioria concentrada no departamento de La Paz. Peña especificou que existem cerca de 35 locais de protesto somente em La Paz, enquanto o restante está distribuído entre os departamentos de Oruro (centro-oeste), Potosí (sul), Cochabamba (centro) e Santa Cruz (leste).
Segundo o oficial, nenhuma intervenção policial direta foi ordenada até o momento, pois não foram relatadas ações violentas por parte dos manifestantes; houve apenas um breve confronto na cidade de El Alto.


Os protestos envolvem membros da Federação Camponesa Túpac Katari, mineiros e professores rurais, que montaram barricadas em rodovias interdepartamentais, bem como em pontos urbanos estratégicos em La Paz e El Alto.
O bloqueio também se estende a rotas internacionais que ligam o Peru ao Chile. Mais de uma dezena de barricadas afetam a estrada para Desaguadero, na fronteira com o Peru, enquanto outros protestos interrompem a estrada de El Alto para Charaña, na fronteira com o Chile, bem como o acesso à região de Yungas, Río Abajo e ao Lago Titicaca, de acordo com relatos da polícia.
O conflito em torno do Decreto 5503 permanece sem solução devido a divergências entre o governo e a COB (Central Operária Boliviana) sobre o futuro do decreto.
Enquanto o Poder Executivo propôs o ajuste de 35 artigos sem alterar sua estrutura econômica, a COB rejeitou as mudanças processuais, negou a existência de um acordo preliminar e reiterou sua exigência de revogação total da medida governamental.
O Decreto Supremo 5503, anunciado há três semanas pelo presidente Rodrigo Paz Pereira, visa, segundo o Poder Executivo, corrigir distorções acumuladas nos preços, estabilizar a macroeconomia e conter uma crise que, sem intervenção, teria levado o país a um colapso inflacionário.
Agência Xinhua

















