Bradesco: agronegócio em análise

Opinião do Analista / 07:44 - 6 de set de 2012

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Fertilizantes e mão-de-obra pressionam custos da safra de grãos 2012/13, mas manutenção de preços elevados das commodities garante margens operacionais positivas

O plantio da safra de grãos 2012/13, a ser iniciado em outubro no Centro-Sul do país, contará com custos em média 15% mais elevados, comparativamente à safra passada, segundo levantamento de custos realizado pela Conab em maio deste ano1. Os principais itens de pressão no campo são os fertilizantes e a mão-de-obra. Os custos com fertilizantes subiram em média 25,1% na atual safra. Corroborando os dados levantados pela Conab, os preços médios de importação dos fertilizantes, calculados a partir de informações da Secex2, subiram 20% nos primeiros sete meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os preços das matérias-primas usadas na fabricação de fertilizantes mensurados pelo IEA3, como uréia e amônia, também mostraram elevação de 21,4% e 13% nessa ordem, no mesmo período, seguindo a tendência das cotações internacionais do petróleo.
Do mesmo modo, os custos de mão-de-obra nas lavouras de grãos, medidos pelos salários dos novos admitidos, subiram 8,0% em termos nominais nos últimos 12 meses, refletindo a condição apertada no mercado de trabalho do Brasil.
Analisando a tendência de preços agrícolas para entrega da safra a partir de março de 2013, entendemos que a margem operacional do produtor brasileiro de grãos será menor do que a margem obtida na safra passada, dado que em sentido contrário ao movimento percebido para os custos, as cotações dos grãos não deverão avançar na mesma intensidade dos custos no próximo ano. Isso se deve à estimativa de safras recordes no Brasil e na Argentina, esperadas em função (i) da ampliação de área com soja principalmente no Brasil, estimada em 10% e (ii) do forte incremento de produtividade, baseado na combinação de melhor pacote tecnológico aplicado ao campo, sobretudo com o uso mais eficiente de fertilizantes como também do clima favorável trazido pelo fenômeno climático El Niño que deverá trazer chuvas regulares para a região.
Mas também não esperamos queda acentuada dos preços agrícolas tendo em vista que mesmo com safra recorde, a produção não será suficiente para recompor os estoques e ampliar de forma significativa a relação estoque consumo global, que estão em níveis muito baixos. Nesse sentido as cotações da soja, em reais, devem cair algo entre 6% e 10%, como resultado da ampliação de 25% esperada para a safra da oleaginosa no Brasil, que deverá absorver área de milho e de algodão.
Para os demais grãos esperamos alta moderada de preços, como arroz, feijão e milho, uma média de 5%, em razão da oferta mais justa esperada para o próximo ano. Em que pese a estimativa de menor margem operacional para o produtor de grãos, ainda assim será uma margem positiva pelo terceiro ano-safra consecutivo.
Complementarmente, apesar da alta de custos com fertilizantes apontadas no levantamento da Conab, percebemos um movimento de antecipação das compras de adubos pelos produtores, motivada pelos elevados preços agrícolas vigentes no início deste ano. A compra antecipada de fertilizantes trouxe para o produtor o benefício de melhor relação de troca com os grãos, por conta dos elevados preços destes, mas também permitiu que o agricultor adquirisse o fertilizante a uma taxa de câmbio mais favorável. De fato no primeiro semestre do ano, a média do câmbio foi de R$ 1,60/US$, inferior ao nível de R$ 2/US$ registrado nos meses mais recentes.
Por fim, mesmo com um plantio mais caro, o produtor de grãos na safra 2012/13 poderá contar com bom nível de rentabilidade, destacando-se as culturas de soja e de milho, nessa ordem. Além disso, para este ano os serviços de meteorologia estão indicando clima propício trazido pelo El Niño, com chuvas regulares na Região Centro-Sul, impulsionando um incremento médio de 15% da produtividade e gerando um recorde de produção de grãos. O que combinado aos elevados patamares dos preços das <i>commodities</i>, favorecerá a ampliação da renda agrícola, para a qual a nossa expectativa é de ampliação em torno de 6%. Mais um aspecto positivo é a manutenção da taxa de câmbio em R$ 2/US$, beneficiando as culturas exportadoras.
 

 

Octavio de Barros

Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - Bradesco

Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

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