'Bolsonaro se mostrou inimigo do povo brasileiro'

Ex-presidente da Caixa aponta atual gestão como um grave risco para instituições públicas.

Política / 13:18 - 22 de jun de 2020

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"No Brasil de hoje, há uma luta que é maior e mais abrangente. Isso requer o envolvimento de todos que acreditam na democracia e na justiça social. Trata-se do 'Fora, Bolsonaro', por tudo de nefasto que sua gestão representa. O presidente da República se mostrou inimigo do povo brasileiro".

A análise é de Maria Fernanda Ramos Coelho, que presidiu a Caixa Econômica Federal entre 2006 e 2011. Foi a primeira mulher a ocupar o cargo desde a criação da instituição, em 1861. Maria Fernanda também foi superintendente nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, área responsável pelas estratégias e desenvolvimento empresarial do banco. A ex-presidente da Caixa, empregada concursada desde 1984, atualmente aposentada, denuncia as intenções do governo Bolsonaro de retirar recursos do banco e de tentar abrir seu capital, com o propósito de vendê-lo em seguida. "A Caixa é fundamental para financiar crédito e políticas sociais", declara.

Para que o país não abdique do futuro, Maria Fernanda defende a manutenção da Caixa 100% pública, "patrimônio dos brasileiros que não pode ser destruído" Segundo ela, como o Brasil é muito desigual, o desafio é buscar, ainda por muitos anos, a democratização do acesso ao crédito, bens e serviços.

"Vivemos uma crise muito grave, na medida em que essa situação abarca vários aspectos: o político, o social, o ambiental e o de saúde. Do lado institucional, um Governo Federal no qual a única preocupação do presidente é agredir as instituições, intimidar a imprensa, militarizar o governo. Já são quase três mil militares ocupando cargos nos ministérios. Trata-se de um total descaso para com a saúde das pessoas, o que debocha da dor de quem perde seus familiares e amigos."

Segundo ela, a Covid-19 escancarou toda a irresponsabilidade do Governo Federal, traduzida na troca de dois ministros da Saúde em menos de três meses.

"Hoje, para se ter uma ideia da gravidade dessa postura governamental, já passamos de 45 mil mortos e são centenas de milhares de infectados. Os indicadores apontam que são mais de 10 milhões de trabalhadores que já tiveram o contrato de trabalho suspenso ou reduzido, somados a um milhão de pedidos de seguro-desemprego. Com base na expectativa de queda do PIB em torno de 7%, as projeções dos analistas é de que o Brasil, ante a ausência de políticas públicas, será um dos países com maior dificuldade de recuperação pós-pandemia."

Segundo Maria Fernanda, privatização significa abdicar do futuro. "Está mais do que claro para a sociedade brasileira a importância do SUS na pandemia e da Caixa Econômica Federal, uma instituição pública e com caráter social. O auxílio emergencial é um exemplo disso. Uma ação dessa magnitude não aconteceria em um banco privado. Tanto que, até hoje, nenhum deles teve qualquer ação substantiva na pandemia. Sequer ofertar crédito para as pequenas e médias empresas a bancada financeira privada está fazendo. Portanto, é uma afronta ao povo brasileiro o governo continuar a falar na privatização das empresas públicas, em especial os bancos públicos, como fez Paulo Guedes na reunião do dia 22 de abril com o presidente da República".

Na última sexta-feira, foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução 134/2020, que qualifica no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e inclui no Plano Nacional de Desestatização (PND) o serviço de loteria Apostas de Quota Fixa. Com isso, as apostas esportivas, modalidade lotérica em que apostadores tentam prever resultados de jogos, poderão ser transferidas para a iniciativa privada. O serviço, até agora exclusivo da União, poderá ser transferido à iniciativa privada mediante processo de concessão ou autorização, informou hoje o Ministério da Economia.

 

Com informações da Agência Brasil

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