Boi gordo

A J&F, controladora da JBS, fechou acordo de leniência em que pagará R$ 10,3 bilhões para sair limpa de anos de, digamos, mal feitos. Somados aos R$ 220 milhões que os irmãos Joesley e Wesley Batista pagarão de multa – parcelada em dez anos – os valores montam a R$ 10,5 bilhões, menos que os R$ 12,8 bilhões que as empresas do grupo receberam do BNDES até o primeiro trimestre de 2013, de acordo com levantamento feito pelo site Contas Abertas. O mercado aprovou: as ações da JBS tiveram a maior alta na bolsa brasileira nesta quarta-feira. Em dia de cotações no vermelho, os papéis da empresa da família Batista subiram um pouco mais de 9%. Feitas as contas, em um dia, o valor de mercado do frigorífico engordou cerca de R$ 2 bilhões.

Não são poucas as críticas ao prêmio de ouro dado pela Procuradoria-Geral da República em troca das delações dos irmãos Batista. Esta coluna foi a primeira a protestar, seguida por vozes de diferentes visões ideológicas. O grupo JBS, confessaram os delatores, distribuiu dinheiro para políticos de todos os matizes. Assim pavimentou seu crescimento meteórico, virando o número um da proteína animal no mundo. Faturou em 2016, livre de impostos, R$ 183 bilhões. Quanto da construção dessa potência se deve à capacidade da família Batista e quanto aos seus contatos nos diferentes governos, é impossível determinar. O fato é que, pagando a multa em condições invejáveis (25 anos, sem juros, apenas correção pelo IPCA), Joesley e Wesley manterão seu patrimônio bilionário e seu poderio – são bem recebidos nos Estados Unidos, para ficar em um só exemplo.

Os acordos de leniência foram pensados para preservar empresas – seu patrimônio físico, seu conhecimento, seu mercado, os empregos que gera – não para garantir seus controladores. O acerto feito com a JBS não contribui para que práticas semelhantes sejam evitadas, ao contrário. Trouxa é quem seguir as leis.

 

Ao sabor da maré

Conteúdo Local é uma cláusula isolada dentro dos contratos de concessões do setor de petróleo e gás natural, não uma política adotada pelo Brasil, observa Karine Fragoso, gerente de Petróleo, Gás e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). “Para se ter uma política estabelecida de fato é necessário contar com uma coordenação de mecanismos que a viabilize em todas as frentes, desde regras próprias a acessos a recursos financeiros que permitam com que os concessionários cumpram as obrigações determinadas nos seus respectivos contratos de concessões, incluindo a cláusula de conteúdo local, e o Brasil nunca teve essa integração”, salienta.

A Firjan é uma das 14 entidades industriais que atuam em conjunto, desde o início deste ano, no Movimento Produz Brasil. O grupo defende a manutenção e o aprimoramento da política de Conteúdo Local como mecanismo para potencializar o desenvolvimento econômico e social do país. Para Sérgio Bacci, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Naval (Sinaval), é necessário entender que a indústria naval deve ser uma política de Estado, não de governo. “Não podemos ficar a mercê das vontades de um ou outro governo que esteja instalado”, afirma Bacci.

O tema será um dos mais importantes da 14ª Marintec South America – Navalshore, que ocorre de 15 a 17 de agosto, no Rio de Janeiro.

 

Presente

O MONITOR MERCANTIL manteve a representação no Conselho Diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio). Luís Guillermo Díez Atienza, da Fundação ARO (braço cultural do jornal), foi reeleito para o biênio 2017/2018.

 

Rápidas

A Câmara Espanhola de Comércio no Brasil realiza nesta sexta-feira, no Gran Meliá Nacional Rio, o segundo encontro de relacionamento com o empresariado espanhol na cidade. O evento terá a presença do governador Luiz Fernando Pezão. A Espanha é o terceiro maior investidor direto no país, com US$ 64 bilhões, 12% do total. Mais informações: www.camaraespanhola.org.br *** O Caxias Shopping marca o Dia do Meio Ambiente, comemorado mundialmente em 5 de junho, com iniciativas sobre reciclagem, nestes domingo e segunda, das 13h às 20h. A cada dois litros de óleo usado entregues para a reciclagem, o cliente receberá um detergente líquido. O shopping ocupa o primeiro lugar no setor em destinação adequada do óleo vegetal usado no Estado do Rio de Janeiro *** O ministro da Saúde, Ricardo Barros, fará a palestra de abertura do 6º Fórum da Saúde e Bem-estar, nesta segunda, no Hotel Grand Hyatt (Avenida das Nações Unidas, 13301, São Paulo – SP). Estão confirmadas as presenças do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria – a realização é da empresa dele, o Lide. Ao final será entregue o Prêmio Lide de Saúde 2017. É melhor os profissionais da área ficarem atentos: empresários que receberam a premiação foram atacados pelo “mal da Lava Jato”, que já levou vários deles para trás das grades em Curitiba ou Bangu (RJ). Não se sabe se o jaleco protege.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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