Boris Johnson diz que sai… mas que fica

Primeiro-ministro enfrenta crise após renúncia de dois importantes ministros, seguida pela saída de outros 20 integrantes do governo.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, renunciou ao cargo de líder do Partido Conservador. Em comunicado lido do lado de fora de Downing Street, 10 (residência oficial e escritório do primeiro-ministro) no final da manhã desta quinta-feira (horário de Londres), Johnson afirmou que “ninguém é indispensável”.

Ele anunciou que estava deixando o cargo de líder do partido, mas disse que planejava permanecer como primeiro-ministro enquanto o partido escolhe seu sucessor, até meados do outono no Hemisfério Norte (primavera no Brasil).

Na quarta-feira, no Parlamento, o primeiro-ministro do Reino Unido prometeu permanecer no poder, apesar da renúncia na terça-feira de dois importantes ministros do Gabinete e da decisão de cerca de 20 ministros e assessores de também deixar seus cargos por causa de escândalos que minaram sua liderança.

Sajid Javid e Rishi Sunak renunciaram aos cargos de ministros da Saúde e do Tesouro, respectivamente, na terça-feira, em protesto contra a liderança de Johnson. Javid disse que não pode mais, “em sã consciência, continuar servindo neste governo”, enquanto Sunak criticou a falta de competência do primeiro-ministro.

Johnson enfrentou um interrogatório na sessão semanal de perguntas do primeiro-ministro (PMQs) na Câmara dos Comuns nesta quarta-feira. “O trabalho de um primeiro-ministro em circunstâncias difíceis quando ele recebeu um mandato colossal, é continuar, e é isso que vou fazer”, disse Johnson quando questionado pelos legisladores se renunciaria.

“É exatamente quando os tempos estão difíceis, quando o país enfrenta pressões sobre a economia e pressões sobre seus orçamentos e quando temos a maior guerra na Europa em 80 anos, é exatamente o momento em que você espera que um governo continue com seus trabalhar, não ir embora e continuar com o trabalho”, disse ele.

O primeiro-ministro em apuros tem lutado para salvar seu emprego por meses depois de ser pego em uma série de escândalos de manchetes. Ele se tornou o primeiro primeiro-ministro britânico na história a infringir a lei depois de receber uma multa da polícia por participar de uma festa em 2020 durante o bloqueio na pandemia.

Embora ele tenha sobrevivido a um voto de desconfiança recentemente dentro de seu Partido Conservador sobre o chamado escândalo do Partygate, 40% de seu próprio partido votou contra ele, e as forças que querem que ele vá estão ganhando força após revelações mais desagradáveis.

O último escândalo envolveu a nomeação do legislador Christopher Pincher para vice-chefe, apesar de ter sido informado de queixas formais sobre sua suposta má conduta sexual. Johnson foi à televisão para se desculpar pela nomeação de Pincher minutos antes da renúncia de Javid e Sunak.

A sequência aparentemente interminável de escândalos perseguiu Johnson e seu governo, lançando dúvidas sobre o futuro dos conservadores nas próximas eleições gerais em 2024. No mês passado, os conservadores perderam dois assentos cruciais na Câmara dos Comuns em eleições antecipadas.

O poderoso Comitê de 1922 do Partido Conservador, que organizou o primeiro voto de desconfiança contra Johnson, está prestes a mudar as regras para permitir outra votação desse tipo em breve, informou o jornal britânico “The Guardian”.

 

Matéria atualizada às 9h45 para inclusão do comunicado lido nesta quinta-feira.

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