Bovespa em sintonia com NY

Mercados abertos aceleraram quando ventilou-se notícias de que EUA poderiam interferir na guerra de preços do petróleo.

Opinião do Analista / 10:25 - 26 de mar de 2020

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Nesta quarta tivemos o segundo dia de mercados recuperando perdas, situação que começou logo pela madrugada com o anúncio da aprovação do pacote americano pelo Congresso no montante de US$ 2 trilhões, mas com a observação do secretário Larry Kudlow de que com as intervenções do Fed chegaria próximo de US$ 6 bilhões. A Bolsa de Tóquio fechou então com alta de 8,04%, e esse processo de recuperação prosseguiu pelos demais mercados durante o dia não sem alguns pequenos sustos.

A Alemanha também confirmou seu pacote em 750 bilhões de euros, enquanto a União Europeia anunciou recursos de 2% do PIB, e ainda sugeriu que os bancos sejam mais "flexíveis" com a moratória dos afetados pelo coronavírus. O Japão divulgou que seu pacote de medidas pode atingir 56 trilhões de ienes, algo como 10% do PIB. Enquanto isso, o FMI e Banco Mundial pediam a suspensão das dívidas com países pobres.

Os mercados abertos aceleraram mais um pouco quando foram ventiladas notícias de que os EUA poderiam interferir na guerra de preços do petróleo entre a Arábia Saudita e a Rússia, mas até aqui só existe o pedido americano para que a Arábia Saudita tranquilize o mercado de energia. Mas de qualquer forma o petróleo também reagiu positivamente. Falando nisso os estoques de petróleo americano na semana passada subiram somente 1,6 milhões de barris, quando o esperado era alta de 3,3 milhões. Ainda por lá, as encomendas de bens duráveis cresceram em fevereiro 1,2% de projeção de -0,5%.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que já foram perdidas 16 mil vidas e que mais serão perdidas e não comentou a postura do presidente Bolsonaro. Citamos ainda o otimismo dos investidores com o tratamento da Covid-19. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 1,96%, com o barril cotado a US$ 24,48. O euro era transacionado em alta para 1,088, com a fraqueza do dólar, depois da aprovação do pacote de medidas. O ouro operando em queda e a prata com alta na Comex e commodities agrícolas com leve viés de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro também teve dia de alta na China com +4,01% e a tonelada fechando em US$ 87,34. Com isso as ações de Petrobras, Vale e siderúrgicas foram beneficiadas.

No segmento local, a FGV anunciou que a confiança do comércio de março caiu 11,7 pontos para 88,1 pontos. A prévia da inflação oficial de março pelo IPCA-15 registrou alta de 0,02, de anterior em 0,22%. Em 2020, o índice acumula alta de 0,95% e em 12 meses com 3,67%. Foi a menor inflação para o mês desde o plano real. Também saiu o volume de serviços prestados em janeiro com expansão de 0,6% e em 12 meses com +1%. A receita nominal é que encolheu 0,3% e contra janeiro de 2019 subiu 4,4%.

O BC anunciou que o déficit em conta-corrente de fevereiro foi de US$ 3,9 bilhões e no ano soma US$ 15,8 bilhões. Em 12 meses está em 52,9 bilhões, algo como 2,91% do PIB. Investimentos Diretos no País (IDP) foram de US$ 6 bilhões e em 12 meses estão em US$ 76,7 bilhões. Lembramos que em janeiro, o déficit não foi coberto pelo ingresso de IDP. Os investimentos em ações brasileiras encolheram US$ 4,4 bilhões no período, mas na renda fixa houve ingresso de US$ 1,1 bilhão. Mas o déficit em conta-corrente de fevereiro foi o pior desde 2018.

O fluxo cambial até 23 de março estava negativo em US$ 3,41 bilhões, com o fluxo financeiro negativo em US$ 9,6 bilhões. Os bancos estavam vendidos em US$ 33,05 bilhões e a perda do BC com operações de swap cambial estava em R$ 27,3 bilhões. A posição cambial líquida do país era de US$ 314 bilhões e hoje o BC vendeu US$ 3,3 bilhões em leilão de linha.

Do lado político as redes sociais andaram frenéticas discutindo a postura de Bolsonaro em rede de TV ontem e também o bate-boca João Doria, governador de São Paulo. Aliás, os governadores fazem reunião para discutir exatamente a relação entre o presidente e os governadores. No mercado, dia de DIs com juros em queda para os principais vencimentos e dólar com boa queda de 0,97% e fechando cotado em R$ 5,03, tendo chegado a R$ 4,98. Na Bovespa, na sessão de 23/3, os investidores estrangeiros ainda sacaram R$ 413, 8 milhões, com as saídas de 2020 já em R$ 61 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 3,46%, Paris com +4,47% e Frankfurt com +1,71%. Madri e Milão com altas de respectivamente 2,65% e 1,74%.

No mercado americano, o Dow Jones com +2,39% e Nasdaq com -0,45%. Na Bovespa, nova alta de 7,50% e índice em 74.955 pontos. No final da sessão, o mercado americano registrou pressão vendedora e a Bovespa também reduziu alta, em perfeita sintonia. Vale e Petrobras foram destaques de alta. No índice, máxima em 76.713 pontos.

Na agenda desta quinta, temos o INCC da construção civil de março e o relatório trimestral de inflação.

Nos EUA nova leitura do PIB do quarto trimestre, o saldo da balança comercial de fevereiro e os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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