Bolsas ajustando para Bancos Centrais

Investidores não gostaram muito da coletiva de Jerome Powell, com o Fomc também mantendo a política monetária estabilizada.

Opinião do Analista / 11:06 - 17 de set de 2020

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Ontem, depois de pregão encerrado, o Copom anunciou sua decisão de manter a taxa Selic estabilizada em 2,0%, conforme absoluto consenso, interrompendo sequência de nove reuniões de queda da taxa. Porém, um pouco diferente do intuído pelos agentes de mercado, manteve a porta entreaberta para eventualmente produzir novos cortes, deixando alguma preocupação com a inflação em alta e principalmente com a questão fiscal. Mas também crê que a alta da inflação é temporária, com a taxa subjacente bem ancorada.

Os investidores não gostaram muito da coletiva do presidente do Fed Jerome Powell, com o Fomc também mantendo a política monetária estabilizada. A Bovespa encerrou o dia em queda de 0,62%, com índice abaixo dos 100 mil pontos em 99.675 pontos (próxima da mínima do dia), dólar em queda de 0,83% e cotado a R$ 5,239. O Dow Jones ainda encerrou em alta pequena de 0,13% (chegou a subir mais de 1,10%) e o Nasdaq com pressão nas empresas de tecnologia, em queda de 1,25%.

Hoje foi dia de o BoJ (o BC japonês) manter também a política monetária estabilizada, com taxa de depósito e juros em -0,10% e dos títulos JGB com taxa próxima de zero. Também melhorou sua avaliação sobre o comportamento da economia e vai manter a política monetária ultrafrouxa e compra de fundos de US$ 114 bilhões. O BoE (o BC inglês) acaba de anunciar sua decisão de manter política inalterada, o que significa juros de 0,10% e compra de ativos de 745 bilhões de libras. Mas mantém prudência em relação ao Brexit.

Na Zona do Euro, deflação anualizada confirmada para agosto de 0,2%, pelo CPI (consumidor). Já o candidato Joe Biden declarou que a Irlanda do Norte não pode ser vítima do Brexit e em seu governo o acordo com o Reino Unido ficaria em xeque. Donald Trump também falou muito durante a noite. Disse que vacinas podem estar prontas para aplicação em outubro ou um pouco mais tarde, que a Organização Mundial do Comércio (OMC) foi criada para levar dinheiro e emprego para outras nações (citou a China) e que Republicanos e Democratas podem estar próximos de acordo sobre pacote de estimulo fiscal.

No mercado internacional, dia de petróleo novamente em alta (depois de queda na madrugada), com valorização de 0,15% e barril cotado em US$ 40,22. O euro era transacionado em queda para US$ 1,18 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,66%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, hoje leilões de LTNs, NTNs-F e LFTs, bom teste depois do Copom e para avaliar rolagens de dívidas. O IPC da Fipe da segunda quadrissemana de setembro mostrou alta para 1,05%, vindo de 0,91%. Já no plano político não durou nem 24 horas e Bolsonaro autorizou estudos sobre novo Renda Brasil, tocado pelo Congresso. O governo também estuda cortes na área de educação, programas sociais e agricultura; para viabilizar recursos para obras do Pró-Brasil.

Na agenda do dia, teremos o índice de atividade industrial da Filadélfia de setembro, construções de novas residências e permissões de agosto e os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior. A expectativa é de Bovespa começando em queda, mas podendo tentar recuperação, dólar mais forte e juros ajustando para Copom, principalmente nos títulos de curto prazo.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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