Bolsonaro janta com a Globo

Comentários nas ruas e nas redes sociais dizem que Jair Bolsonaro “jantou” a Globo na entrevista na noite desta...

Comentários nas ruas e nas redes sociais dizem que Jair Bolsonaro “jantou” a Globo na entrevista na noite desta terça-feira, no Jornal Nacional. Falta uma preposição na análise. O ex-militar “jantou” COM a Globo. No fundo, o candidato e a rede de mídia comungam de pensamentos e práticas semelhantes. Apenas, o grupo da Família Marinho tenta aparentar uma certa etiqueta que Bolsonaro simplesmente ignora, para êxtase de seus fãs.

Fica difícil para William Bonner e Renata Vasconcellos – noves fora suas limitações profissionais – questionarem Bolsonaro, por exemplo, sobre seu apoio à ditadura militar, pois esteve o jornal O Globo, apesar de diminuto à época, na linha de frente dos que sustentaram o golpe. O grupo cresceria de forma meteórica durante o regime militar – a TV seria fundada 25 dias após o golpe, e galgou para a liderança sob os auspícios dos governos pós-64.

Também não há como cobrar de Bolsonaro que o candidato, que se diz privatista, sempre viveu à sombra do Estado, como aluno dos colégios militares, membro do Exército e deputado por 27 anos (diga-se de passagem, com resultados muito abaixo da média em todos os ambientes). De 2000 a 2016, o grupo Globo recebeu R$ 10,6 bilhões em publicidade federal.

E como poderiam os apresentadores do jornal dos Marinho apertar Bolsonaro sobre a reforma que suprimiu direitos trabalhistas, se a Globo comandou o apoio da mídia às mudanças perpetradas pelo Governo Temer? Como questionar sobre a pejotização, se isso é prática antiga no grupo?

Restou à Globo bater na tecla de questões sociais. Nesta seara, grande parte da sociedade não concorda com as teses defendidas pela emissora do plim-plim. Mais uma arena para Bolsonaro nadar de braçada.

 

Última esperança

As últimas pesquisas comprovam que nomes mais badalados na mídia nos dias anteriores às entrevistas nas ruas levam vantagem. João Amoêdo, do Novo, foi um dos beneficiados. Comentado por sua fortuna investida em papelório público, ele conseguiu sair do traço e alcançar 1% no Ibope.

Foi o suficiente para que a grande mídia iniciasse uma cobertura à campanha de Amoêdo desproporcional a seu peso político. Outros candidatos, como Boulos e Eymael, que também aparecem com 1%, são ignorados. Cobertura igual só para Meirelles – tal como o presidenciável do Novo, um ex-banqueiro.

Amoêdo surfa na onda e é um dos três candidatos a impulsionar conteúdo no Facebook, ao lado de Meirelles e Boulos. Após início oficial da campanha, o candidato do Novo lidera engajamentos no Facebook, à frente de Lula e Bolsonaro, aponta a FGV DAPP.

Desde 16 de agosto até a última segunda-feira, a página oficial de Amoêdo na rede mobilizou quase 4,9 milhões de curtidas, comentários, reações e compartilhamentos – volume mais de 50% superior ao de Lula, que foi o segundo colocado no período.

De acordo com dados divulgados pelo Facebook, o candidato do Novo impulsionou 18 anúncios até o momento, com investimentos situados em faixa de R$ 1 a R$ 10 mil cada (o Face não informa o valor exato). No Twitter, Amoêdo não consegue apresentar o mesmo resultado, sendo o sexto candidato em volume de menções na rede.

 

Desvendando o ‘embromês’

Com ajuda dos leitores, a coluna vai traduzir algumas expressões utilizadas com insistência pela grande mídia para embromar o público. Participações pelo e-mail [email protected] A primeira colaboração é de Pedro Pinho:

CORRUPÇÃO – Há duas corrupções: a que coloca, de alguma maneira e indevidamente, dinheiro no bolso, e a que vende o Brasil para o estrangeiro. Os deputados, em geral, estão na primeira. Há exceções, como os deputados que entregaram, em manobra no Congresso, 20 bilhões de barris de petróleo, descobertos pela Petrobras, para as empresas estrangeiras produzirem e lucrarem. Mas a segunda corrupção é a que maior prejuízo causa ao país e a todos nós, pois elimina emprego, aumenta a dívida e tira investimentos no Brasil. Para esta, porém, os jornalões fazem vista grossa.

 

Rápidas

A FGV EPGE realiza o seminário “Missões Religiosas e Educação Básica no Brasil”, nesta sexta. Informações: http://epge.fgv.br/conferencias/missoes-religiosas-e-educacao-basica-no-brasil-2018/ *** No domingo, o Shopping Grande Rio realiza a 4ª edição do Encontro de Carros Antigos e Tunados, das 13h às 18h *** O escritório BVA anuncia agora a chegada de Thiago Spinola Theodoro como novo sócio da área tributária. Thiago dividirá a atividade com o cargo de procurador do Município de São Paulo para assuntos tributários.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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