Bolsonaro segue com popularidade negativa, sem sinais de recuperação

A anulação das condenações do ex-presidente Lula antecipou o debate eleitoral. Diante das mudanças no tabuleiro político, o governo passou a enfatizar a defesa da vacina contra a Covid, o que foi visto como uma mudança de postura.

A volta de Lula à condição de presidenciável tem sido vista com desconfiança por liberais, devido à postura dele contra privatizações e também por conta da possibilidade de haver reestatizações de subsidiárias da Petrobras, algo que ficou nas entrelinhas do discurso do ex-presidente.

Assim, o apoio do mercado a Jair Bolsonaro ganhou uma sobrevida, após ter ficado estremecido com a guinada populista do presidente da República.

Espera-se que o governo avance com as reformas e com as privatizações, para contrapor a ideia estatizante do PT.

Mas, em termos políticos, as redes se mostraram mais condescendentes com Lula, revelando que o eixo de combate à corrupção das eleições de 2018 mudou para um viés mais econômico e de valorização da saúde.

Internautas passaram a comparar a economia no governo Lula com a atual situação do país. A crise sanitária e a percepção da inflação têm um peso significativo na reprovação de Bolsonaro.

A popularidade do governo mantém a tendência negativa, sem sinais de recuperação. Mas também sem grandes oscilações em relação à semana anterior, apesar dos movimentos políticos dos últimos dias. O percentual de pessoas que avaliam a gestão como ruim/péssima é de 43,4%; 31,2% consideram o governo bom/ótimo e 25,5% avaliam como regular.

Os sucessivos recordes em número de mortes causados pela Covid-19 e os relatos de falta de leitos de enfermaria e UTI em diversos estados levaram a pandemia a um novo patamar, na visão dos internautas. O medo voltou e as medidas restritivas têm conseguido mais apoio, apesar de um lockdown (confinamento) total se manter sem defesa das redes. Muitos internautas acreditam que as previsões de 3 mil mortes/dia irão se concretizar.

É dominante a narrativa de que a solução são as vacinas, até mesmo para impedir o surgimento de novas variantes. O ministro Eduardo Pazuello está sendo cobrado e considerado incapaz de dar resposta à crise, sobretudo devido às várias reduções da previsão de vacinas disponíveis em março.

O ministro se mantém no cargo, mas já não possui credibilidade junto aos internautas de vários espectros ideológicos.

Com a percepção de inação do governo em relação ao combate à corrupção política, e como retorno de Lula, os defensores da Lava Jata se voltaram para Sergio Moro. O ex-juiz tem sido colocado como uma terceira via e ganhou impulso para disputar a cadeira de presidente da República.

Lava-jatistas estão promovendo uma eventual chapa Moro/Mandetta. Outros nomes do Centro perderam espaço nas narrativas políticas desta semana.

As críticas ao PT se intensificaram, estimuladas pela militância bolsonarista, com muitas publicações lembrando os escândalos de corrupção nos governos do PT.

No entanto, com o fim da Lava Jato sendo atribuído também ao governo, essas narrativas perderam a capacidade de impulsionar o presidente da República.

A ideia de um golpe está sendo bastante comentada nas redes, sobretudo após o Clube Militar criticar a decisão do ministro do STF, Edson Fachin , obre Lula e após ter sido publicado no site da instituição um artigo que falava na possibilidade de uma “ruptura institucional”. As teorias da conspiração sobre a possibilidade de um golpe ser arquitetado ganharam força também com a declaração do presidente da República, feita nesta quinta-feira em sua live semanal, de que “é fácil impor uma ditadura no Brasil”

Governistas criticaram a imprensa e disseram que a fala do presidente da República foi distorcida para prejudicá-lo. Apesar da negação, a militância bolsonarista começou a marcar, para este domingo (14) manifestações em portas de quartéis de várias regiões do país, pedindo intervenção com o presidente Bolsonaro no poder.

Quando o assunto é inflação, a alta de 1,95% na primeira prévia de março do IGP-M e avanço do IPCA, levaram analistas a prever alta da Selic já na próxima semana. Existem perfis críticos da medida, pois acreditam que esse deve ser um último recurso. Lamentam o que consideram a deterioração do tecido industrial do país e a perda da posição na economia global.

Existe um descontentamento geral das pessoas com a alta dos preços, servidores públicos que tiveram reajuste suspenso com novas medidas da PEC Emergencial disseram que decisão é insustentável com inflação neste patamar.

Entendimento é de que o BC deva aumentar a Selic em pelo menos 0,5 ponto porcentual

Já a aparente intervenção do governo para desidratar a PEC Emergencial, como resposta à pressão das forças policiais, não agradou o mercado, que receia o impacto na responsabilidade fiscal. Existe a ideia de que o “fator Lula” pode exacerbar os arroubos populistas de Bolsonaro e que Paulo Guedes tem encontrado dificuldades em controlar a política econômica.

A militância bolsonarista está investindo novamente na narrativa de que as urnas eletrônicas não são confiáveis. Hashtags como #votoimpresso estão recuperando espaço nas redes. A notícia de que Bolsonaro teria pedido a Arthur Lira a criação de uma comissão especial para avaliar a volta do voto impresso circulou de forma viral entre a militância governista.

Leia mais:

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