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sexta-feira, janeiro 15, 2021

Bom pagador

Para adoçar o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) de 8% para 9%, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, criou o que ele chamou de “diferencial”: a pessoa jurídica que, durante os últimos cinco anos, não questionou nenhuma cobrança na Justiça, não atrasou o pagamento de impostos e não foi punida pelo fisco, terá um bônus que corresponde ao ponto percentual que aumentou na CSLL. Já se prevê nova enxurrada de processos contra essa discriminação.

Nordeste
A respeito de nota publicada nesta coluna na quinta-feira sobre os surpreendentes números das pesquisas – surpresa compartilhada por Janio de Freitas, em coluna no mesmo dia e página – um leitor acrescenta algumas observações interessantes. O espantoso crescimento do candidato oficial José Serra no Nordeste, onde pulou de 8% para 17%, segundo o Ibope, ocorreu na mesma semana em que o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati abandonava o barco tucano e desembarcava na campanha do seu antecessor, Ciro Gomes. Enquanto Serra, com esse aparente desfalque, mais que dobrava suas intenções de voto, Ciro perdia cinco pontos (teria, segundo ainda o Ibope, 24%). O Ceará é o terceiro estado com maior número de eleitores no Nordeste (perde para Bahia e Pernambuco, nessa ordem).
O leitor ficou imaginando de onde teriam saído os votos do tucano: ACM, cacique baiano, continua firme com o candidato da Frente Trabalhista; em Pernambuco, Serra tem menos que um apoio formal do governador Jarbas Vasconcelos. O quarto estado nordestino em número de eleitores é o Maranhão – lá, o clã Sarney optou por Lula. Nestes quatro estados estão cerca de 22 milhões de eleitores; nos demais, pouco mais de 8,7 milhões – praticamente o mesmo número que a Bahia tem sozinha (entre fantasmas e reais, 8,5 milhões).
As hipóteses oscilam entre uma revolta generalizada contra o coronelismo e a adesão em massa estados menos populosos à candidatura tucana. Não é nada, não é nada, os nove pontos percentuais ganhos por Serra equivalem a mais de 2 milhões de votos.

Cofre forte
Leonel Brizola, candidato ao Senado pelo PDT no Rio de Janeiro, acaba de dar entrada em Brasília, no Superior Tribunal Federal (STF), em uma ação para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seja obrigado a apresentar cópia do contrato que celebrou com a Unisys – a empresa de informática que vai operar as 409 mil urnas eletrônicas que serão usadas nas eleições gerais de seis de outubro – no valor de R$ 97,03 milhões. Em julho último, rotineiramente, o partido de Brizola solicitou ao TSE cópia do documento – que é público; entretanto a mais alta corte eleitoral do país ainda não forneceu o contrato.

Pizza de mandioca
De olho no crescimento do mercado mundial de alimentos, os industriais do segmento de fécula e amido de mandioca participam da Food Ingredientes (Feira Internacional de Ingredientes para a Indústria Alimentícia), que acontece entre esta segunda e quarta-feira, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, no estande da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam). As indústrias miram nos setores de carne, biscoitos, massas e panificação. Hoje existe amido de mandioca (até 20%) no pão e até na pizza (até 40%). Segundo estudos do Instituto Cepa, de Santa Catarina, a demanda por fécula (polvilho azedo e amido industrial) deve continuar crescendo.

Respeito
Mais uma da série “contrato só vale para garantir direitos das privatizadas”: o governo estuda a possibilidade de suspender temporariamente as normas que impedem a concentração de empresas no setor de energia para facilitar a venda das distribuidoras que estão em dificuldades. O mesmo mote deve ser usado para adiar obrigações de concessões de ferrovias, conforme essa coluna comentou na sexta-feira.

Poder
Dando como favas contadas a derrota do candidato governista, o ministro Pedro Malan está fazendo campanha para manter Armínio Fraga na presidência do Banco Central “pelo menos até março de 2003”. A desculpa é “reduzir a turbulência do mercado”. Pelo visto, neoliberalismo não combina com democracia.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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