Bomba relógio

A crítica do redator-chefe da Forbes Magazine, Steve Forbes, ao excesso de emissão de moeda pelo Federal Reserve (Fed) é corroborada pelos argumentos de Mike Whitney, em seu site. O banco central dos EUA não divulga mais o M3, indicador de base monetária que reúne moeda em poder do público, contas correntes e de poupança, depósitos de curto prazo, certificados de depósitos bancários, depósitos de eurodólares e acordos de recompra. Segundo Whitney, em nota publicada no boletim semanal Resenha Estratégica, é possível medir o M3 olhando-se isoladamente seus componentes. E esses dados mostram que o Fed está bombeando a oferta de moeda mais ampla a uma taxa espantosa de 11,8% ao ano.
Segundo Steve Forbes, o erro pode ser observado pela cotação do ouro. O preço da onça do metal, que há três anos era US$ 400, hoje se encontra em US$ 657. “Está inflacionado. Apesar do aumento dos juros, o Fed ainda emite moeda demais. É como dirigir com um pé no freio e outro no acelerador”, alertou.

Empresa x imprensa
O comportamento de manada da imprensa tupiniquim na condenação ao fechamento da RCTV, na Venezuela, poderia induzir um marciano recém-chegado à Terra a abraçar a idéia de que os veículos que vociferam contra a não-renovação da concessão têm a legitimar essa cruzada o papel desempenhado na defesa da liberdade de imprensa nas duas décadas de obscurantismo que se abateu sobre o Brasil a partir de 1964. No entanto, apenas nosso marciano poderia ser mostrar tão crédulo.
Quem leu, viu e ouviu como a imprensa local se comportou em relação ao golpe que derrubou o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, identificou a mesma deontologia jornalística com que esses veículos se comportaram durante a ditadura militar brasileira. E pode concluir, com os pés na Terra, que a imprensa neodemocrata confunde a defesa da liberdade das empresas de jornalismo com a liberdade de os cidadãos serem informados sobre o conjunto de fatos mais relevantes que, de alguma forma, afetam sua vida e seu futuro.
Somente o recurso àquela lente seletiva permite não qualificar como censura a decisão da RCTV de sonegar a seus telespectadores as massivas manifestações populares pela volta de Chávez ao poder, bem como que, vencidos os golpistas, o presidente retornara ao Palácio. Nesse momento marcante para a história venezuelana, a RCTV exibia desenhos animados! Tal comportamento golpista resultou, inclusive, no pedido de demissão de Andrés Izarra, então gerente do telejornal de maior audiência da emissora e daquele país, o El Observador.
Ex-editor da versão em espanhol da CNN , Izarra deixou a RCTV, em 13 de abril de 2002, um dia após o empresário Pedro Carmona se autoproclamar presidente. O jornalista justificou o afastamento dizendo estar sob “extremo estresse emocional”. Estado emocional explicado por, segundo ele, ter recebido instruções explícitas de não exibir “qualquer informação sobre Chávez, seus seguidores e seus ministros”.
Mas a condenação a esse tipo de censura não consta dos manuais de redação nem dos defensores da liberdade das empresas venezuelas nem das tupiniquins.

B5
Durante os próximos quatro meses, 3 mil ônibus que circulam na Região Metropolitana do rio de Janeiro vão funcionar com 5% de biodiesel misturado ao combustível tradicional, o diesel. O projeto une Fetranspor, BR Distribuidora, Mercedes Benz, Volkswagen e Secretaria estadual de Transportes. O secretário Julio Lopes garante que é o maior projeto experimental com biodiesel no transporte público do Brasil.
O setor de transporte, em todo mundo, é responsável por cerca de 24% do dióxido de carbono (CO2) lançado na atmosfera, segundo dados da Agência Internacional de Energia. A participação das frotas das grandes cidades na emissão de gases aumenta 2,5% a cada ano. Nos países em desenvolvimento, essa taxa é maior ainda, chegando a 4,4% ao ano.

Falta pão
A instabilidade na produção brasileira de trigo – este ano deve registrar uma queda de 35% em relação às safras de 2005 e de 2006 – e as estimativas que indicam uma redução da produção também dos grandes exportadores, como Estados Unidos e Argentina, causada por problemas climáticos, estão entre as bases para aprovação da adição farinha de mandioca à farinha de trigo e seus derivados adquiridos pelo poder público. O parecer do senador Marconi Perillo (PSDB-GO) ao projeto de lei que veio da Câmara foi aprovado na noite de terça-feira. O projeto vai agora à Comissão de Assuntos Econômicos. Para virar lei, precisa ser aprovado também pelo Plenário do Senado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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