Bolsonaro culpa esquerda pela debandada de libertais

Presidente diz que Estado está inchado e defende privatização

Conjuntura / 22:16 - 12 de ago de 2020

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No começo da noite desta quarta-feira o presidente Jair Bolsonaro reuniu seu ministério e os presidentes do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia para, em pronunciamentos oficiais, repassar para a opinião pública a mensagem de concordância entre Executivo e Legislativo quanto a necessidade da manutenção do teto de gastos.

Nos três pronunciamentos não se falou sobre os desabafos feitos no dia anterior pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre teto de gastos, reformas e programa de privatização, a tal ponto que deixou claro que o presidente Bolsonaro poderia entrar numa nuvem cinzenta e até sofrer um processo de impeachment. Sua irritação foi motivada pela debandada da equipe de liberais montada no período da campanha eleitoral de Bolsonaro. Até esta quarta-feira o número dos que saíram já chega a 9. Durante a cerimônia realizada no Palácio do Planalto o ministro da Economia, foco de tod0 aparto emergencial, ficou calado.

 

Culpa é da esquerda

 

Mas para o presidente da República, “os desafios burocráticos do Estado brasileiro são enormes e o tempo corre ao lado dos sindicatos e do corporativismo e partidos de esquerda. O Estado está inchado e deve se desfazer de suas empresas deficitárias, bem como daquelas que podem ser melhor administradas pela iniciativa privada”, escreveu em publicação nesta quarta-feira nas redes sociais.

A mensagem foi publicada com uma foto de Bolsonaro com os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Para o presidente, “num orçamento cada vez mais curto”, é normal os ministros buscarem recursos em outras fontes para obras essenciais. “Contudo, nosso norte continua sendo a responsabilidade fiscal e o teto de gastos”, afirmou.

Bolsonaro afirmou ainda que privatizar uma empresa “está longe de ser, simplesmente, pegar uma estatal e colocá-la numa prateleira para aquele que der mais 'levá-la para casa'”. “Para agravar o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, em 2019, que as privatizações das empresas 'mães' devem passar pelo crivo do Congresso”, escreveu.

 

Demissão

 

Na terça-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou que o secretário especial de Desestatização, Salim Matar, e o secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão dos cargos. O motivo seria a insatisfação de Mattar com o ritmo das privatizações de estatais. No caso de Uebel, o ministro disse que a motivação seria a falta de andamento da reforma administrativa.

Para Bolsonaro, todos os que deixam o governo voluntariamente “vão para uma outra atividade muito melhor”. “Em todo o governo, pelo elevado nível de competência de seus quadros, é normal a saída de alguns para algo que melhor atenda suas justas ambições pessoais”, justificou.

 

 

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