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quarta-feira, janeiro 20, 2021

Bolha

A decisão do Equador de, provavelmente, não pagar 50% sobre juros da sua dívida externa em bônus que vence hoje terá desdobramentos importantes para o restante da América Latina. Embora a dívida, de cerca de US$ 26 milhões, seja insignificante em relação aos bilhões de dólares movimentados no cassino internacional, seu aspecto relevante reside no fato de que, pela primeira vez desde a reestruturação da dívida da região, os chamados bradies estão sob ameaça de moratória.
O governo do Equador propõe-se a pagar apenas 50% da dívida, recorrendo a garantias do governo dos Estados Unidos para honrar o restante da dívida. É pegar ou largar.
A crise ganhou contornos mais graves depois que o FMI, acusado de apoiar a moratória, respondeu aos críticos afirmando que “bônus não são sagrados”. A resposta foi entendida como uma senha para preparar espírito e bolso dos investidores para a repetição, em escala bem mais ampla, da decisão do governo do Equador.

Golpe
O deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT/RJ) pediu ontem que a Executiva Nacional do Partido convoque a bancada para discutir as declarações do líder do partido na Câmara, deputado federal Miro Teixeira, e do representante do PDT na Comissão do Parlamentarismo, deputado Neiva Moreira, defendendo a mudança do sistema de governo de presidencialista para parlamentarista, uma vez que o partido sempre foi presidencialista. Segundo Vivaldo, o parlamentarismo já foi descartado duas vezes pela população brasileira. Ele acredita que tentar implantá-lo agora é golpismo de setores políticos que querem a manutenção do atual modelo econômico, sustentado pela maioria que hoje compõe o Congresso Nacional. Vivaldo critica duramente as declarações de Miro e Neiva e ainda o encontro com o presidente da Câmara, deputado federal Michel Temer, para dar andamento à tramitação de uma emenda instituindo o parlamentarismo. “O presidente Fernando Henrique Cardoso é o principal interessado nessa discussão, uma vez que desvia a atenção do seu fraco e descontrolado governo, e ao mesmo tempo permite a busca desta alternativa para se manter no poder como um reizinho”.

Geladeira
A Receita Federal, que está anunciando o quarto lote de restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao 99, ano base 98, ainda não pagou os valores liberados no terceiro lote. Parece, assim, que se confirma denúncia feita no MM pelo deputado Luiz Alfredo Salomão (PDT-RJ) de que o Governo estaria retendo o dinheiro do contribuinte para satisfazer ao aperto orçamentário. Sem dinheiro, a Receita não paga a restituição deste ano e ainda mantém “penduradas” algumas dos anos anteriores. Se uma empresa fizesse a mesma coisa, seria apropriação indébita.

Mudança
A concorrente da Telemar já está afiando as garras. Pesquisa feita entre usuários de comunicações pretende medir a (in)satisfação com os serviços de telefonia e procura saber se a alteração do número de telefone seria aceitável. Empresas devem ser o principal alvo da nova operadora.

Do ramo
Os críticos da proposta do ministro da Justiça, José Carlos Dias, de acabar com a pena de reclusão para os condenados por crime de colarinho branco podem acusar o ministro de muitas coisas, inclusive de dar sua contribuição para “plantar” notícias que sirvam de cortina de fumaça sobre a grave crise econômica a que o país foi levado. De uma coisa, porém, nem os mais ferrenhos adversários de Dias podem acusá-lo: de não saber do que fala. Antes de ocupar o atual cargo, ele tinha entre seus clientes, como advogado, o Banco Marka e o laboratório Schering.

Escola
Formação universitária não é sinônimo de sucesso no mundo dos negócios. Segundo o ranking dos 400 milionários dos Estados Unidos publicado pela revista Forbes, pelo menos 63 integrantes não têm nível superior; 137 ricaços foram graduados em universidades. Porém, a riqueza média de quem não se formou é maior: US$ 4,3 bilhões – os formados possuem “apenas” US$ 2,2 bilhões.
Bolinha
Outro dado da pesquisa dos 400 mais ricos norte-americanos: somente 45 são mulheres, pouco  mais de 11%.

À míngua
Das 250 mil famílias dos acampamentos do MST assentadas pelo governo, apenas 80 mil – menos de um terço – conseguiram acesso ao crédito. O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, considera essa realidade intrínseca ao modelo neoliberal adotado pelo governo FH. Por essa lógica, argumenta Stédile, a oferta de crédito a pequenos agricultores é excludente com a acumulação de capital via especulação.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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