Botes salva-vidas para a classe A

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Dinheiro - Senacon (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)
Dinheiro (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)

Nas cenas finais de Titanic (o looongo filme de James Cameron), o antagonista, típico representante da elite de nariz empinado, pega no colo uma criança pequena que nem conhecia para conseguir integrar o grupo prioritário, embarcar num dos poucos botes salva-vidas e escapar de um naufrágio de que ele duvidava.

A cena vem à memória quando vemos os altruístas empresários brasileiros e seus não menos altruístas representantes no Congresso operando para garantir vacina – para eles próprios. Tanto de forma direta e clandestina, como a descoberta em Belo Horizonte (se houver justiça no mundo, com vacinas falsas), quanto recorrendo a uma lei que usa os trabalhadores de anteparo – e a família destes como boa desculpa para vacinar parentes de donos e diretores.

Alguém imagina uma empresa com dezenas de milhares de funcionários, como um destes grandes grupos de educação, comprando vacinas (em dobro, afinal há que se dar algo para o SUS) para todos? Ou as holdings, com meia dúzia de funcionários, adquirindo os medicamentos para vacinar os diretores? (quem quiser, deixe seu palpite na caixa de comentário ao pé do texto).

O único impedimento ao fura filas oficial é que os laboratórios não têm o produto para vender para particulares. Por enquanto. Afinal, no mundo de negócios, é tudo uma questão de preço.

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Projeto

Não é por falta de provas que se confirma a lenga-lenga que é o discurso de prioridade à educação no Brasil. Mais uma surge no Rio de Janeiro. Esta semana, a justiça derrubou liminar e permitiu retorno das aulas presenciais na capital, seja na rede pública ou privada.

O mesmo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu liminar, solicitada pelo ao Ministério Público, que retira os profissionais da educação do grupo prioritário de vacinação.

Como anotou Darcy Ribeiro, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”.

 

Paridade

O especialista Marcelo Gauto computou a média mensal gasta por grandes petroleiras com cada empregado em 2020: Equinor, US$ 10.061; BP, US$ 9.300; Shell, US$ 8.837; Total, US$ 7.032; Petrobras, US$ 5.148 por trabalhador. Paridade de preços só vale para os combustíveis.

 

Rápidas

Aasp realizará nesta quinta, 17h, o webinário “Marco Legal das Startups: empreendedorismo inovador em pauta”. Inscrições: aasp.org.br/eventos *** Nesta sexta, 10h, será realizado o “GTGS Talks: reverberando discussões sobre tecnologia, sustentabilidade e governança”, apresentado pelo C4IR Brasil. O presidente da Abimed, Fernando Silveira Filho, abrirá os debates no painel “Quais Desafios as Tecnologias Emergentes Impõem à Sociedade?”, com o presidente do IPT, Jefferson de Oliveira Gomes. Em youtube.com/watch?v=cDGyMT_nsfQ *** FGV Conhecimento realizará nesta sexta, 10h, o webinário “Seguros: uma reflexão contemporânea”, com ministros do STJ e diretores da Susep. Inscrições: evento.fgv.br/mercadoseguros_09 *** Nesta quinta, 14h, o advogado João Marcos Guimarães Siqueira, sócio de Bosisio Advogados, participará de debate sobre a Lei Pelé durante a Semana Jurídica promovida pela OAB São Gonçalo, pelo site tvoitava.com

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