BNDES destinou R$ 10, 8 bi para energia eólica nos últimos dois anos

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Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinados ao segmento de energia eólica chegaram a R$ 10,8 bilhões em 2017 e 2018. E quase todas as operações foram feitas via Project Finance (modalidade de estruturação financeira para a realização de projetos de grande porte, onde a principal fonte de receita para o pagamento do serviço da dívida de seu financiamento e do produto ou serviço resultante vem do fluxo de caixa gerado pela sua própria operação).

“Dentro do segmento de geração, eólica tem ganhado proeminência nos últimos anos, com a maior parte de nossos desembolsos”, ressaltou o presidente do banco, Joaquim Levy, durante palestra nesta quarta-feira, no evento Brazil Windpower 2019 , considerado um dos mais importantes de energia eólica da América Latina, que aconteceu desde terça-feira em Santo Amaro,São Paulo. Além do congresso, o evento, que terminou nesta quinta-feira, reuniu dezenas de players nacionais e internacionais na feira de negócios.

Levy participou do painel: “Estruturação financeira para infraestrutura: perspectivas para os projetos de energia renovável e eólicas”. Ele destacou a importância de novas formas de apoio, como lançamento de bonds em projetos de Project Finance, como forma de democratizar o acesso ao apoio financeiro. Também ressaltou o interesse do BNDES em reforçar parceria com o setor privado. “Não só na modernização regulatória, mas também na valorização do que conseguimos em termos do estabelecimento de um parque industrial relevante”, disse.

Segundo Levy, mais da metade dos desembolsos do banco são para infraestrutura. “Dentro do setor, 20% dos nossos empréstimos vão para economia verde, onde se destaca a energia eólica. O BNDES considera a sustentabilidade essencial para o desenvolvimento econômico e social", destacou.

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Mercado

 

Segundo cálculos apurados entre setembro de 2017 e agosto de 2018, o fator de capacidade médio de ventos no Brasil em 12 meses chegou a 42,5%. Mas, na época de “safra dos ventos”, esse fator pode ultrapassar 60%, de acordo com dados divulgados pela organização do Brazil Windpower 2019. Os dois índices são bem maiores que o fator de capacidade médio mundial que é em torno de 25%. Ou seja, o Brasil tem uma capacidade enorme de geração, mas precisa de mais investimentos para ampliar o seu alcance.

De acordo com dados da organização, o país tem 568 parques eólicos instalados em 12 estados. São 7 mil aerogeradores em operação, que abastecem 25 milhões de residências e atendem e cerca de 75 milhões de habitantes.

 

Linhas de financiamento

 

O BNDES também participou do evento como expositor, com um estande na feira para apresentar as linhas de financiamento para energias renováveis. Uma delas é a recém-lançada BNDES Direto 10 – Eficiência Energética e Geração Distribuída. O financiamento vai de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões e é operado diretamente pelo banco. Nas operações diretas, a taxa de juros é composta pelo custo financeiro, pela remuneração do BNDES e pela taxa de risco de crédito.

Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iria colocar em consulta pública a discussão sobre sistemas híbridos nesta semana, mas não vai mais. De acordo com reportagem da agência Canal Energia, houve um pedido de adiamento por parte da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que pretende incluir alguns pontos.

Sandoval Feitosa, diretor da Aneel, informou que muitas questões precisam ser respondidas ainda para que a regulação possa permitir a construção de parques híbridos. Entre essas indagações ele destacou: Como será tratado o desconto do uso do sistema de transmissão, como será o tratamento das perdas, que configura um sistema híbrido, tipo de combinação de tecnologias e em qual percentual.

“A agenda regulatória prevê a conclusão nos anos 2019 e 2020 de forma definitiva da publicação de um regulamento”, disse o diretor Feitosa nesta quarta-feira, ao participar do Brazil Windpower “Fazemos uma consulta pública quando não temos certeza do que fazer, quando procuramos qual caminho seguir e daí vem a proposta de regulamentação”, comentou.

Ele admitiu que ainda não há uma ideia clara do que pode ser considerado como uma planta híbrida. Feitosa explicou que o tema deve passar pela consulta para essa definição. A partir daí a agência reguladora e o mercado podem explorar mais as possibilidades. Uma das respostas a ser obtida é a questão de onde vem a fonte principal de geração. Isso, continuou, tem importância pelo fato de se considerar os incentivos legais que existem para cada fonte que o país dispõe.

O diretor de Energia Elétrica da EPE, Erik Eduardo Rego, informou que a entidade está terminando de produzir a terceira nota técnica sobre geração híbrida. “A gente conversou para segurar a consulta pública para poder mandar o material que está sendo consolidado com um pouco da experiência internacional e de um workshop que a gente fez”, explicou.

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