Bolsonaro acena à autopreservação

Presidente não confronta mercado, mas tenta manter obras e auxílio.

Conjuntura / 21:01 - 12 de ago de 2020

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Pressionado pelo mercado financeiro, o presidente Jair Bolsonaro fez novo aceno à permanência de Paulo Guedes e sua agenda de reformas ultraliberal em declaração à imprensa na área externa do Palácio da Alvorada, ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O ministro da Economia também estava presente, assim como dois ministros que se contrapõem à austeridade radical: o da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Tarcísio e Marinho, assim como alguns ministros do núcleo militar, defendem uma agenda de obras para ajudar a recuperação da economia. O valor defendido por eles é modesto: R$ 35 bilhões. Mas a simples menção de que esta despesa poderia ser incluída no orçamento emergencial, que não sofre com os limites do Teto de Gastos, fez de Guedes porta-voz do mercado financeiro: o processo de impeachment de Bolsonaro poderia voltar à pauta.

O presidente, ao apoiar formalmente Guedes, reconhece suas fraquezas. Por outro lado, ao fazer a declaração acompanhado de Tarcísio e Marinho, mostrou que não pretende ver seu governo naufragar precocemente. Inauguração de obras e manutenção de alguma renda emergencial são pontos que impedem uma maior fuga de apoiadores do presidente.

Também estavam presentes o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO); o deputado Vitor Hugo (PSL-GO); o líder do Progressista na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL); e o deputado Ricardo Barros (PP-PR), escolhido novo líder do governo no Congresso. Os dois últimos dão próceres do Centrão, o grupo que busca cargos e verbas públicas e que esteve envolvido nos maiores escândalos de corrupção e desvio de dinheiro nos últimos anos.

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