Conversamos com Vinicius Carmona, sócio e DRI do BR Partners, sobre o resultado do 3T25 do banco.
Qual a sua avaliação sobre o resultado do 3T25 do BR Partners?
Para que possamos analisar o resultado do 3T25, nós temos que entender que, por mais que o BR Partners tenha tido, na comparação anual, queda de receita e de lucro e um ROAE mais fraco, 21,6%, o banco apresentou um bom ROAE, pois, simplesmente, nós estamos no pior ciclo de M&A, que é o nosso principal advisory, dos últimos 5 anos. Diante disso, esse ROAE, nesse momento, foi uma vitória, pois mostra como conseguimos, e obviamente o IPO foi fundamental para isso, dar um fôlego maior de crescimento para as outras verticiais.
Como este ano está sendo marcado por muita volatilidade, pela questão das tarifas e pela questão fiscal do país, tudo isso culminou em um cenário extremamente desfavorável para que possamos converter as transações, pois, por mais que tenhamos um pipeline muito bom, o difícil está sendo completá-las.
Cabe destacar que, desde 2020, o IB (Investment Bank) cresceu só 4%, ou seja, ele praticamente andou de lado todo esse tempo. Obviamente, essa atividade tem altos e baixos, tanto que, em 2024, nós tivemos um crescimento muito forte em função da atividade de Capital Solutions, que foram as reestruturações da Light, CVC e Marisa que assessoramos. O ponto é que o resultado do ano passado se deu muito mais pelas reestruturações de empresas do que pelo M&A, que, como disse, está de lado desde 2020.
Com relação às receitas não cíclicas, mercado de capitais, estruturação de dívida, tesouraria, gestão de patrimônio e as nossas receitas de capital, elas tiveram um crescimento absurdo de 346% nesses 5 anos. Quando olhamos para o crescimento médio anual, as receitas não cíclicas cresceram 35%, IB, 1%, e as receitas totais 20%.
Diante desse cenário, ter a principal linha de negócio em um momento ruim e mesmo assim ter um ROAE de 21,6%, basicamente com as outras verticiais que foram desenvolvidas, mostra a nossa diversificação e como temos conseguido melhorar a qualidade da nossa receita.
Como o BR Partners está sentindo o atual cenário macro e enxergando o cenário macro para 2026?
Neste segundo semestre, o mercado começou a precificar a queda de juros para o começo do ano que vem, a política internacional deu uma amenizada, os juros começaram a ser reduzidos nos Estados Unidos e há uma entrada tímida de recursos estrangeiros na Bolsa, o que já fez com que ela andasse bastante. Tudo isso, junto com os muitos projetos estagnados há muito tempo, tem feito com que a percepção do management das empresas mudasse. Outra questão é que o mercado de capitais foi muito importante para melhorar o funding das empresas, tanto que muitas delas reciclaram e alongaram suas dívidas.
Com a possível redução dos juros, as empresas estão um pouco mais animadas para retomar projetos, investimentos e aquisições. Na nossa avaliação, o pior momento do M&A, está ficando para trás. Com isso, no final de 2025, início de 2026, nós podemos entrar em um ciclo um pouco mais positivo para o M&A com os outras verticais performando muito bem. Dito isso, nós vemos total possibilidade em buscarmos um ROAE maior para o próximo ano. Lógico, o ciclo de queda dos juros precisa começar e depois nós precisamos ver a sua magnitude, mas tudo indica que, como nós estamos em um nível mais baixo de M&A, quando o mercado voltar, isso pode dar uma boa esticada para que possamos voltar a crescer a receita, o lucro e, consequentemente, buscarmos um ROAE maior.
Por exemplo, nós temos um target de ROAE, tanto para os momentos ruins quanto para os momentos bons, entre 20% e 25%, ou seja, em um ciclo favorável, nós podemos buscar 25% ou, eventualmente, até um pouco mais, mas, novamente, nós precisamos de uma ajuda do cenário macro para que isso possa voltar a acontecer. Independente disso, nós estamos empolgados com 2026, já que o ciclo de queda de juros favorece todas as nossas linhas de negócio, além de favorecer a retomada do M&A.
O ponto de atenção dessa história é a questão da eleição. Por mais que a queda dos juros ajude as empresas a reduzirem suas despesas financeiras e a diminuírem suas alavancagens, além de incentivar novos investimentos, a magnitude dessa retomada, na minha opinião, vai ser muito impactada por esse jogo político. Aqui não é uma questão de esquerda ou de direita, mas de responsabilidade fiscal. Seja quem for o novo presidente, se ele trouxer um mínimo de responsabilidade fiscal, a magnitude dessa melhora para a economia brasileira pode ser muito pujante, mas se continuar da forma como está, o Brasil pode continuar andando em um ritmo de crescimento mais baixo, com uma retomada aquém do que poderia ser.
Como o BR Partners tem visto a valorização das suas ações?
Essa pergunta é muito interessante e tem muito a ver com o meu dia-a-dia. Nós somos o único banco de investimento independente listado no Brasil, sendo que nos Estados Unidos, você tem diversos bancos de investimento listados e diversos fundos que investem nesses nomes. Como o mercado americano é muito maior, um dos nossos desafios é tentar buscar mais dinheiro lá fora, até porque o nosso mercado ficou muito pequeno, já que as assets encolheram muito. Lá fora, os investidores olham para o BR Partners como um negócio de serviços, um negócio de fee, o que está correto, pois apesar de termos o capital, 75% das nossas receitas são geradas com os clientes e apenas 25% com o capital.
Quando você olha para bancos como o Itaú, Bradesco e o próprio BTG, a receita de capital fica entre 60% e 65%, ou seja, o business preponderante dos grandes bancos ainda é a utilização do capital, sendo que o nosso é advisory. Isso tem uma diferença muito óbvia para os analistas de fora, pois eles avaliam o nosso negócio a price to earnings, ou seja, preço/lucro da ação. Já no Brasil, como não existem outros BR Partners listados, os investidores precificam o nosso negócio como se fôssemos um grande banco, então eles olham pela métrica de preço pelo valor patrimonial da ação, o price to book value. Quando você compara essa métrica de price to book value e compara, por exemplo, com o BTG, o investidor diz que a ação do BR Partners está muito próxima do BTG, mas que como o BTG é um banco muito maior e mais diversificado, o BR Partners tem que ter um desconto para o BTG. Sinceramente, eu não gosto dessa visão, pois os dois negócios são diferentes, pois por mais que o BTG seja muito maior e mais diversificado, ele é um negócio muito mais intensivo de capital.
É por isso que eu gosto de nos comparar a outros bancos lá de fora. Quando nós olhamos a métrica preço/lucro, nós negociamos a 10x, sendo que os bancos de fora a 25x, até 30x. É por causa dessa janela que nós estamos tentando trazer os investidores estrangeiros, pois eles olham para o nosso negócio e dizem que ele está barato. É por isso que nós estamos trabalhando para termos o nosso business avaliado de forma mais próxima aos nossos pares de fora, pois a questão se está barato ou caro é muito relativa, pois depende da maneira como se enxerga o nosso negócio.
Independente disso, nós estamos fazendo um bom trabalho, pois conseguimos trazer muitos investidores estrangeiros para o papel neste ano, o que explica a melhora da liquidez e a subida de patamar, tanto que no ano, nós estamos subindo mais de 50%. Agora, por mais que estejamos contentes com esse trabalho, nós ainda estamos longe de onde queremos chegar. O Br Partners ainda é um negócio pequeno, que possui muitas oportunidades de crescimento olhando para o longo prazo e de maturação das áreas que temos hoje, como o próprio Wealth Management. Por exemplo, quando crescermos um pouco mais, nós vamos precisar de uma asset, que ainda não temos, até para que possamos servir, eventualmente, os clientes do wealth.
Quando você olha para a combinação de uma companhia que, desde o seu IPO, conseguiu manter um ROAE acima de 20%, mesmo em momentos extremamente difíceis do mercado, e tem essas caixinhas para serem desenvolvidas, sinceramente, o papel poderia andar bem mais. Obviamente, isso vai passar muito pela questão política e pela questão dos juros, pois por mais que estejamos fazendo um trabalho de excelência, é importante lembrar que não estamos competindo com o BTG ou com o Itaú, mas com o juro de 15%.
Cabe ressaltar que isso gerou uma drenagem muito grande do mercado de ações para títulos de renda fixa, que possuem, sem risco algum, 1% garantido ao mês, eventualmente até mais. Foi isso que fez a liquidez do mercado brasileiro de ações dar uma boa secada, mas existem alguns investidores, inclusive estrangeiros, que olham para o mercado e veem que existem muitas empresas boas que estão baratas, e quando os juros começarem a cair, esses negócios podem andar muito. Diga-se de passagem, isso já está acontecendo, tanto que nos últimos dois meses, o Ibovespa andou bem.

















