Bola de ferro

Bola de ferro
Apenas dois anos após o estouro da crise mundial, que teve o efeito de um furacão no reino, os Emirados Árabes Unidos (EAU) vivem nova fase de euforia, como mostra a realização do Mundial de Clubes da Fifa e do Grande Prêmio de Fórmula 1 de Abu Dhabi – um dos sete emirados que foram o EAU – o mesmo que, no início de 2009, anunciou o adiamento do parque temático da F1, que estava sendo construído dentro do circuito de Yas Marina. No entanto, é bom lembrar que, no auge da crise, o emir Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o homem mais rico do reino, com uma fortuna estimada em US$ 14 bilhões pela edição de 2006 da revista Forbes, não cansava de pedir: “Têm de prender estes norte-americanos”, como contou o então governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), a esta coluna, após voltar de viagem aos emirados, no fim de 2008.

Interesses
Em entrevista à rádio PBS, em 29 de novembro, o ex-conselheiro de Segurança Nacional estadunidense Zbigniew Brzezinski (direitista que não pode ser acusado de concessões a “teorias conspiratórias”) afirmou que o vazamento de assuntos de Estado pelo WikiLeaks pode ser resultado de manipulações de serviços de inteligência com “objetivos muito específicos”. Segundo ele, poderiam ser elementos internos interessados em criar problemas para o presidente Barack Obama, ou “elementos estrangeiros” visando a prejudicar as relações dos Estados Unidos com outros países.

Rasteiro
O que resta de certeza dos vazamentos do WikiLeaks, como comenta o boletim eletrônico Resenha Semanal, é que chega a ser “constrangedor constatar a visão pedestre demonstrada em numerosas avaliações ou comentários feitos pelos interlocutores dos telegramas diplomáticos”: “Um exemplo é a sugestão de que o Irã estaria pretendendo “disputar com os EUA” uma presença hegemônica na América do Sul – como se aquele país tivesse condições econômicas, políticas e culturais para tanto”, conclui a publicação, lembrando a dificuldade para os círculos diplomáticos dos EUA de lidar com a nova realidade de perda da hegemonia.

Sobrou o caveirão
Ainda descansando da maratona das últimas eleições, o economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, filho do candidato do PSOL a presidente, Plínio de Arruda Sampaio, revelou a esta coluna sua decepção com o nível do último pleito e a preocupação com o futuro do país: “Esta eleição naturalizou a desigualdade. Qualquer coisa dita a favor do trabalho era vetada”, critica, frisando que o sensacionalismo continua agora nos episódios envolvendo a ocupação da complexos do Alemão e da Penha, no Rio.
“A banalização da desigualdade está por trás de vários fenômenos, inclusive o circo que fizeram no Rio. Para a pobreza sobrou o caveirão”, lamenta Sampaio Júnior, que é professor da Unicamp.

Telhado de vidro
O economista alerta ainda para a fragilidade política do novo governo, apesar do amplo leque de alianças partidárias: “A crise do mensalão foi construída e até injusta. Mas Dilma está em situação complicada. Lula controla os movimentos sociais, mas a direita não tem essa confiança em relação a ela. Por outro lado, se acontecer uma rebelião política, ela também é fraca, pois quem vai mandar é o Palocci, que apesar de ser muito próximo de Lula e um hábil negociador, tem telhado de vidro. Para o mercado (ou a direita) foi uma ótima nomeação”, salienta.

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Em tempo, como a dar razão para Sampaio Júnior, ao se digitar Palocci no Google, dos nove primeiros itens indexados à palavra, cinco são negativos: “escândalo”, “condenado”, “mensalão”, “corrupção” e “caseiro”.

Caminhos de Dilma
Caso se concretize a ameaça “plantada” por assessores na imprensa de que a presidente eleita Dilma Housseff decretará o fim do reajuste da correção da tabela do Imposto de Renda, a medida representará, não apenas o primeiro estelionato eleitoral antes mesmo do início do novo governo, como uma sinalização de que pretende seguir a direção que manteve o Brasil aprisionado ao medíocre crescimento registrado nos últimos oito anos, exceção feita a 2010.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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