Bolsonaro libera igrejas de confinamento: 'atividade essencial'

Em decreto, além de 'atividades religiosas de qualquer natureza', lotéricas também poderão abrir as portas.

Política / 11:16 - 26 de mar de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Edir Macedo e Bolsonaro, durante visita ao templo de Salomão, em setembro de 2019 (Foto: Alan Santos/PR)

 

Em decreto, além de 'atividades religiosas de qualquer natureza', lotéricas também poderão abrir as portas.

 

Bolsonaro libera igrejas de confinamento: 'atividade essencial'

O presidente Jair Bolsonaro definiu outras atividades e serviços essenciais que devem funcionar durante a emergência de saúde pública decorrente do novo coronavírus, mesmo com a adoção de medidas de isolamento e de quarentena pelas autoridades. Entre eles estão as unidades lotéricas e as atividades religiosas de qualquer natureza.

O Decreto nº 10.292/2020 com a ampliação da lista foi publicado hoje no Diário Oficial da União. A primeira lista foi definida pelo Decreto nº 10.282/2020, na semana passada. Pelo texto são serviços e atividades essenciais aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população.

Além de lotéricas e igrejas, o governo incluiu nessa categoria a fiscalização do trabalho, atividades de pesquisa relacionadas com a pandemia de covid-19 e as atividades jurídicas exercidas pelas advocacias públicas, relacionadas à prestação regular e tempestiva dos serviços públicos.

O Brasil já registrou 57 mortes e 2.433 casos da doença provocada pelo novo coronavírus.

Em publicação no Twitter, Bolsonaro destacou que, no Brasil, existem 12.956 casas lotéricas e 2.463 se encontram fechadas por decretos estaduais ou municipais. "Para que possam funcionar em sua plenitude, atualizei, nessa data, o Decreto 10.282" escreveu.

Já o economista Marcio Pochmann, em seu Twitter, criticou, dizendo que "ao pressionarem pelo fim da quarentena sob o argumento de que o trabalhador em casa faz a economia parar, os donos do dinheiro revelam didaticamente no Brasil quem é essencial para gerar riqueza, depois quase sempre desprezado na hora de reparti-la."

Em nota oficial, a Força Sindical chamou de "irresponsabilidade governamental" as palavras de Bolsonaro em cadeia nacional na terça-feira.

"O presidente foi imprudente ao dizer que no combate ao coronavírus o isolamento social não é necessário para a maioria da população, na verdade ele coloca em risco a vida e a saúde de todos os brasileiros: bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos. Inadmissível o presidente da República ir na contramão de todas as orientações mundiais de Saúde, inclusive as de seu Ministério da Saúde, e negar todas as evidências, os fatos e as notícias sobre o número crescente de casos e mortes ocorridas no Brasil e no mundo todo", diz o texto, assinado por Miguel Torres, presidente da central sindical.

No Rio, em nota, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) negou veementemente que vá reabrir o comércio da cidade. Os únicos estabelecimentos que poderão voltar a funcionar a partir de sexta, mas "sem aglomerações, são as lojas de conveniência, porque vendem alimentos e produtos de limpeza e higiene, e as de material de construção, por oferecerem equipamentos de proteção individual, necessários à população neste momento em que vivemos. Nenhum outro tipo de lojista está autorizado a abrir as portas e, nos próximos 15 dias, a orientação é para seguir rigorosamente o período de afastamento social."

 

Com informações da Prefeitura do Rio e da Agência Brasil

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor