Boom de crédito pode resultar em crise financeira

Em meio à forte contração da atividade econômica causada pelos lockdowns e pelo distanciamento social durante a pandemia, as autoridades tomaram medidas para assegurar que as empresas e as famílias continuassem a ter acesso aos mercados de crédito e a tomar emprestado para amortecer a retração. Muitas empresas conseguiram limitar o número de trabalhadores que precisaram demitir. E as famílias com o orçamento apertado conseguiram continuar a gastar em necessidades básicas como aluguel, serviços públicos e supermercado.

Contudo, níveis elevados ou aumentos rápidos da alavancagem podem representar uma vulnerabilidade financeira, deixando a economia mais exposta a uma futura queda acentuada da atividade ou a uma forte correção dos preços dos ativos, advertem os economistas Adolfo Barajas e Fabio Natalucci, do Fundo Monetário Internacional. Muitas crises financeiras foram precedidas por rápidos aumentos da alavancagem, comumente conhecidos como expansões ou “booms” do crédito.

A alavancagem, entendida como a capacidade de contrair empréstimos, pode ser medida como a relação entre o saldo da dívida e o PIB, uma medida aproximada da capacidade de uma economia de cumprir o serviço da dívida.

Mesmo antes da crise da Covid-19, a alavancagem no setor privado não financeiro – famílias e empresas não financeiras – vinha aumentando de forma constante em muitos países. De 2010 a 2019, a alavancagem global desse setor subiu de 138% para 152%, com a alavancagem das empresas atingindo um máximo histórico de 91% do PIB. As condições financeiras brandas na esteira da crise financeira mundial de 2008–09 foram um fator-chave para o aumento da alavancagem.

Tanto nas economias avançadas como nas de mercados emergentes, o endividamento aumentou em consequência das políticas de apoio adotadas em resposta ao choque da Covid-19. Além disso, o recuo da produção ocorrido em muitos países contribuiu para a elevação do endividamento em relação ao PIB, e a alavancagem das empresas havia aumentado mais 11 pontos percentuais do PIB até o terceiro trimestre de 2020.

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