BNDES lucrou R$ 20,7 bilhões em 2020

Resultado veio de venda de ações que eram da carteira do BNDESPar.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apurou lucro líquido recorde de R$ 20,7 bilhões em 2020, avanço de 17% ante 2019. Banco atribui resultado a oferta de ações da Petrobras, venda de participações na Vale e Suzano. “Foi excepcional”, disse em tom eufórico o presidente do banco, Gustavo Montezano, ao comentar os resultados. Ele acrescentou que os desinvestimentos ultrapassaram R$ 45 bilhões.

O desembolso atingiu R$ 64,9 bilhões, alta de 17% na comparação ano a ano, encerrando o período 120 projetos em carteira e possibilidade de investimentos de mais de R$ 200 bilhões. O desempenho foi apresentado nesta sexta-feira (12), pela diretoria do BNDES, com um balanço das ações da instituição no ano passado.

O lucro líquido do quarto trimestre foi de R$ 6,9 bilhões.  E o índice de inadimplência do BNDES (90 dias) ficou em 0,01%, e retornou ao patamar de 2013 e inferior aos 2,12% registrados pelo Sistema Financeiro Nacional.

O lucro líquido de R$ 20,7 bilhões foi impactado pela oferta pública de ações da Petrobras (R$ 23 bilhões), realizada em fevereiro; pela venda de ações da Vale (R$ 12,9 bilhões) e Suzano (R$ 6,9 bilhões); e pelas receitas com dividendos das empresas investidas. O resultado do ano foi 17% acima daquele de 2019, de R$ 17,7 bilhões. “O desempenho foi fortemente influenciado pelo resultado com participações societárias, principalmente as alienações de ações de Suzano e Vale”, destacou o banco.

“O que fizemos em 2020 podemos repetir em 2021”, acredita Montezano. Conforme os números apresentados, o BNDES apoiou mais de 460 mil pequenas e médias empresas no ano passado que empregam mais de 10 milhões de pessoas. “Pela primeira vez em sua história, o BNDES ofereceu mais recursos para pequenas e médias empresas do que para as grandes, com 52% dos desembolsos destinados a essas firmas menores”, destacou.

De acordo com o BNDES, a despeito do cenário econômico, que levou à revisão da classificação de risco de crédito das empresas dos setores mais afetados pela pandemia do Covid-19, a despesa com provisão para risco de crédito no ano foi reduzida em R$ 856 milhões no quarto trimestre, favoravelmente impactada pela recuperação de créditos anteriormente baixados. A intermediação financeira colaborou com o lucro em R$ 12,8 bilhões em 2020.

 

Desembolsos

 

Os desembolsos do BNDES totalizaram R$ 64,9 bilhões, o que representa um aumento de 17% frente a 2019. Na visão do desembolso por setores, se destaca o aumento do financiamento aos segmentos comércio e serviços, com um total de R$ 10,3 bilhões e alta de 66% em relação a 2019, puxada pelas medidas anticíclicas de combate à crise da Covid-19.

Outro setor de destaque foi a infraestrutura, com R$ 24,8 bilhões em desembolsos. Deste montante de infraestrutura, os subsetores de energia (R$15,8 bilhões) e transportes rodoviário e ferroviário (R$ 5,9 bilhões) lideraram os volumes de operações.

 

Projetos

 

A carteira de projetos de desestatização do BNDES chegou a 121 ativos (44 federais, 69 estaduais e 8 municipais). Ao todo estimam-se R$ 223 bilhões em capital mobilizado (investimento e outorgas). Em comparação com 2019 a carteira aumentou 112% na quantidade de projetos e 27% no volume de capital.

Em 2020, ocorreram leilões e contratações de projetos de iluminação pública, saneamento básico e energia elétrica. Entre os principais destaques que se somaram à Fábrica de Projetos do BNDES no último semestre estão a maior parte dos 45 projetos relacionados a meio ambiente, em concessões de parques e florestas.

 

Ativos

 

O ativo do Sistema BNDES totalizou R$ 778,3 bilhões em 31 de dezembro de 2020, apresentando aumento de R$ 50,2 bilhões no ano (6,9%). O acréscimo resultou, principalmente, da apropriação de variação cambial e juros da carteira de crédito e repasses de R$ 43,1 bilhões; do aumento de R$ 35,8 bilhões de operações compromissadas (disponibilidades de terceiros) decorrentes da atuação do BNDES como dealer do Banco Central; da valorização da carteira de não coligadas em R$ 4,9 bilhões; e do ingresso líquido de recursos do FAT de R$ 4,0 bilhões.

A carteira de participações societárias (inclui participações em coligadas e não coligadas) totalizou R$ 81,8 bilhões a valor justo. A posição representa um decréscimo de 32,3% no ano, em função das alienações de ações (R$ 45,4 bilhões), notadamente de Petrobras, Vale e Suzano, atenuado pela valorização dos investimentos em não coligadas (R$ 7,9 bilhões), principalmente dos papéis da Vale e Suzano. Os desinvestimentos realizados ao longo do quarto trimestre somaram um resultado bruto de R$ 7,6 bilhões (R$ 4,8 bilhões líquidos).

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