Bolsonaro é ruim ou péssimo para 50%

No Twitter, presidente abarcou, esta semana, 52,6% em termos de menções; e Lula 23,9%; os demais pré-candidatos não conseguiram 8%.

Nesta sexta-feira, segundo levantamento do Modalmais, com dados da inteligência artificial da AP Exata, apurados e em 145 cidades de todos os estados brasileiros, o percentual de pessoas que avaliam a gestão como ruim/péssima é de 49,4%; 27,9% consideram o governo bom/ótimo e 22,7%avaliam como regular.

Apesar dos movimentos políticos intensos que marcaram as últimas semanas no Brasil, o cenário político-eleitoral se mostra pouco vulnerável aos movimentos de rua que têm ocorrido. Conforme já tínhamos verificado por meio dos dados, nas redes a variação foi pequena, mesmo diante dos protestos.

Bolsonaro conseguiu estrategicamente estimular sua militância a ir às ruas e demonstrar força ao manter seus apoiadores mesmo após recuar dos ataques ao STF e a Alexandre de Moares, mas revelou uma grande dificuldade de ampliar sua bolha de influência.

O centro segue como coadjuvante, emaranhado em sistemas partidários, que tanto bolsonaristas quanto lulistas deixaram de lado.

Os dois polos passaram a retroalimentar uma polarização, que tem se acentuado e que é vantajosa para esses dois grupos deixarem vedada a entrada do chamado centro na disputa eleitoral, que, nas redes, já se iniciou.

O índice de reprovação do governo Bolsonaro de mantém percentuais próximos aos 50%. Em relação à semana passada, houve pequenas variações decimais, o que revela um quadro de estabilidade dos números, apesar dos acontecimentos políticos que têm marcado o mês de setembro. Isso revela uma cristalização em torno das bolhas tanto do apoio, quanto da oposição ao presidente da República.

A semana na Comissão de Inquérito no Senado trouxe desenvolvimentos importantes quanto ao alegado envolvimento de Ricardo Barros e a Precisa Medicamentos em esquemas de corrupção na aquisição de vacinas. Até o Ministério da Economia foi acusado de aceitar notas de crédito de forma indevida, levantando suspeitas de que o esquema de propinas abarca várias esferas do governo.

Reportagem da Globonews também a presentou denúncias de que médicos da Prevent Senior foram coagidos a prescreverem o “kit Covid” indiscriminadamente a pacientes, mesmo sem teste positivo para Covid-19.

Mensagens indicando que pacientes e familiares não deveriam ser informados de que faziam parte de testes com cloroquina e outros medicamentos levaram os internautas a comparar a operadora de saúde com o médico nazista Josef Mengele.

Em termos de menções aos presidenciáveis no Twitter, Bolsonaro abarcou, esta semana, 52,6% e Lula 23,9%. Os demais pré-candidatos não conseguiram ultrapassar os 8% de menções, revelando uma clara dificuldade do centro em ampliar seu capital político.

A indicação de André Mendonça ao STF tem sido vista como frágil, a partir da estratégia de Davi Alcolumbre de não pautar a sabatina do ex-ministro. Mendonça nunca foi unanimidade entre bolsonaristas e conta basicamente com evangélicos para pressionar o Senado, o que não parece estar sendo suficiente para garantir o andamento do processo. Alguns analistas acreditam que o nome de Augusto Aras tem se fortalecido e agradaria, inclusive, ao presidente da República, mas, oficialmente, o nome de André Mendonça se mantém, mesmo enfraquecido.

A contestação ao plano de vacinação ganhou novo capítulo após o Ministério da Saúde anunciar interrupção na vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos, sem comorbidades. Especialistas disseram não entender a mudança na recomendação, uma vez que o grupo, não sendo prioritário, é relevante na contenção de surtos. Internautas acusaram o ministro Marcelo Queiroga de procurar subterfúgio para esconder a falta de doses da vacina da Pfizer, única aprovada para uso neste grupo. O ministro havia confirmado, no dia anterior, que o Brasil não tem escassez de imunizantes, mas o recuo na vacinação de jovens, quando muitos já têm a primeira dose, foi associado ao condicionamento de doses para outros grupos.

A live presidencial, com presença de Queiroga, provocou novos protestos nas redes. Jair Bolsonaro voltou a menosprezar a vacina Coronavac e a mencionar o tratamento com ivermectina. Opositores acusaram presidente e ministro de estimularem campanha antivacinas. Queiroga foi comparado a Pazuello.

As previsões macroeconômicas para o Brasil têm sido negativas, sobretudo no que diz respeito à inflação e PIB. As redes cada vez mais responsabilizam Paulo Guedes, sem que a militância bolsonarista demonstre qualquer intenção de defender oministro, uma vez que ela evita entrar em debates econômicos.

O preço da gasolina tem sido um dos pontos de maior contestação nas redes.

O discurso governista, adotado pelo presidente da Petrobras, de que a culpa seria do ICMS estadual, perdeu força e o internauta comum tem atribuído a alta dos combustíveis ao governo. As redes e grupos de WhatsApp têm sido terreno fértil para especulações sobre a saída de Guedes do governo. A narrativa é que o Centrão estaria insatisfeito com o ministro e teria preferência por Campos Neto.

A semana chegou a ser muito positiva, com o rompimento da barreira de 40% de menções positivas em dois dias consecutivos. Nesta sexta-feira, as menções positivas despencaram para 35%. Novas falas polêmicas sobre vacinas e uso de medicamentos sem comprovação científica causaram onda de críticas a Bolsonaro.

O pagamento de precatórios segue envolvido em incertezas, com duas possíveis saídas: retirada da despesa do teto de gastos ou acordo para parcelar pagamentos.

Liberais e opositores manifestam desagrado como a questão tem sido dirigida, retirando credibilidade à condução econômica do país. O anúncio do governo de que aumentariao IOF para financiar o novo Bolsa Família desagradou analistas, que lembraram a promessa do presidente de não aumentar os tributos e disseram que Bolsonaro está agindo de forma populista, preocupado com a sua reeleição.

A direita não bolsonarista acusa-o de usar programas sociais que criticava para obter votos, assemelhando-se ao PT. Muitos ironizam a estratégia, questionando onde estaria a proposta de “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”.

A confiança chegou a rivalizar com medo e tristeza no meio da semana, mas voltou a cair na sexta.

Leia também:

Impopularidade de Bolsonaro aumenta também entre evangélicos

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