BNDES abre mão de ganhar bilhões

Em quase 20 anos, ações que o banco agora está vendendo deram lucro de R$ 103 bi.

O artigo do economista Arthur Koblitz, presidente da AFBNDES e recém-eleito para integrar o Conselho de Administração do BNDES, sobre o prejuízo da venda de ações do banco em plena pandemia – estimado, em janeiro, em R$ 12,2 bilhões – jogou luz sobre decisões que contornaram análises técnicas e regulamentos para dar lugar a operações do “mercado”.

Não precisariam ser, como são vários diretores do BNDES nomeados pelo Governo Bolsonaro, experientes no setor financeiro para saber que não se vende na baixa. Ainda mais ações como Vale, a mais vendida pelo Banco. Só em janeiro, os papéis da mineradora subiram 0,57% e acumulam alta de 133,27% nos últimos 36 meses.

Pode-se recorrer a dados do próprio BNDES. Está no portal análise produzida pelos técnicos que demonstra que, entre dezembro de 2001 e setembro de 2020, apenas as 16 maiores participações do BNDES, que representavam 92,6% da carteira em 30/9/2020, geraram resultado positivo para o sistema de R$ 103,5 bilhões.

Os números mostram que R$ 100 investidos em 31/12/2001 seriam hoje R$ 953 se tivessem sido aplicados na carteira de ações do Sistema BNDES. Para comparar, o Ibovespa – índice referência da Bolsa brasileira – retornaria apenas R$ 697.

As perdas do Banco com venda de ações vêm se perpetrando desde 2019. Em 6 de fevereiro do ano passado, esta coluna denunciou prejuízos com vendas de papéis da Petrobras.

Só para comparar, os R$ 12,2 bilhões calculados por Koblitz equivalem ao dobro do que a Petrobras reconheceu ter perdido com os desvios investigados pela Lava Jato.

 

A todo gás

Conforme o Monitor Mercantil noticiou no dia 2, e esta coluna ampliou no dia seguinte, o petróleo segue sendo o principal combustível (desculpem o trocadilho, inclusive o do título desta nota) dos investimentos capitalistas – metade do excedente do capitalismo é gerado pelo produto, informa o ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer.

Semana passada, a Shell anunciou que expandirá em 20%, nos próximos anos, seus negócios com gás. A expansão ocorrerá a despeito de a multinacional anglo-holandesa ter estabelecido novas metas de emissões de carbono para se tornar uma empresa de energia com zero carbono líquido até 2050.

Essa história de que o ciclo do petróleo acabará em 2030 e por isso é preciso explorar tudo com pressa e vender o que for possível é conversa para justificar negociatas.

 

Rápidas

A Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) promove nesta sexta-feira, às 16h, o webinário “A Súmula nº 443 do TST é inconstitucional?”. Inscrições aqui *** A Associação Brasileira de Proteção Passiva Contra Incêndio (ABPP) realiza 13 e 20 de março o curso online “Proteção Passiva Contra Incêndio”. Informações aqui.

Leia mais:

Concorrência faz até Google se enquadrar

Europa obriga farmacêutica a cortar preços em 73%

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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